Crescimento expressivo das exportações e importações nos dois primeiros meses do ano reforça dinamismo da economia chinesa.
247 – O comércio exterior da China começou 2026 em ritmo acelerado, com crescimento de dois dígitos no valor total das trocas internacionais de bens. Entre janeiro e fevereiro, o comércio totalizou 7,73 trilhões de yuans (cerca de US$ 1,12 trilhão), avanço de 18,3% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Administração Geral de Alfândegas (GAC), informou a agência Xinhua.
Os números indicam forte expansão tanto nas exportações quanto nas importações. As vendas externas chinesas cresceram 19,2% na comparação anual, alcançando 4,62 trilhões de yuans, enquanto as importações avançaram 17,1%, chegando a 3,11 trilhões de yuans nos dois primeiros meses de 2026.
Entre os produtos exportados, os itens de alta tecnologia e os equipamentos eletromecânicos de maior valor agregado tiveram destaque. Esse segmento registrou aumento de 24,3% nas exportações em relação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando a crescente sofisticação da indústria manufatureira chinesa.
No campo das importações, o aumento do consumo interno — impulsionado pelo prolongamento do feriado do Ano Novo Lunar — contribuiu para ampliar a demanda por produtos estrangeiros. Nesse contexto, as compras externas de equipamentos eletromecânicos, minério de ferro e petróleo bruto também registraram crescimento de dois dígitos.
Comércio exterior mostra resiliência
O desempenho dos primeiros meses do ano reforça a trajetória de expansão do comércio exterior da China, que já havia registrado crescimento de 3,8% em 2025. Analistas apontam que diferentes regiões e órgãos governamentais chineses intensificaram esforços desde o início do ano para fortalecer as exportações e ampliar a presença do país em mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, empresas chinesas voltadas ao comércio exterior ampliaram iniciativas para conquistar novos pedidos e explorar oportunidades em mercados emergentes e tradicionais.
Para Huang Qunhui, pesquisador do Instituto de Economia da Academia Chinesa de Ciências Sociais, o resultado inicial de 2026 cria bases positivas para o restante do ano. Segundo ele, a modernização da indústria manufatureira e a expansão da demanda doméstica contribuem para impulsionar a qualidade e a diversificação do comércio internacional do país.
Durante coletiva de imprensa realizada na semana passada, paralelamente à quarta sessão do 14º Congresso Nacional do Povo, o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, afirmou que o comércio exterior chinês mantém em 2026 a dinâmica observada no ano anterior.
O ministro também alertou para desafios no cenário internacional. Segundo ele, o ambiente externo permanece “complexo e severo”, com pressões sobre a estabilidade do crescimento do comércio. Wang acrescentou: “Conflitos geopolíticos recentes têm impactado a ordem econômica internacional e as cadeias industriais e de suprimentos globais, tornando a situação ainda mais volátil e incerta.”
Parceiros comerciais diversificados
Os dados também mostram a diversificação dos parceiros comerciais da China. A Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) manteve-se como o maior parceiro comercial do país. O comércio entre a China e o bloco superou 1,24 trilhão de yuans nos dois primeiros meses de 2026, crescimento de 20,3% na comparação anual.
A União Europeia aparece em seguida, com trocas comerciais de 998,94 bilhões de yuans no mesmo período, aumento de 19,9% em relação ao ano anterior.
Já o comércio com a América Latina e a África apresentou expansão significativa, com altas de 19,7% e 34,2%, respectivamente. Em contraste, o intercâmbio comercial entre China e Estados Unidos totalizou 609,71 bilhões de yuans, registrando queda de 16,9% na comparação anual.
Outro destaque foi o crescimento do comércio com países participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota. As trocas com esses parceiros alcançaram 4,02 trilhões de yuans nos dois primeiros meses do ano, avanço de 20% em relação ao mesmo período de 2025.
Na mesma coletiva, Wang Wentao afirmou que o governo chinês pretende promover crescimento equilibrado do comércio exterior em 2026, mantendo a estabilidade das exportações e ampliando oportunidades no mercado doméstico.
O ministro indicou que o país deverá aumentar as importações de produtos agrícolas, bens de consumo premium, equipamentos avançados e componentes estratégicos. Além disso, destacou que a China pretende acelerar o desenvolvimento do comércio digital e do comércio verde, estimulando a exportação de produtos de inteligência artificial, equipamentos de energia limpa e outras tecnologias emergentes como novos motores de expansão do comércio exterior.
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FONTE: https://www.brasil247.com/xinhua/china-inicia-2026-com-salto-de-18-3-no-comercio-exterior