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Chico Rubens Paiva : “A democracia precisa ser defendida todos os dias”

Pré-candidato do PSB-RJ, Chico Rubens Paiva diz que o avanço da extrema direita exige renovação política para proteger as instituições democráticas.

247 – O pré-candidato a deputado federal pelo PSB do Rio de Janeiro, Chico Rubens Paiva, afirmou que a defesa da democracia precisa voltar ao centro da vida política brasileira e defendeu a renovação de lideranças comprometidas com as instituições democráticas. Em entrevista ao Bom Dia 247, ele sustentou que o avanço da extrema direita no Brasil e no mundo tornou urgente a formação de uma nova geração de representantes políticos capazes de enfrentar ameaças autoritárias e preservar as conquistas democráticas.

Neto do ex-deputado federal Rubens Paiva, assassinado pela ditadura militar em 1971, e de Eunice Paiva, referência na luta pelos direitos humanos, Chico afirmou que sua decisão de disputar um mandato parlamentar está diretamente ligada ao cenário político inaugurado com a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e à percepção de que a democracia voltou a ser alvo de ataques.

“A democracia não é uma conquista que você coloca como um troféu na estante. Ela é uma luta constante. É uma escolha diária de milhões de pessoas para que continue existindo.”

Segundo ele, o retorno de discursos que exaltam a ditadura militar representou um ponto de inflexão em sua trajetória. Até então atuando na formulação de políticas públicas em governos, organismos internacionais e posteriormente na equipe do vice-presidente Geraldo Alckmin no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Chico decidiu ingressar diretamente na política partidária ao perceber que o país voltava a enfrentar riscos semelhantes aos vividos por gerações anteriores.

Para o pré-candidato, a eleição de Bolsonaro mostrou que a transição democrática brasileira permaneceu incompleta. Ele argumenta que a ausência de responsabilização dos agentes da ditadura permitiu que setores autoritários preservassem espaço político e voltassem a disputar o poder décadas depois.

“A gente cometeu um erro na transição para a democracia porque ela foi conduzida pelos próprios militares. Os responsáveis pelos crimes contra os direitos humanos não responderam por aquilo que fizeram. Se hoje existe um movimento político que reivindica abertamente esse legado, isso acontece porque essa etapa nunca foi plenamente concluída”, afirmou.

Na avaliação de Chico Rubens Paiva, a tentativa de golpe após as eleições de 2022 demonstra que as ameaças ao regime democrático deixaram de ser um risco abstrato para se tornar uma realidade concreta. Ele considera que a responsabilização dos envolvidos representa um marco institucional importante.

“Pela primeira vez os responsáveis por uma tentativa de golpe foram julgados, condenados e presos. Isso muda a história do Brasil.”

Para ele, impedir a repetição de rupturas institucionais exige que a defesa da democracia deixe de ser uma pauta exclusiva da esquerda e seja compreendida como um compromisso nacional.

“O que está em jogo não é apenas uma disputa entre projetos políticos. O que está em jogo é preservar as regras que permitem que qualquer projeto possa disputar eleições livremente.”

Ao comentar sua candidatura, Chico afirmou que pretende representar uma renovação política baseada na experiência acumulada na administração pública e no compromisso com valores democráticos. Ele defende que o campo progressista precisa iniciar desde já a construção de novas lideranças para o período posterior ao governo Lula.

Segundo ele, a esquerda brasileira organizou grande parte de sua estratégia política em torno da liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo das últimas décadas, mas precisa preparar novas referências capazes de manter esse projeto democrático vivo nas próximas gerações.

“Chegou a hora da minha geração assumir responsabilidades. Precisamos formar novos quadros que deem continuidade a essa luta.”

Outro ponto destacado pelo pré-candidato foi a situação política do Rio de Janeiro. Ele classificou o cenário institucional do estado como resultado de uma crise prolongada de representação e afirmou que pretende combater práticas que, segundo ele, afastaram o Parlamento das funções legislativas e fortaleceram mecanismos de troca política baseados na distribuição de recursos públicos.

Na sua avaliação, o Congresso Nacional também precisa recuperar seu papel de formulador de políticas públicas estruturantes, substituindo uma lógica voltada para interesses imediatos por debates sobre desenvolvimento nacional, democracia e planejamento de longo prazo.

Ao refletir sobre a história de sua própria família, Chico afirmou que pretende transformar essa memória em compromisso político voltado para o futuro, e não apenas em lembrança do passado.

“Meu avô deu a vida pela democracia. Minha avó dedicou o restante da vida à defesa dos direitos humanos. Eu entendo que agora é a minha geração que precisa assumir essa responsabilidade.”

Para ele, a principal lição deixada pela história brasileira é que a democracia não se preserva sozinha. Sua continuidade depende da disposição permanente da sociedade para defender as instituições, enfrentar projetos autoritários e renovar suas lideranças políticas.

Foto: Reprodução/Instagram

FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/chico-rubens-paiva-a-democracia-precisa-ser-defendida-todos-os-dias/