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Com o fim precoce da candidatura de Flávio Bolsonaro, Centrão articula chapa Tereza-Michelle

Plano da centro-direita prevê aliança entre o agronegócio e o setor evangélico após Flávio Bolsonaro se tornar um “zumbi político” com o escândalo Vorcaro.

247 – O vazamento de mensagens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro provocou uma forte crise no campo bolsonarista e acelerou movimentações do Centrão e do mercado financeiro em busca de uma nova alternativa eleitoral para enfrentar o presidente Lula em 2026. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, lideranças políticas e agentes do mercado passaram a discutir, nas últimas horas, a formação de uma chapa composta pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) na cabeça e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice.

Nos bastidores, a avaliação predominante entre dirigentes do Centrão e setores empresariais é de que Flávio Bolsonaro sofreu um desgaste político irreversível após a revelação das conversas com Vorcaro. Entre interlocutores do bloco, o senador já é tratado como um “zumbi político”, incapaz de reunir condições para enfrentar Lula em uma eleição presidencial.

A nova articulação busca unir dois dos principais pilares da direita brasileira: o agronegócio, representado por Tereza Cristina, e o eleitorado evangélico identificado com Michelle Bolsonaro. A leitura de dirigentes partidários é de que essa combinação teria maior potencial de competitividade eleitoral do que os nomes atualmente colocados no campo conservador.

Segundo a reportagem do Metrópoles, políticos do Centrão e representantes do mercado já procuraram o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, para discutir a viabilidade da chapa. O dirigente, entretanto, evitou aderir imediatamente à proposta.

Ciro também enfrenta turbulências políticas após ter sido alvo de operação de busca e apreensão relacionada ao chamado Caso Master. Ele é suspeito de receber pagamentos mensais de Daniel Vorcaro que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

A crise envolvendo Flávio Bolsonaro alterou profundamente os cálculos da direita tradicional. Entre lideranças do Centrão, consolidou-se a percepção de que as mensagens reveladas reduziram drasticamente as chances de o senador derrotar o presidente Lula, que deverá disputar a reeleição.

Ao mesmo tempo, setores do bloco resistem às alternativas representadas pelos governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). A avaliação é de que ambos teriam baixa capacidade de mobilização nacional e dificuldades para construir uma candidatura competitiva contra Lula.

Antes da crise, Tereza Cristina era apontada como possível vice de Flávio Bolsonaro. A senadora, contudo, sempre demonstrou resistência à ideia de ocupar posição secundária em uma chapa presidencial. Com o enfraquecimento do senador, seu nome passou a ganhar força como cabeça de chapa.

Michelle Bolsonaro também vinha demonstrando insatisfação com a escolha de Flávio como herdeiro político do bolsonarismo. A ex-primeira-dama preferia integrar uma eventual candidatura liderada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Após a divulgação das mensagens entre Flávio e Vorcaro, o nome de Michelle chegou a ser defendido por setores da direita como possível candidata à Presidência da República. O senador, porém, reagiu rapidamente para conter a movimentação.

Ao Metrópoles, Flávio afirmou que Jair Bolsonaro determinou que ele deve “seguir firme” na disputa política, numa tentativa de conter o avanço das articulações que já começam a redesenhar o cenário da direita para 2026.

Foto: Carlos Moura (Senado) / Redes sociais

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/com-o-fim-precoce-da-candidatura-de-flavio-bolsonaro-centrao-articula-chapa-tereza-michelle