Cenário internacional pressiona custos e favorece aumento da mistura de etanol e biodiesel na matriz energética brasileira.
247 – A intensificação das tensões geopolíticas internacionais tem provocado efeitos diretos sobre o agronegócio brasileiro, elevando custos e pressionando cadeias produtivas. Ao mesmo tempo, esse cenário abre espaço para acelerar a ampliação da mistura de biocombustíveis na matriz energética nacional, especialmente etanol e biodiesel.
A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira (8), durante um seminário do setor agropecuário em São Paulo, onde especialistas defenderam a elevação do teor de etanol anidro na gasolina, atualmente em 30%, para patamares entre 32% e 35%. No caso do biodiesel, a proposta em debate prevê o avanço da mistura de B15 para B17 no diesel.
De acordo com a análise técnica apresentada, o Brasil possui capacidade produtiva suficiente para sustentar esse aumento sem comprometer o abastecimento. “Tecnicamente isso é viável, temos oferta de produto, por que não fazer?”, afirmou o economista responsável pela avaliação. “Eu acho que não tem razão nenhuma para não fazermos isso.”
A ampliação da participação dos biocombustíveis teria efeitos imediatos na redução da dependência de combustíveis fósseis, além de contribuir para mitigar a volatilidade dos preços internacionais. A estratégia também reforçaria os compromissos ambientais do País, ao ampliar o uso de fontes renováveis e reduzir emissões.
O cenário atual é comparado por especialistas ao choque do petróleo da década de 1970, que impulsionou a criação do Proálcool e consolidou o setor sucroenergético. “Talvez agora esse momento seja um novo impulsionador para a gente robustecer ainda mais os nossos programas”, destacou.
Os impactos da crise internacional já são percebidos no campo. A alta do petróleo tem pressionado os custos dos fertilizantes, com elevação entre 15% e 20%, além de encarecer combustíveis e, em algumas regiões, provocar dificuldades de abastecimento. Em um horizonte de uma safra, a tendência é de redução da oferta de produtos, aumento de preços e maior dificuldade de acesso a alimentos por parte da população.
Apesar das pressões externas, o Brasil mantém uma posição estratégica no setor energético. O etanol, produzido em apenas 1,5% do território nacional, já responde pela substituição de cerca de 40% dos combustíveis líquidos consumidos no País. Esse fator reduz a vulnerabilidade a choques internacionais no mercado de petróleo. “O etanol não passa por aqui”, afirmou o especialista, retomando uma expressão que voltou a ganhar relevância no contexto atual.
Além disso, o País já conta com instrumentos legais e programas voltados à ampliação do uso de biocombustíveis em diferentes modais, incluindo transporte pesado, navegação e aviação. Iniciativas como o programa Mover e a Lei do Combustível do Futuro são apontadas como bases para acelerar essa transição.
Diante desse cenário, especialistas defendem que o momento é propício para avançar na agenda energética e consolidar o protagonismo brasileiro no setor de biocombustíveis. “Nos parece a hora de acelerar, aproveitar esse momento”, concluiu.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/negocios/crise-geopolitica-impulsiona-avanco-do-etanol-e-biodiesel-no-brasil-diz-faesp