Estudo da Bloomberg aponta queda de 19 pontos na alíquota média brasileira, enquanto Argentina registra aumento com nova política comercial de Donald Trump.
247 – A revisão da política tarifária dos Estados Unidos provocou uma reconfiguração no comércio internacional e beneficiou diretamente o Brasil. Após decisão da Suprema Corte que considerou ilegais grande parte das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o país deixou de figurar entre os mais penalizados e passou a registrar a maior redução média entre os principais parceiros comerciais de Washington.
De acordo com cálculos da Bloomberg Economics, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros caiu para 12,2%, uma diminuição de 19 pontos percentuais em relação aos 31,2% praticados anteriormente. O levantamento indica que o Brasil foi o principal beneficiado pela reviravolta judicial que alterou o cenário das taxas comerciais americanas.
Em julho do ano passado, o governo Trump havia elevado tarifas sobre produtos brasileiros a níveis que chegaram a 50%, tornando o Brasil o país mais taxado pelos Estados Unidos. Mesmo com exceções posteriores, a média permanecia superior à aplicada à China, que pagava 30,7%. Com a nova configuração, o quadro se inverteu de forma significativa.
Após sofrer revés na Suprema Corte, Trump anunciou a intenção de instituir uma tarifa global de 10%, chegando a mencionar a possibilidade de elevar a alíquota para 15%. A Casa Branca formalizou decreto fixando a taxa em 10%. Nesta quinta-feira, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, indicou que a elevação para 15% ocorrerá apenas “quando apropriado” e afirmou buscar uma “continuidade” nas relações com países que tenham firmado acordos comerciais.
O impacto, no entanto, não foi uniforme. Mesmo com a taxa de 10%, alguns aliados políticos de Washington passaram a enfrentar situação mais onerosa do que antes da decisão judicial. A Argentina aparece entre os países que registraram piora relativa. Segundo os dados, os produtos argentinos passaram a pagar tarifa média de 9,5%, acima dos 7,6% anteriores — aumento de 1,9 ponto percentual. Caso a alíquota global suba para 15%, a tendência é de pressão adicional sobre parceiros em negociação comercial com os Estados Unidos.
Austrália, Reino Unido, União Europeia e Japão também figuram entre os que ficaram em posição menos favorável na comparação com o cenário anterior à derrota judicial do presidente norte-americano.
A redução das tarifas ocorre em momento estratégico para o Brasil. A decisão da Suprema Corte coincidiu com agenda internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitava o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em movimento para ampliar parcerias comerciais e reduzir a dependência de Estados Unidos e China, os dois maiores parceiros comerciais brasileiros.
Lula tem viagem prevista a Washington em março para encontro na Casa Branca. Entre os temas que pretende abordar estão as tarifas aplicadas ao aço brasileiro e a possibilidade de retomada do sistema de cotas anteriormente adotado pelos EUA. O Brasil é o terceiro maior fornecedor de aço ao mercado norte-americano.
Apesar do alívio recente, o ambiente permanece incerto. A Casa Branca abriu no ano passado uma investigação com base na Seção 301 contra o Brasil, mecanismo utilizado para apurar supostas práticas comerciais desleais. O governo brasileiro rejeitou as acusações formuladas por Washington. Na sexta-feira, a Casa Branca reiterou que as investigações envolvendo Brasil e China continuam em curso.
Em comunicado, Greer declarou: “Se essas investigações concluírem que há práticas comerciais desleais e que medidas de resposta são justificadas, as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas”.
Fotos: Ricardo Stuckert / PR
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/brasil-deve-ser-o-maior-beneficiado-em-nova-tarifa-de-trump