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Brasil foi um dos países menos afetados pela guerra no Oriente Médio, diz Durigan

Ministro da Fazenda destacou resiliência da economia brasileira durante lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil.

247 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (25) que o Brasil foi um dos países menos impactados pela guerra entre Estados Unidos e Irã, conflito que provocou forte volatilidade nos mercados globais e pressionou os preços internacionais do petróleo. A declaração foi dada durante o lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil, em São Paulo.

Segundo Durigan, o programa será estratégico para ampliar a capacidade de reação da economia brasileira diante de crises internacionais e gargalos produtivos. O novo leilão é voltado ao fortalecimento da inovação tecnológica e ao desenvolvimento de cadeias consideradas essenciais para a competitividade do país.

“Começamos a desenhar o quinto leilão um pouco antes de a guerra explodir”, declarou o ministro. “Mas a guerra tem nos pedido isso. Todos os países do Primeiro Mundo estão comprometidos em como melhorar suas economias para gerar resiliência. O mundo está em busca de resiliência.”

O ministro também afirmou que o Brasil conseguiu atravessar o período de instabilidade com impactos menores do que outras economias. “Estamos passando por uma série de questões ligadas a combustíveis. Em comparação com o mundo, o Brasil foi um dos países menos afetados pela guerra entre EUA e Irã”, disse Durigan.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o 5º Leilão do Eco Invest Brasil criará três mecanismos financeiros complementares para aproximar empresas, universidades, centros de pesquisa, startups e investidores. O foco será acelerar tecnologias ligadas à transformação ecológica e ao desenvolvimento industrial.

Entre os setores priorizados estão combustíveis verdes, biofertilizantes, minerais críticos, baterias e bioeconomia. “O Estado vai dar o pontapé inicial, mas também traz visão estratégica. Estamos olhando, no quinto leilão, para combustíveis verdes, novos biofertilizantes estimuladores do ambiente produtivo, minerais críticos, baterias e bioeconomia”, afirmou o ministro.

O Tesouro Nacional poderá aportar até R$ 2,5 bilhões nesta nova rodada. Desse total, R$ 1,5 bilhão será destinado aos fundos de inovação, que poderão alcançar até R$ 4,5 bilhões com alavancagem privada. Outros R$ 1 bilhão irão para linhas de crédito corporativo.

Durigan defendeu a integração entre ciência, setor produtivo e capital privado para ampliar a competitividade nacional. “Não existe competitividade sem inovação e não existe inovação em escala sem conexão entre ciência, capital e setor produtivo. O que estamos estruturando é um modelo capaz de transformar demanda industrial em tecnologia, em produto real”, declarou.

O ministro também destacou a dependência brasileira da importação de fertilizantes e afirmou que o programa busca estimular a produção nacional de tecnologias estratégicas. “Hoje, por exemplo, o Brasil importa 80% dos fertilizantes que consome. Com esses instrumentos, vamos desenvolver uma tecnologia nacional avançada, com montantes que elevem o patamar de investimento nesses setores. O Brasil passa a não apenas consumir, mas criar, exportar e liderar”, afirmou.

Segundo o governo federal, as instituições financeiras participantes disputarão cadeias estratégicas com base na capacidade de mobilizar capital privado. As vencedoras ficarão responsáveis pela estruturação dos Fundos de Inovação Eco Invest e dos demais instrumentos financeiros do programa.

O modelo permitirá o uso de dívida conversível, mecanismo que combina retorno financeiro com participação no crescimento das empresas investidas. As linhas de crédito seguirão o formato de leilões anteriores, com bancos oferecendo financiamento direto para empresas prontas para ampliar a produção.

O Eco Invest Brasil conta com apoio técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), incluindo um empréstimo de US$ 1 bilhão voltado à gestão de risco cambial e à ampliação de investimentos privados em setores estratégicos.

“O Eco Invest mostra como instrumentos financeiros inovadores podem mobilizar capital privado em escala para apoiar a inovação e a competitividade. O BID apoia essa iniciativa desde sua concepção e vê nesta experiência um modelo relevante para outros países da região e do mundo”, afirmou o presidente do BID, Ilan Goldfajn.

Durante o evento, o governo também apresentou os resultados do 4º Leilão do Eco Invest Brasil, voltado para bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura na Amazônia Legal. A rodada recebeu propostas de oito instituições financeiras e registrou demanda superior a R$ 7 bilhões em recursos catalíticos, com potencial de mobilizar mais de R$ 29 bilhões em investimentos.

Foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital catalítico, com participação de instituições como Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual e ABC Brasil. A expectativa é de viabilizar cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões em captação internacional.

O eixo de infraestrutura concentrou o maior volume de recursos, com mais de R$ 7,8 bilhões destinados à Amazônia Legal. Já a bioeconomia mobilizou R$ 4,4 bilhões em projetos ligados à bioindustrialização, sociobioeconomia e restauração produtiva.

Integrado ao Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica, o Eco Invest Brasil é coordenado pelo Ministério da Fazenda e pelo Tesouro Nacional. O programa busca atrair capital privado nacional e internacional para projetos com impacto econômico, social e ambiental, combinando inovação financeira, redução de riscos e estímulo a investimentos de longo prazo.

Foto: Washington Costa/MF

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/brasil-foi-um-dos-paises-menos-afetados-pela-guerra-no-oriente-medio-diz-durigan