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Com a bonança da era Lula, trabalhadores perdem o medo de ficar sem emprego

Datafolha aponta que 71% não temem perder o emprego; retomada da confiança é essencial para o bom desempenho da economia.

247 – O mercado de trabalho brasileiro vive um momento de forte recuperação e confiança. Pesquisa Datafolha mostra que 71% dos trabalhadores afirmam não acreditar que correm risco de demissão ou de ficar sem trabalho, no melhor resultado registrado desde 2013. O levantamento foi divulgado pela Folha de S.Paulo e reflete o cenário de desemprego historicamente baixo observado atualmente no País.

Os números indicam uma mudança profunda na percepção dos brasileiros sobre estabilidade econômica e segurança profissional, em um momento em que a taxa de desocupação caiu para cerca de 6%, depois de ter alcançado quase 15% durante a pandemia de Covid-19. O índice atual se aproxima dos melhores momentos do mercado de trabalho registrados durante os governos do presidente Lula e no primeiro mandato de Dilma Rousseff, antes do golpe de Estado contra Dilma e da recessão econômica que atingiu o País nos anos seguintes.

Segundo a pesquisa, apenas 9% dos entrevistados dizem enxergar alguma possibilidade de perder o trabalho, enquanto 19% avaliam existir grande risco. O Datafolha ouviu 1.312 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros, entre os dias 12 e 13 de maio. Participaram trabalhadores formais e informais, além de autônomos e empresários que integram a População Economicamente Ativa (PEA).

O levantamento mostra que a confiança é ainda maior entre trabalhadores com mais de 60 anos, faixa em que 80% afirmam não temer a perda do emprego. Entre servidores públicos, o índice sobe para 84%. Já entre trabalhadores com renda de até dois salários mínimos, a percepção de segurança cai para 65%, revelando que a estabilidade ainda não alcança todos os setores de forma homogênea.

Os resultados recolocam o Brasil em um patamar semelhante ao observado entre 2007 e 2014, período marcado pela expansão do emprego, crescimento da renda e fortalecimento do mercado interno. O recorde histórico do Datafolha ocorreu em março de 2013, quando 75% dos trabalhadores afirmavam não ver risco de ficar sem emprego.

Na comparação com 2019, durante o governo Jair Bolsonaro, a diferença é significativa. Naquele momento, apenas 58% dos trabalhadores afirmavam não temer a perda do emprego, enquanto a taxa de desemprego era de 11,9%.

Trabalhadores estão mais confiantes

A pesquisa também mediu o impacto emocional da situação econômica sobre os trabalhadores. Para 58% dos entrevistados, a possibilidade de ficar sem trabalho não desperta medo. Outros 21% afirmaram que essa é a maior preocupação de suas vidas, enquanto 20% disseram que o tema está entre seus principais receios.

O sentimento de tranquilidade é mais elevado entre pessoas com maior escolaridade, idosos e trabalhadores de renda mais alta. Entre aqueles que recebem mais de dez salários mínimos, 75% afirmam não ter medo do desemprego. Já entre os mais jovens, menos escolarizados e trabalhadores de baixa renda, os índices de insegurança seguem mais elevados.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o atual cenário de baixo desemprego tem impacto direto na economia brasileira. Dados do Dieese mostram que 91% das negociações salariais realizadas no primeiro trimestre de 2026 garantiram reajustes acima da inflação, com ganho real médio de 1,89%.

O economista Fernando Lima, supervisor técnico do Dieese em São Paulo, afirmou que momentos como o atual são raros no mercado de trabalho brasileiro. Segundo ele, a percepção de maior segurança ajuda a explicar o crescimento dos rendimentos e melhora a capacidade de negociação dos trabalhadores.

A professora da PUC-Rio Renata Narita avalia que o ambiente de baixo desemprego explica tanto os resultados atuais quanto aqueles registrados entre 2007 e 2014. Ela destaca ainda o impacto da chamada “economia gig”, formada por trabalhadores de aplicativos e serviços digitais. Segundo a economista, muitos desses profissionais não têm medo de perder o trabalho porque as barreiras de entrada são pequenas e existe facilidade para encontrar novas ocupações.

Já a professora da USP Bruna Mirelle Silva Alvarez afirma que os trabalhadores mais velhos tendem a demonstrar maior confiança porque ocupam posições mais estáveis e, muitas vezes, combinam a renda do trabalho com aposentadorias ou expectativas de aposentadoria próxima.

A melhora da percepção sobre o emprego também tem efeitos importantes sobre o consumo e o desempenho da economia. Segundo Bruna Alvarez, quando as famílias têm menos medo de perder renda, passam a consumir mais, reduzindo a necessidade de poupança preventiva. Isso favorece setores como comércio, serviços, turismo, financiamentos e consumo de bens duráveis.

Apesar do cenário positivo, a pesquisa revela que dificuldades financeiras ainda persistem para grande parte da população. Outro levantamento recente do Datafolha mostrou que quase metade dos brasileiros buscou alguma renda extra nos últimos meses, especialmente entre trabalhadores de baixa renda. Além disso, cerca de 60% afirmam enfrentar algum grau de dificuldade para pagar todas as contas.

Mesmo assim, o avanço da confiança no emprego representa um dos sinais mais importantes da recuperação econômica brasileira. Em um País marcado historicamente pela insegurança trabalhista e pela instabilidade da renda, a percepção de estabilidade ajuda a fortalecer o mercado interno, impulsionar o consumo e sustentar o crescimento econômico.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/com-a-bonanca-da-era-lula-trabalhadores-perdem-o-medo-de-ficar-sem-emprego