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Choque do petróleo em 2026: conflito no Golfo complica Fed, Copom e inflação

Escalada no Golfo pressiona preços de energia, ameaça a queda dos juros globais e cria novo risco inflacionário para o Brasil em 2026.

O preço do petróleo disparou nos últimos dias, com o Brent chegando próximo de US$ 120 por barril. Trata-se do maior movimento semanal desde a invasão da Ucrânia em 2022. Estamos falando de uma alta superior a 25% em poucos dias, um choque muito relevante para os mercados globais de energia.

Nos Estados Unidos, o impacto já aparece rapidamente nas bombas. O preço médio da gasolina, que estava próximo de US$ 3,30 por galão, já subiu para algo em torno de US$ 3,40 ou mais, um aumento superior a 10% em poucos dias. Esse tipo de choque energético tem um efeito inflacionário bastante claro e imediato nas economias.

Isso afeta diretamente as expectativas de política monetária. Nos Estados Unidos, esse movimento pode atrapalhar o ciclo de cortes de juros do Federal Reserve. No Brasil, também complica o cenário para o Copom, que se reúne novamente em março. Um choque de energia desse tamanho pressiona a inflação e tende a tornar mais cautelosa a trajetória dos juros.

A grande pergunta agora é a duração desse choque. Se for apenas um “spike” de uma ou duas semanas e o preço do petróleo voltar rapidamente a níveis mais baixos, o impacto macroeconômico será limitado. Mas, se o conflito persistir por meses, o cenário muda completamente.

Vale lembrar que a guerra da Ucrânia começou em 2022 e continua até hoje. Portanto, conflitos geopolíticos desse tipo podem se prolongar muito mais do que inicialmente se imagina. O confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã não é trivial: o Irã possui capacidade militar relevante, e a escalada pode durar semanas, meses ou até anos.

Um ponto central é o Estreito de Ormuz. Essa passagem marítima é responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás. Qualquer interrupção ali tem impacto imediato sobre os preços globais de energia.

Neste momento, o fluxo de navios na região foi drasticamente reduzido, o que representa uma das maiores interrupções de oferta das últimas décadas. Isso ajuda a explicar por que o mercado reagiu com tanta força.

Mesmo assim, parte do petróleo continua fluindo, especialmente em direção a países como China e Rússia, que mantêm relações energéticas com a região. O problema maior aparece para países ocidentais e também para grandes importadores asiáticos, como Japão e Coreia do Sul, que dependem fortemente do petróleo do Golfo.

Se os preços internacionais permanecerem elevados por muito tempo, empresas como a Petrobras eventualmente terão que repassar parte desse aumento para os preços domésticos de combustíveis. Isso geraria pressão adicional sobre a inflação brasileira.

Além disso, há também o canal financeiro. Em momentos de crise global, investidores tendem a correr para ativos considerados seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano. Esse movimento fortalece o dólar e pressiona moedas de países emergentes, como o real.

Portanto, o cenário fica mais complicado para o Brasil por dois canais: desvalorização cambial e aumento do preço da gasolina. Ambos pressionam o IPCA e dificultam a trajetória de queda dos juros.

Em resumo, trata-se de uma mudança relevante no cenário macroeconômico para o início de 2026. Esse choque geopolítico estava fora das expectativas do mercado e, provavelmente, também dos cenários do governo americano. Dependendo da duração do conflito, poderemos ver um impacto significativo na inflação global e também no Brasil.

FOTO: Freepik

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/choque-do-petroleo-em-2026-conflito-no-golfo-complica-fed-copom-e-inflacao