Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Brasil entra pela primeira vez no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano

Relatório do Pnud mostra avanço do IDHM no Brasil, mas destaca desigualdades raciais, de gênero e regionais persistentes.

247 – O Brasil passou a integrar, pela primeira vez, o grupo de países com muito alto desenvolvimento humano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O levantamento faz parte do “Radar IDHM” e aponta avanços nos indicadores de longevidade, educação e renda, embora ressalte que o progresso ocorreu de forma desigual entre diferentes grupos da população e regiões do país.

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é calculado a partir de três dimensões: expectativa de vida, escolaridade e renda. A escala varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior é o nível de desenvolvimento humano. O novo resultado coloca o Brasil em um patamar inédito na série histórica analisada pelo Pnud.

Apesar da melhora geral nos indicadores, o relatório evidencia disparidades raciais persistentes. A população branca alcançou índice de 0,851, considerado de muito alto desenvolvimento humano, enquanto a população negra registrou 0,774, faixa classificada como alto desenvolvimento humano.

“A marcante desigualdade racial no Brasil é evidenciada pelos diferentes patamares alcançados entre a população negra e a população branca. A primeira está sempre uma faixa abaixo de desenvolvimento humano em relação à segunda”, afirma o relatório do Pnud.

As diferenças também aparecem na comparação entre homens e mulheres. Os homens registraram IDHM de 0,802, entrando na categoria de muito alto desenvolvimento humano. Já as mulheres alcançaram 0,798, permanecendo na faixa de alto desenvolvimento humano. Segundo o estudo, as desigualdades se tornam ainda mais evidentes quando o índice é ajustado pela renda do trabalho.

O relatório também mostra evolução no indicador relacionado à desigualdade. Em 2012, o Brasil era classificado como país de baixo desenvolvimento humano nesse critério. Em 2024, o país passou para o nível de médio desenvolvimento humano. Ainda assim, o Pnud alerta que parte significativa da população permanece distante dos avanços refletidos na média nacional.

No recorte territorial, os 27 estados brasileiros apresentaram recuperação e superaram os níveis registrados antes da pandemia de Covid-19. De acordo com o Pnud, o desempenho é resultado de décadas de políticas públicas voltadas para saúde, educação e geração de renda.

Atualmente, dez unidades da federação já atingiram o nível mais alto da escala de desenvolvimento humano, enquanto as demais permanecem no patamar de alto desenvolvimento. O Distrito Federal lidera o ranking nacional, com índice de 0,866, seguido por São Paulo, com 0,838, e Santa Catarina, com 0,833.

Na outra ponta, Maranhão aparece com o menor índice do país, registrando 0,745. Em seguida estão Alagoas, com 0,746, e Acre, com 0,754.

Os dados também revelam fortes diferenças nos indicadores específicos que compõem o IDHM. Na expectativa de vida ao nascer, por exemplo, o Amapá registra média de 74,32 anos, enquanto o Distrito Federal chega a 79,75 anos.

Em relação à escolaridade, a proporção da população com 18 anos ou mais que concluiu o ensino fundamental varia de 59,14% na Paraíba para 83,38% no Distrito Federal.

Já na renda domiciliar per capita, o Maranhão apresenta média de R$ 482,46, enquanto o Distrito Federal alcança R$ 1.465,10, evidenciando a desigualdade econômica entre as regiões brasileiras.

Foto: Gerado por IA

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/brasil-entra-pela-primeira-vez-no-grupo-de-paises-com-muito-alto-desenvolvimento-humano