Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 17 anos lutando pelos jornalistas (1)

Como a luta de classes se manifesta no Brasil de hoje?

No Brasil de hoje, a luta de classes não se manifesta como uma guerra aberta com barricadas nas ruas, mas sim de forma estrutural, cotidiana e institucional. Ela se expressa na disparidade de direitos, no acesso a serviços básicos, na organização do mercado de trabalho e nas disputas políticas.
As principais formas de manifestação da luta de classes no cenário brasileiro atual são:

💼 1. Precarização do Trabalho (Uberização)

A linha divisória entre quem detém o capital e quem vende a força de trabalho mudou de formato. Com a reforma trabalhista e o crescimento das plataformas digitais (aplicativos de entrega e transporte), surgiu uma massa de trabalhadores informais.
* A manifestação: A disputa se dá pela ausência de direitos trabalhistas (férias, décimo terceiro, previdência). Enquanto grandes empresas de tecnologia concentram os lucros gerados pelos algoritmos, os entregadores e motoristas arcam sozinhos com os custos de combustível, manutenção e riscos de acidentes, gerando greves e paralisações da categoria (os chamados “Breques dos Apps”).

🧬 2. Interseccionalidade: Classe, Raça e Gênero

No Brasil, é impossível separar a divisão de classes da herança da escravidão. A pirâmide social brasileira tem cor e gênero muito bem definidos.
* A manifestação: A elite econômica e os cargos de alta liderança corporativa continuam sendo majoritariamente ocupados por homens brancos. Por outro lado, a base da pirâmide — que sofre com o subemprego, os menores salários e o trabalho doméstico sem carteira assinada — é composta predominantemente por mulheres negras. A luta de classes aqui se confunde diretamente com a luta antirracista e feminista.

🏥 3. Privatização vs. Serviços Públicos (A Luta pelo Orçamento)

Há uma disputa constante sobre para onde deve ir o dinheiro dos impostos pagos pela população.
* A manifestação: A classe trabalhadora depende exclusivamente dos serviços públicos para sobreviver, como o SUS (saúde), escolas e universidades públicas, e o transporte coletivo. A elite e a classe média alta utilizam serviços privados (planos de saúde, escolas particulares) e frequentemente pressionam politicamente por tetos de gastos que congelam os investimentos públicos ou pela privatização de estatais, o que encarece o custo de vida dos mais pobres.

🏙️ 4. Segregação Urbana e Periferização

O espaço das grandes cidades brasileiras é um reflexo geográfico da luta de classes.
* A manifestação: As populações periféricas e de favelas enfrentam a falta de saneamento básico, transporte precário (longas horas de deslocamento até o trabalho) e a violência da segurança pública. Enquanto isso, os bairros nobres concentram a infraestrutura, a segurança privada e o lazer. A luta pela moradia digna, liderada por movimentos como o MTST, é uma das faces mais visíveis desse conflito.

🏛️ 5. Guerra Fiscal e Concentração de Renda

O sistema tributário brasileiro é “regressivo”, o que significa que, proporcionalmente, quem ganha menos paga mais impostos do que quem ganha muito.
* A manifestação: No Brasil, os impostos incidem pesadamente sobre o consumo (arroz, feijão, luz, gás), pesando muito no bolso de quem é pobre. Em contrapartida, há uma isenção ou taxação muito baixa sobre lucros, dividendos, grandes fortunas e heranças. A disputa no Congresso Nacional sobre reformas tributárias é o palco político onde a elite econômica defende seus privilégios contra a desoneração da classe trabalhadora.

IMAGEM: CHATGPT

FONTE: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas

( Reprodução autorizada mediante citação da fonte: Agência de Notícias ABJ – Associação Brasileira dos Jornalistas )