O real tem se apreciado para níveis entre R$ 5,10 e R$ 5,15, acompanhando o movimento das demais moedas emergentes.
Foi divulgado nesta manhã o Relatório Focus, e os números reforçam um cenário de melhora nas expectativas macroeconômicas. A projeção de inflação para este ano recuou para 3,91%, enquanto a estimativa para o próximo ano caiu para 3,80%. Trata-se de uma trajetória consistente de desinflação, que consolida o processo de ancoragem das expectativas.
No câmbio, as projeções também indicam apreciação do real. A estimativa para o dólar ao fim deste ano foi revisada para R$ 5,45, e para o próximo ano, R$ 5,50. Já as expectativas de crescimento permanecem relativamente estáveis, próximas de 2%, sinalizando continuidade da atividade econômica em ritmo moderado.
O grande destaque, contudo, é o movimento global de enfraquecimento do dólar. Na última sexta-feira, a moeda norte-americana atingiu mínimas relevantes tanto frente às moedas emergentes quanto em relação às divisas do G10. Estamos falando de níveis que não eram observados desde 2022 — e, numa janela mais longa, desconsiderando o movimento atípico da pandemia, trata-se praticamente da mínima da década.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, chegou a superar 110 pontos, atingindo quase 112 no auge da valorização. Agora, recuou para a casa de 97 pontos — uma desvalorização próxima de 15%. É um movimento expressivo de correção após um período prolongado de apreciação.
Esse enfraquecimento global do dólar tem múltiplas explicações. Entre elas, a reversão de expectativas em relação à política comercial americana, especialmente após derrotas jurídicas do governo Trump na Suprema Corte envolvendo tarifas. Também houve um desmonte das posições que apostavam na chamada “supervalorização estrutural” do dólar.
Para o Brasil, esse cenário é particularmente favorável. O real tem se apreciado para níveis entre R$ 5,10 e R$ 5,15, acompanhando o movimento das demais moedas emergentes. A valorização cambial exerce impacto direto sobre a inflação, especialmente via bens comercializáveis (tradables), reduzindo preços de importados e insumos industriais.
Esse efeito já começa a aparecer nos índices recentes, com moderação nos preços de bens e maior conforto para a política monetária. A apreciação cambial funciona como um canal importante de descompressão inflacionária.
Nos ativos domésticos, o cenário também é construtivo: a bolsa permanece próxima dos 190 mil pontos, os juros longos vêm recuando e há um ambiente mais favorável para ativos de risco brasileiros. O chamado “kit Brasil” segue em tendência positiva no curto prazo.
Naturalmente, é preciso cautela. Trata-se de um ano eleitoral, historicamente marcado por aumento de volatilidade. Ainda há muitas incertezas no cenário político e fiscal que podem alterar a trajetória do câmbio ao longo do segundo semestre.
Por ora, contudo, o quadro é benigno: dólar globalmente enfraquecido, real apreciado, inflação em queda, juros longos recuando e mercado acionário resiliente. Um ambiente macroeconômico mais favorável para o Brasil neste início de ano.
FOTO: Jorge Araujo/ Fotos Públicas
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/com-o-dolar-na-minima-da-decada-no-mundo-brasil-ganha-alivio-inflacionario