Proposta conecta sistemas instantâneos, moedas digitais e comércio em moedas locais.
247 – O BRICS avalia a criação de uma nova infraestrutura de pagamentos internacionais para diminuir a dependência de rotas financeiras baseadas no dólar e em sistemas ocidentais. De acordo com The Times of India, a proposta não trata da adoção de uma moeda comum entre os países do bloco. A ideia em discussão envolve uma rede capaz de conectar sistemas de pagamento rápido, moedas digitais de bancos centrais e operações comerciais em moedas locais.
A Índia entra nesse debate com uma das principais vantagens tecnológicas do bloco: a UPI, plataforma de pagamentos instantâneos do país. Em julho de 2026, o sistema processou 23,66 bilhões de transações, com movimentação aproximada de US$ 314 bilhões.
O ponto central das discussões é saber se a UPI pode integrar um corredor mais amplo de pagamentos do BRICS. A conexão entre sistemas nacionais poderia acelerar liquidações financeiras e facilitar operações de exportadores, viajantes, empresas e usuários de remessas internacionais.
A iniciativa também mira um objetivo estratégico do bloco: reduzir a exposição a mecanismos financeiros dependentes do dólar e da infraestrutura controlada por países ocidentais. Na prática, um sistema desse tipo poderia permitir que transações entre economias do BRICS ocorressem com mais uso de moedas locais.
A proposta ainda está em fase de discussão. Entre os obstáculos estão a definição de padrões técnicos, a segurança de dados, a conversão entre moedas e o grau de confiança política necessário para sustentar uma rede transfronteiriça de pagamentos.
O debate envolve diferentes frentes. Além da UPI, entram na análise as moedas digitais emitidas por bancos centrais, o projeto BRICS Pay e o papel do Novo Banco de Desenvolvimento, instituição criada pelo bloco.
A construção de uma alternativa de pagamentos também levanta uma questão interna ao BRICS. O bloco busca reduzir a dependência do dólar, mas precisa evitar que uma nova infraestrutura concentre poder em apenas um país, em especial a China.
Para a Índia, a possibilidade de integrar a UPI a uma rede internacional do BRICS pode ampliar o alcance de sua tecnologia financeira. Para o bloco, a proposta representa uma tentativa de criar caminhos próprios para comércio, liquidação e remessas em um cenário de disputa por autonomia financeira.
O projeto, ainda sem definição final, reúne ambições econômicas e desafios políticos. A viabilidade da proposta dependerá da capacidade dos países do BRICS de alinhar padrões, proteger dados, garantir conversão eficiente entre moedas e construir confiança entre sistemas financeiros distintos.
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FONTE: https://www.brasil247.com/brics/brics-discute-corredor-de-pagamentos-para-reduzir-dependencia-do-dolar/