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Brasil Dispara nas Exportações de Petróleo e Emplaca Maior Volume em Três Anos

A exportação de petróleo do Brasil começou 2026 em ritmo acelerado e quebrou um recorde recente: o país embarcou 10,57 milhões de toneladas de óleo bruto em janeiro, um salto de 13,3% em relação às 9,33 milhões de toneladas exportadas no mesmo mês de 2025, atingindo o maior volume mensal em quase três anos. Esse desempenho só perde para março de 2023, quando foram registradas 11 milhões de toneladas embarcadas.

O principal motor dessa arrancada foi a entrada em operação de quatro novas plataformas em importantes campos do pré‑sal ao longo de 2025, três delas da Petrobras (duas em Búzios e uma em Mero, na Bacia de Santos) e uma da norueguesa Equinor, no campo de Bacalhau. Essas unidades ajudaram o país a bater, em 2025, um recorde histórico de produção, com média de 3,77 milhões de barris por dia, alta de 12,3% sobre 2024.

Curiosamente, o boom de volume veio acompanhado de um *tombo na receita em dólar: mesmo com mais petróleo saindo dos portos brasileiros, a receita com exportações de óleo em janeiro caiu 7,8%, para cerca de US$ 4,3 bilhões, por causa da queda do preço internacional da commodity. O valor médio da tonelada exportada recuou 18,6% na comparação com janeiro de 2025, para cerca de US$ 407,4 por tonelada.

Os números reforçam um movimento estrutural. Em 2025, o Brasil já havia exportado 726 milhões de barris de petróleo no ano, cerca de 1,98 milhão de barris/dia, volume 10% maior que em 2024, com o óleo bruto se consolidando, pelo segundo ano seguido, como principal item da pauta exportadora, à frente de produtos tradicionais como soja e minério de ferro. Para 2026, projeções da ANP e de consultorias como a Rystad Energy indicam que a produção total pode superar 4,2 milhões de barris/dia, mantendo o Brasil como principal responsável pelo aumento da oferta de petróleo na América Latina.

Ao mesmo tempo, o recorde de exportações expõe um descompasso conhecido da matriz energética brasileira: o país exporta cada vez mais óleo cru do pré‑sal, mas ainda depende de importação de derivados de maior valor agregado (diesel, gasolina, querosene de aviação), reflexo de anos de baixo investimento em refino e de uma estratégia focada na vocação extrativa. Isso abre um debate sobre até que ponto o atual “superciclo” de exportações de petróleo representa apenas uma onda de caixa de curto e médio prazo, ou se será convertido em política de longo prazo para agregar valor, financiar transição energética e reduzir vulnerabilidades externas.

Foto: Agência Petrobras

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )