Departamento de Estado dos EUA informa que medida terá vigência a partir de 5 de junho.
247 – A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode produzir efeitos sobre setores do mercado financeiro e da economia brasileira. A medida foi anunciada na quinta-feira (28) e passa a valer na quinta-feira (5), segundo o Departamento de Estado dos EUA. As informações são do jornal O Globo.
Pela legislação estadunidense, pessoas e empresas que operam nos Estados Unidos podem ser alvo de sanções criminais caso realizem negócios, transferências financeiras ou prestem serviços a organizações classificadas como terroristas. O alcance da norma pode atingir, de forma indireta, empresas ou setores que mantenham relações com estruturas associadas às facções.
A preocupação ganhou força após investigações recentes da Polícia Federal, da Receita Federal e do MP-SP apontarem a presença do PCC em diferentes segmentos da economia. As apurações identificaram atuação do grupo em áreas como combustíveis, fintechs, fundos imobiliários e indústria petroquímica.
Especialistas consultados avaliam que não há expectativa de retirada imediata e generalizada de capital estrangeiro do país. No entanto, apontam a possibilidade de aumento da fiscalização regulatória, endurecimento das exigências de compliance e ampliação dos riscos jurídicos para empresas que mantêm relações com o sistema financeiro internacional.
Segundo o analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, a medida aumenta o grau de risco para bancos, seguradoras, meios de pagamento, fintechs e empresas inseridas em setores considerados mais vulneráveis à infiltração do crime organizado.
Em declaração, ele afirmou que a decisão “eleva a régua de risco” para instituições financeiras e empresas que operam em segmentos expostos à atuação das facções.
Possíveis efeitos econômicos
Entre os impactos citados por especialistas está a possibilidade de valorização do dólar diante do aumento da percepção de risco. Como a legislação estadunidense possui alcance amplo, empresas e indivíduos com vínculos ao sistema financeiro dos EUA podem enfrentar restrições caso sejam identificadas conexões, ainda que indiretas, com organizações classificadas como terroristas.
Dados do MP-SP citados indicam que o PCC está presente em 28 países distribuídos por quatro continentes e possui mais de 40 mil integrantes. Desse total, cerca de 2 mil estariam fora do Brasil. Segundo o órgão, aproximadamente 80% da receita da facção tem origem no tráfico internacional de drogas, embora operações recentes tenham apontado presença do grupo em atividades econômicas legais.
O especialista em investimentos Felipe Sant’Anna, da Axia Investing, avaliou que a medida pode gerar dois tipos de consequências: políticas e econômicas. No campo econômico, ele apontou a possibilidade de surgirem obstáculos para negócios de empresas brasileiras nos Estados Unidos e um aumento das exigências de auditoria e verificação prévia antes da realização de operações comerciais.
Sant’Anna também afirmou ao jornal que companhias eventualmente associadas a investigações envolvendo o crime organizado poderiam enfrentar bloqueio de ativos e interrupção de negócios. Segundo ele, empresas estadunidenses podem adotar uma postura mais cautelosa para evitar riscos de responsabilização.
Na avaliação do especialista, o receio de sanções futuras pode levar gestores de fundos e empresas a reduzirem exposição ao mercado brasileiro de forma preventiva.
Reflexos políticos e reputacionais
Além dos possíveis efeitos econômicos, parte dos agentes do mercado consultados pela reportagem apontou impactos políticos da decisão. Fontes do MP-SP destacaram possíveis consequências para a imagem do ambiente de negócios brasileiro.
A avaliação ocorre em meio a operações recentes que investigam a presença de organizações criminosas em setores da economia. Na quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, teve como alvo seis fintechs suspeitas de participação em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado.
Uma fonte do MP-SP ouvida pela reportagem afirmou que os impactos reputacionais são inevitáveis e podem gerar dificuldades para a agenda econômica e comercial do país. Segundo a avaliação, o aumento das sanções e da fiscalização tende a ampliar a preocupação de instituições financeiras e empresas, especialmente aquelas ligadas aos Estados Unidos, quanto à origem dos recursos e aos parceiros de negócios.
Foto: Reprodução / Divulgação / IA / Brasil 247
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/classificacao-de-pcc-e-cv-como-terroristas-pelos-eua-pode-impactar-setores-do-mercado-financeiro-e-produtivo-brasileiro