Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Brasil vira segundo maior mercado de internet via satélite com disparada da Starlink

Gigante da baixa órbita só tem mais clientes nos EUA. O mesmo acontece com a concorrente Viasat, que também tem no Brasil segundo mercado global.

O avanço das constelações de satélites de órbita baixa (LEO), lideradas pela Starlink, da SpaceX, está mudando o mercado de internet via satélite e ampliando a oferta de conexão em diferentes regiões do mundo. Dados da Ookla, empresa responsável pelo Speedtest Intelligence, indicam que o Brasil está entre os principais mercados da empresa, ao lado de Estados Unidos, México, Indonésia e Canadá.

Segundo a medição baseada em testes de velocidade, o Brasil já soma cerca de 1 milhão de clientes da Starlink, tornando-se o segundo maior mercado da companhia. O crescimento acompanha a expansão global da rede, que alcançou 9,2 milhões de usuários e quase 10 mil satélites ativos desde o início das operações comerciais, há cerca de cinco anos. Desde 2019, a SpaceX lançou 10.790 satélites Starlink.

No terceiro trimestre de 2025, a Starlink concentrou 97,1% de todas as medições globais de internet via satélite registradas pelo Speedtest. A Viasat apareceu em segundo lugar, com 1,7%, e a HughesNet em terceiro, com 1%. Em mercados relevantes, incluindo o Brasil, as velocidades medianas de download e upload da Starlink apresentaram crescimento ao longo do tempo.

A expansão da empresa está associada ao ritmo de lançamentos da SpaceX. Em 2025, a companhia realizou 165 voos orbitais, dos quais 123 transportaram satélites Starlink. No mesmo período, a operadora ativou mais de 35 novos mercados e adicionou 4,6 milhões de clientes. O tráfego da rede Starlink cresceu 2,3 vezes em 2025, segundo a Cloudflare, enquanto a capacidade total da rede ultrapassou 600 Tbps.

O crescimento da Starlink ocorre em paralelo à perda de espaço das operadoras tradicionais de satélites geoestacionários (GEO), tecnologia dominante nas últimas décadas. Essas empresas, como Viasat e HughesNet, operam satélites posicionados a cerca de 35 mil quilômetros da Terra, o que resulta em maior latência. Já os satélites LEO orbitam entre aproximadamente 480 e 1.900 quilômetros de altitude, permitindo conexões mais rápidas.

O Brasil aparece também entre os principais mercados dessas operadoras tradicionais. No terceiro trimestre de 2025, o país figurou entre os cinco maiores mercados da HughesNet e da Viasat em volume de testes de velocidade. Mesmo assim, o desempenho dessas redes permanece inferior ao da Starlink, com velocidades de download cerca de três vezes menores na maioria dos grandes mercados e latência geralmente entre 600 e 800 milissegundos.

A expansão da Starlink tem provocado mudanças no setor. Operadoras GEO têm buscado fusões e novos contratos com governos, aviação e transporte marítimo. A SES informou atender cerca de 3 mil aeronaves, enquanto a Starlink declarou fornecer conexão para 1.400 aviões comerciais e 150 mil embarcações.

Além da competição entre empresas já estabelecidas, novos projetos de satélites LEO estão em desenvolvimento. A Amazon Leo, anteriormente chamada de Project Kuiper, testa serviços com cerca de 180 satélites e planeja ampliar a constelação. Na China, programas como Qianfan e Guowang preveem redes com milhares de satélites. No Canadá, a Telesat prepara a constelação Lightspeed para clientes corporativos.

Outra frente de expansão é o serviço direto para celulares, conhecido como direct-to-device. Empresas como AST SpaceMobile, Globalstar, Lynk e a própria Starlink investem nesse modelo, que pode gerar aumento de receita para operadoras móveis.

A Starlink planeja lançar, a partir de 2026, a nova geração de satélites V3, com capacidade de download até dez vezes maior e de upload até 24 vezes superior à geração anterior. A expansão depende do desenvolvimento do foguete reutilizável Starship, projetado para transportar cargas maiores ao espaço.

Com a ampliação da cobertura e da base de usuários em países como o Brasil, a internet via satélite de órbita baixa passa a disputar espaço não apenas em áreas remotas, mas também como alternativa às redes terrestres em diferentes mercados.

FONTE: https://convergenciadigital.com.br/internet/brasil-vira-segundo-maior-mercado-de-internet-via-satelite-com-disparada-da-starlink/