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Commodities em janeiro: metais disparam, agro e energia aliviam o cenário inflacionário

Em janeiro, o IC-Br medido em reais registrou alta de 1,95% em relação a dezembro.

O Banco Central divulga mensalmente o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), um indicador que mede a evolução dos preços das principais commodities relevantes para a inflação doméstica, tanto em reais quanto em dólares. Trata-se de um indicador especialmente útil para acompanhar a dinâmica inflacionária, já que, no fim do dia, altas ou quedas nos preços das commodities tendem a se traduzir em pressões ou alívios sobre os preços ao consumidor.

Em janeiro, o IC-Br medido em reais registrou alta de 1,95% em relação a dezembro, mas esse movimento foi inteiramente puxado pelas commodities metálicas, que subiram 14,65% no mês. Esse desempenho está associado ao rali observado em ativos como ouro e prata, em um contexto de busca por alternativas ao dólar e maior incerteza financeira global. O ouro chegou a patamares historicamente elevados — próximo de cinco mil dólares a onça — e a prata também apresentou forte valorização, embora parte desse movimento tenha começado a ser revertida no fim do mês, com quedas expressivas na última sexta-feira, superiores a 10% em alguns casos.

Esse comportamento exige cautela. O ouro foi, sem dúvida, um dos melhores ativos da última década e segue sendo uma alternativa relevante como reserva de valor. Já a prata levanta mais dúvidas, e os criptoativos, em especial o Bitcoin, apresentam um quadro ainda mais frágil. O Bitcoin recuou para a casa dos 67 mil dólares, acumulando perdas importantes desde a eleição de Donald Trump, em meio a preocupações com uma possível postura mais rigorosa da política monetária americana — não necessariamente via alta de juros, mas por meio da redução do balanço do Federal Reserve. Esse ajuste atingiu não apenas o Bitcoin, mas praticamente todo o mercado de criptoativos, resultando em uma destruição de valor significativa.

É importante notar que o IC-Br de janeiro ainda captura o rali de ouro e prata ocorrido ao longo do mês, algo que provavelmente não se repetirá em fevereiro, quando a tendência já aponta para correções. Em contraste, o comportamento das commodities energéticas e agropecuárias trouxe uma notícia bastante positiva. Em reais, as commodities energéticas recuaram 4,02%, enquanto as agropecuárias caíram 0,79% no mês.

Esse movimento foi reforçado pela forte apreciação do real em janeiro, que reduziu os preços das commodities em moeda local e atenuou o impacto da alta dos metais preciosos. Vale lembrar que o IC-Br é fortemente concentrado em commodities agropecuárias — como milho, trigo, soja e café — que representam cerca de 67% do índice. Assim, a queda desses preços contribui diretamente para o alívio da inflação de alimentos. As commodities energéticas respondem por aproximadamente 17% do índice, enquanto os metais têm peso próximo de 16%.

Quando observado em dólares, o IC-Br subiu 4,10% em janeiro, indicando que a queda relativa em reais se deveu, sobretudo, à valorização do câmbio. Em dólares, as commodities metálicas avançaram 17,18%, as agropecuárias subiram 1,28%, enquanto as energéticas recuaram 1,99%, com destaque para a queda do petróleo.

No acumulado de 12 meses, o IC-Br em reais apresenta queda de 8,77%, um fator que foi crucial para o controle da inflação ao longo do último ano. As commodities energéticas caíram cerca de 23%, e as agropecuárias, quase 17%, refletindo sobretudo condições do mercado internacional, clima e questões de oferta global — e não uma ação direta da política monetária doméstica. As commodities metálicas, por outro lado, ainda acumulam alta de cerca de 42% em 12 meses, puxadas principalmente por ouro e prata.

Olhando à frente, há sinais de possível exagero ou formação de bolha em alguns desses ativos, especialmente no mercado de criptoativos e, em menor grau, na prata. O ouro segue como uma classe de ativo defensiva relevante, mas o comportamento futuro das commodities agropecuárias e energéticas será determinante para avaliar se esse vetor continuará ajudando — ou não — os bancos centrais no combate à inflação ao longo de 2026.

FOTO: Pixabay

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/commodities-em-janeiro-metais-disparam-agro-e-energia-aliviam-o-cenario-inflacionario