O Brasil caminha para registrar, em 2026, o maior número de turistas estrangeiros de sua história, superando pela primeira vez a marca de 10 milhões de visitantes internacionais, segundo projeção do presidente da Embratur, Marcelo Freixo. A estimativa ocorre após um 2025 já recorde, quando o país recebeu cerca de 9,3 milhões de turistas de fora, com crescimento de 37% em relação a 2024, consolidando uma trajetória de forte expansão do turismo internacional.
Recordes recentes e mudança de patamar
Em 2025, o fluxo de visitantes internacionais ao Brasil chegou a 9,3 milhões, resultado que superou com folga metas originalmente previstas apenas para os próximos anos. Esse avanço veio após o país registrar, em 2023 e 2024, retomada consistente do setor e bater sucessivos recordes de receitas com turistas estrangeiros.
Segundo a Embratur, o crescimento de 37% nas chegadas em 2025 colocou o Brasil acima da média mundial e da América do Sul, em linha com dados da Organização Mundial do Turismo que apontam o país entre os destinos que mais expandiram o turismo internacional no período. O desempenho reflete, de acordo com Freixo, uma combinação de planejamento, políticas públicas específicas e melhora da imagem do Brasil no exterior.
Projeções para 2026 e 2027
Para 2026, a Embratur trabalha com a perspectiva de ultrapassar os 10 milhões de turistas estrangeiros, estabelecendo um novo patamar para o turismo brasileiro. Marcelo Freixo afirmou que “vamos passar dos 10 milhões pela primeira vez em 2026” e avalia que, mantido o ritmo de expansão, o país pode atingir cerca de 12 milhões de visitantes internacionais em 2027.
Essas projeções se apoiam nos números fortes do início de 2026 e na manutenção da tendência de alta observada ao longo de 2025. O governo federal e a Embratur tratam a marca de 10 milhões como um objetivo estratégico, já mencionado anteriormente pelo Ministério do Turismo como meta para consolidar um novo nível de competitividade do setor no cenário global.
Papel do Carnaval e de grandes eventos
O Carnaval segue como uma das principais vitrines internacionais do Brasil e um dos motores do crescimento do turismo estrangeiro. Dados de bilhetes aéreos e projeções da Embratur indicam que, durante o período carnavalesco de 2026, o fluxo de turistas internacionais deve ser cerca de 20% maior que o do ano anterior, com incremento igualmente expressivo nas receitas deixadas no país.
A estratégia oficial, porém, vai além do Carnaval e busca diversificar o calendário de eventos promovidos no exterior, incluindo festas tradicionais como o São João, sobretudo no Norte e Nordeste. A Embratur já anunciou, por exemplo, ações específicas de promoção do São João na Argentina, com o objetivo de atrair, no meio do ano, visitantes interessados na cultura popular brasileira.
Estratégias da Embratur para sustentar o crescimento
Entre as principais linhas de ação destacadas por Marcelo Freixo estão o reforço da conectividade aérea, a segmentação de mercados emissores e o uso intensivo de inteligência de dados para orientar campanhas promocionais. O foco é direcionar a promoção dos destinos “certos para os mercados certos”, aumentando a eficiência dos investimentos em divulgação e ampliando o número de rotas e frequências internacionais.
A Embratur também enfatiza a importância da estabilidade institucional e do compromisso com democracia, cultura e meio ambiente como ativos intangíveis que aumentam a atratividade do país junto ao público internacional. Ao mesmo tempo, a agência mantém um portal de dados voltado ao trade turístico, com informações sobre conectividade, chegadas por país de origem e receita, para apoiar decisões de negócios e políticas públicas.
Principais mercados emissores e desafios
Os argentinos seguem como o maior grupo de turistas estrangeiros que visitam o Brasil, seguidos por chilenos e norte-americanos, com expectativa de crescimento também em outros mercados, como o espanhol, que a Embratur quer incluir entre os dez principais emissores. A ampliação dessas correntes turísticas é vista como fundamental para dispersar o fluxo pelo território nacional e reduzir a dependência de poucos países.
Apesar do momento favorável, a própria Embratur reconhece que manter ritmos excepcionais de crescimento, como o de 37% em 2025, é praticamente impossível ano após ano, o que exige consolidar um avanço consistente, ainda que mais moderado, acima da média mundial. Entre os desafios estão o custo de voos de longa distância, a necessidade de ampliar infraestrutura turística e a competição global cada vez mais acirrada por visitantes internacionais.
Foto: Tania Rego/Agência Brasil
FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas
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