Desde 2023, com o retorno das políticas inclusivas, nós estamos vivendo um processo acelerado de reconstrução.
Os dados mais recentes do IBGE confirmam aquilo que nós, que defendemos a inclusão social e o papel transformador do Estado, já enxergamos no dia a dia da classe trabalhadora: o Brasil voltou a crescer para a maioria. Em 2023, a renda domiciliar per capita chegou a R$ 1.848, o maior patamar desde o início da série histórica em 1995, ao mesmo tempo em que o Índice de Gini recuou para 0,540, o menor nível em quase três décadas. Agora, nesta semana, recebemos informações ainda mais expressivas. Segundo o Ipea, com base nos dados atualizados do IBGE, o país atingiu em 2024 a maior renda domiciliar per capita de toda a série histórica, a menor taxa de pobreza dos últimos 30 anos e o menor índice de desigualdade de toda a história recente. A renda média cresceu 6,6% em apenas um ano, a pobreza caiu ao menor patamar desde o Plano Real e o Gini registrou seu nível mais baixo em quase três décadas. Esses números não surgem por acaso, eles são fruto direto da retomada das políticas públicas destruídas anteriormente e do compromisso renovado com quem mais precisa.
Quando olhamos para a trajetória do país, nós reconhecemos com nitidez os momentos em que o Brasil mais avançou. Foram justamente os dois governos do presidente Lula, entre 2003 e 2010, que promoveram as maiores reduções de desigualdade já registradas pelo Ipea e pelo Banco Mundial. A valorização real do salário mínimo, a criação massiva de empregos formais, a expansão inédita do crédito e a consolidação de programas de transferência de renda — especialmente o Bolsa Família — tiraram 36 milhões de pessoas da extrema pobreza. Naquele período, o Índice de Gini caiu de 0,581 para 0,544, e o consumo popular se tornou, pela primeira vez, um motor poderoso da economia. Nós assistimos à transformação concreta da vida das famílias brasileiras, não por milagre, mas por escolhas políticas firmadas em favor do povo.
Por isso mesmo, nós sabemos o peso do retrocesso vivido entre 2016 e 2022. A direita autoritária que assumiu o governo promoveu um desmonte planejado das políticas sociais, congelou investimentos por 20 anos com o Teto de Gastos, precarizou o trabalho e tratou direitos como privilégios. O Bolsa Família foi desmontado, a segurança alimentar ruiu e as políticas públicas voltadas às populações vulneráveis foram praticamente abandonadas. Segundo o IBGE e a Rede PENSSAN, a pobreza cresceu e a fome voltou a atingir mais de 33 milhões de pessoas em 2022. Foi um período devastador, em que nós vimos o Estado ser usado não para combater desigualdades, mas para proteger interesses históricos dos muito ricos.
É justamente por isso que a atual recuperação surpreende e emociona. Desde 2023, com o retorno das políticas inclusivas, nós estamos vivendo um processo acelerado de reconstrução. Os dados do IBGE mostram que o rendimento dos 40% mais pobres cresceu 13,5% em apenas um ano, mais que o dobro do aumento da renda dos 10% mais ricos, que registraram 6%. Essa inversão de tendência só ocorre quando o Estado atua de maneira ousada, coordenada e com foco no povo — quando há Bolsa Família forte, salário mínimo valorizado, obras públicas retomadas, serviços públicos fortalecidos, combate à fome e proteção do trabalho. O Brasil voltou a funcionar para quem vive do próprio esforço, e não apenas para quem vive de privilégios.
Nós percebemos, olhando para o conjunto da história recente, que há uma coerência inequívoca: quando o Brasil aposta em inclusão, reduz desigualdades; quando abandona as políticas sociais, a desigualdade explode. Não é coincidência que os dois momentos em que o país mais avançou na redução da pobreza — os governos Lula no passado e a reconstrução liderada agora — sejam exatamente aqueles que colocaram os mais pobres no centro da agenda e fortaleceram a capacidade de ação do Estado.
Se hoje celebramos a melhor renda, a menor pobreza e a menor desigualdade desde 1995, não devemos encarar esses resultados como um ponto final, mas como um chamado à responsabilidade coletiva. Nós sabemos que cada conquista social precisa ser defendida diariamente, porque sempre haverá setores da sociedade dispostos a desmontar o que beneficia a maioria. Os números mostram que o caminho para um Brasil mais justo não é mistério, basta fortalecer o Estado, valorizar políticas de transferência de renda, proteger o trabalho, investir em serviços públicos e enfrentar privilégios.
O Brasil já provou — duas vezes — que reduzir desigualdades é possível quando há um governo comprometido com a justiça social e com a dignidade humana. Agora, precisamos garantir que esse caminho não seja interrompido novamente. O país está se reconstruindo, e é nossa tarefa assegurar que essa reconstrução seja permanente e profunda. Porque quando um país escolhe a justiça social, ele funciona — e funciona para todos, todas e todes.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/brasil-tem-melhor-renda-menor-pobreza-e-desigualdade-desde-1995-ob9t13a4