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Brasil recebe líder da Asean e mira novo status junto ao Sudeste Asiático

Visita inédita de Kao Kim Horn ocorre em meio à ofensiva do Itamaraty para diversificar parcerias comerciais.

247 – A chegada do secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), Kao Kim Horn, a Brasília, prevista para 17 de agosto, marcará a primeira visita ao Brasil de um dirigente máximo do bloco. O movimento ocorre em meio à tentativa do Itamaraty de ampliar a presença brasileira na Ásia e reduzir a dependência de parceiros comerciais tradicionais.

As informações são da coluna de Marcelo Ninio, em O Globo. Antes da visita de Kao, o Brasil recebe no domingo (9) a chanceler das Filipinas, país que integra a Asean, em mais um gesto de aproximação diplomática com a região.

O Brasil busca elevar sua relação com a Asean de Parceiro de Diálogo Setorial para Parceiro de Diálogo, categoria mais ampla atualmente mantida pelo bloco com países como China, Japão e Estados Unidos. O status brasileiro atual foi formalizado em 2023, e o país é o único da América Latina nessa condição.

Outro diferencial é a presença permanente do Brasil em Jacarta, capital da Indonésia e sede da Asean. Entre os oito países classificados como parceiros setoriais, o Brasil é o único com representação fixa junto ao bloco.

A ofensiva diplomática ocorre em um contexto de atritos crescentes com os Estados Unidos, incluindo tensões comerciais e a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington. Diante desse cenário, o Itamaraty intensificou a busca por novos mercados e pela diversificação das relações econômicas.

Nos últimos três anos, o Brasil exportou para os cinco maiores mercados da Asean — Cingapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia — volume equivalente ao enviado aos cinco destinos tradicionais do G7: Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França. O dado reforça o peso econômico que o Sudeste Asiático passou a ter na estratégia comercial brasileira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi, no ano passado, o primeiro chefe de Estado brasileiro a participar de uma cúpula da Asean. À margem daquele encontro, realizado na Malásia, Lula reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A aproximação teve continuidade com a participação do chanceler Mauro Vieira, no mês passado, na reunião de ministros das Relações Exteriores da Asean, realizada nas Filipinas. A expectativa é que a visita de Kao Kim Horn a Brasília sinalize avanço na análise do pedido brasileiro para alcançar o novo status junto ao bloco.

Criada em 1967, a Asean reúne Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Mianmar, Laos, Camboja e Timor Leste. O bloco soma quase 700 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto superior a US$ 3,6 trilhões, patamar equivalente ao da quinta maior economia do mundo.

O interesse brasileiro acompanha uma tendência internacional. Estados Unidos, China e União Europeia também buscam reforçar laços com a Asean, diante do crescimento econômico da região e de seu papel crescente nas cadeias globais de comércio.

A diplomata Eugênia Barthelmess, ex-embaixadora do Brasil em Cingapura, resumiu essa mudança em artigo publicado no fim do ano passado, intitulado “O eixo Brasil-Asean”. Segundo ela, “em cenário de rápidas transformações geoeconômicas e de instabilidade geoestratégica global aguda, caracterizado pela imprevisibilidade da atuação política e comercial dos Estados Unidos em relação a parceiros tradicionais e aliados históricos — e em meio à aparente apatia das lideranças europeias —, e inegável o interesse para o Brasil na reafirmação da importância estratégica do Sudeste da Ásia”.

FOTO: Philippine government as ASEAN 2026 Host Media

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/brasil-recebe-lider-da-asean-e-mira-novo-status-junto-ao-sudeste-asiatico/