O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, emitiu uma Nota Técnica direcionada à Casa Civil do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento formaliza o alerta para a alta probabilidade de retorno do fenômeno El Niño, com chances superiores a 80% de consolidação a partir do segundo semestre.
Modelos climáticos internacionais acenderam o sinal amarelo para a possibilidade de o fenômeno atingir forte intensidade, reacendendo as preocupações com um “Super El Niño” similar ao que assolou o país entre 2023 e 2024.
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O Cenário Climático Previsto
Embora os cientistas do Cemaden ressaltem a existência de uma “barreira de previsibilidade” típica desta época do ano quanto à intensidade exata, o monitoramento das águas do Oceano Pacífico equatorial indica um aquecimento progressivo. Caso as projeções mais severas se confirmem, o Brasil poderá enfrentar novamente um quadro de extremos climáticos polarizados:
Regiões Norte e Nordeste: Riscos severos de secas prolongadas, com potencial de afetar o nível dos rios amazônicos, o abastecimento de água e favorecer incêndios florestais no Centro-Oeste e na Amazônia.
Regiões Sul e Sudeste: Aumento substancial no volume de chuvas, gerando alertas máximos para enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra em áreas de encosta. O estado de Santa Catarina, por exemplo, já se antecipou ao relatório decretando um estado de alerta climático preventivo por 180 dias.
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Recomendações e Ações Sugeridas ao Governo Federal
O principal objetivo do Cemaden com o envio do documento à Casa Civil é provocar uma mobilização antecipada dos ministérios para mitigar danos humanos e econômicos, transformando a previsão em planos concretos de resiliência. As sugestões de ações articuladas envolvem:
1. Defesa Civil e Gestão de Desastres
Fortalecimento e articulação prévia com estados e municípios que possuem histórico de vulnerabilidade extrema (tanto para secas quanto para inundações). O foco sugerido é o mapeamento minucioso de áreas de risco e a garantia de repasses financeiros ágeis para ações preventivas de infraestrutura.
2. Infraestrutura e Setor Elétrico
O impacto térmico e a escassez hídrica no topo do mapa brasileiro exigem atenção na matriz energética. O governo precisará monitorar de perto os reservatórios das hidrelétricas para evitar repasses severos na conta de luz do consumidor final por meio do acionamento de usinas térmicas de contingência.
3. Abastecimento e Agricultura
A instabilidade climática ameaça diretamente o preço dos alimentos. Secas no Norte/Nordeste e excesso de chuva no Sul podem quebrar safras importantes. O órgão sugere políticas de apoio ao produtor rural e monitoramento logístico para assegurar o abastecimento de produtos básicos no mercado interno.
Nota do Órgão: O Cemaden reforça que o El Niño, por si só, não determina a ocorrência de um desastre específico, mas eleva drasticamente as probabilidades de eventos severos. O desastre real dependerá da capacidade do poder público de reduzir a exposição e a vulnerabilidade das populações dessas regiões afetadas antes do início do ciclo crítico.
Para entender melhor as análises técnicas e o debate sobre esses dados, você pode assistir ao [Painel com Climatologistas sobre o Alerta de El Niño](https://www.youtube.com/watch?v=zaHrOq3W-rc), que traz entrevistas detalhadas com especialistas do Cemaden a respeito dos impactos reais esperados para o país.
LEGENDA DA FOTO: 2026 está previsto para ser o pior El Niño desde 1877 — um ciclo climático que desencadeou fomes e escassez de alimentos, responsáveis por milhões de mortes.
FOTO: REDES SOCIAIS
FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas
( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )