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Brasil e China convergem em agenda estratégica de armazenamento de energia e hidrogênio

Debate em Macau ocorre enquanto o Brasil avança na implantação de soluções para ampliar a segurança energética e a integração das fontes renováveis.

247 – O armazenamento de energia e o hidrogênio estão se consolidando como dois dos principais pilares da transição energética global. O tema dominou os debates do painel “Fortalecendo as energias renováveis com hidrogênio e armazenamento de energia em uma nova era”, realizado nesta sexta-feira (12) durante o 17º Fórum e Exposição Internacional de Investimentos e Construção de Infraestrutura, em Macau.

Organizado pela PowerChina e moderado por Li Sisheng, vice-presidente executivo da companhia, o encontro reuniu representantes de empresas, instituições setoriais e especialistas de diversos países para discutir os desafios da expansão das energias renováveis e o papel estratégico do armazenamento de energia e do hidrogênio na construção dos novos sistemas energéticos.

O debate ocorre em um momento particularmente relevante para o Brasil. Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou o primeiro leilão nacional de sistemas de armazenamento por baterias, previsto para dezembro de 2026. A iniciativa deverá movimentar mais de R$ 10 bilhões em investimentos e busca ampliar a segurança energética do país, além de facilitar a integração de fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Armazenamento se torna elemento central da transição energética

Ao abrir os debates, Fang Qiuchen, presidente da Associação Internacional de Empreiteiros da China (CHINCA), afirmou que a transformação do sistema energético mundial entrou em uma nova fase, impulsionada pelas mudanças na matriz energética, pela inovação tecnológica e pelo crescimento acelerado das fontes renováveis.

Segundo ele, o sistema energético tradicional está evoluindo para um modelo mais eficiente, limpo, seguro e inteligente. Nesse processo, o hidrogênio e o armazenamento de energia assumem papel cada vez mais estratégico para garantir o equilíbrio entre oferta e demanda, ampliar a capacidade de regulação dos sistemas elétricos e superar os desafios associados à integração de fontes renováveis.

Fang observou que a energia solar e a eólica seguem registrando forte expansão em todo o mundo, mas continuam enfrentando limitações relacionadas à intermitência e à variabilidade da geração. Para ele, o armazenamento tornou-se uma ferramenta fundamental para garantir o aproveitamento eficiente dessas fontes e viabilizar sua utilização em larga escala.

Energia renovável precisa de flexibilidade e estabilidade

Na sequência, He Yanfeng, vice-presidente executivo da Power Construction Corporation of China, destacou que a humanidade atravessa um período de profunda transformação energética, marcado pela necessidade de conciliar crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e segurança energética.

Segundo ele, o armazenamento de energia passou a desempenhar uma função estrutural na transição energética ao permitir que a eletricidade gerada por fontes renováveis seja utilizada de forma mais eficiente e previsível.

He afirmou que a integração entre energia solar, hidrogênio, armazenamento e redes inteligentes constitui uma das principais rotas tecnológicas para a construção dos sistemas energéticos do futuro.

O executivo apresentou ainda exemplos de projetos desenvolvidos pela companhia em diferentes partes do mundo. Entre eles, destacou um grande empreendimento de armazenamento associado à geração solar na Arábia Saudita, considerado um dos maiores sistemas de armazenamento conectados à rede elétrica atualmente em operação. Também mencionou iniciativas na Ásia Central voltadas à utilização de energia renovável em aplicações industriais.

Para He, o armazenamento confere “valor de tempo” à energia renovável, permitindo que a eletricidade produzida em momentos de abundância seja utilizada posteriormente de forma estável e segura.

Hidrogênio e armazenamento são inseparáveis

A perspectiva internacional do debate foi reforçada pela participação de Adel Alsaeedi, vice-presidente sênior da Emirates Water and Electricity Company (EWEC), dos Emirados Árabes Unidos.

Alsaeedi afirmou que a crescente demanda mundial por eletricidade, impulsionada pelo crescimento populacional, pela industrialização e pela expansão de novas tecnologias, exige soluções capazes de garantir energia limpa e confiável em larga escala.

Segundo ele, embora as energias renováveis estejam no centro da transição energética, elas não são suficientes, sozinhas, para atender às necessidades dos sistemas elétricos modernos.

“A energia renovável, por si só, não é suficiente para garantir o futuro energético limpo que buscamos”, afirmou.

O executivo destacou que tecnologias como o hidrogênio verde e os sistemas de armazenamento são indispensáveis para assegurar flexibilidade operacional, estabilidade das redes e resiliência dos sistemas energéticos.

De acordo com Alsaeedi, o hidrogênio verde terá papel decisivo na descarbonização de setores de difícil eletrificação, como aviação, transporte marítimo e indústria pesada. Já o armazenamento permitirá ampliar a participação das energias renováveis, reduzindo riscos de instabilidade e aumentando a segurança do fornecimento.

Em uma das declarações mais importantes do painel, ele resumiu a visão compartilhada pelos participantes:

“Energia renovável, hidrogênio e armazenamento não são tecnologias separadas. Juntos, eles formam a base do sistema energético do futuro.”

Brasil avança na mesma direção

As discussões realizadas em Macau mostram que o armazenamento de energia deixou de ser visto como uma tecnologia complementar e passou a ocupar posição estratégica na expansão das energias renováveis em todo o mundo.

A avaliação converge com as iniciativas em curso no Brasil. O primeiro leilão nacional de baterias anunciado pelo Ministério de Minas e Energia busca justamente criar as condições para ampliar a capacidade de armazenamento do sistema elétrico, aumentar sua flexibilidade operacional e reforçar a segurança energética diante do crescimento da geração solar e eólica.

Nesse contexto, os debates promovidos pela PowerChina evidenciam uma convergência crescente entre as estratégias adotadas por China e Brasil. Ambos os países avançam na construção de sistemas energéticos mais limpos, resilientes e capazes de integrar volumes cada vez maiores de energia renovável, tendo o armazenamento e o hidrogênio como elementos centrais dessa transformação.

Fang Qiuchen, presidente da Associação Internacional de Empreiteiros da China (CHINCA) (Foto: Brasil 247)

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/brasil-e-china-convergem-em-agenda-estrategica-de-armazenamento-de-energia-e-hidrogenio