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Defesa nacional em risco: o alerta de Paulo Nogueira Batista Júnior

“O Brasil é um manancial de recursos estratégicos naturais: minerais críticos, terras raras, urânio, petróleo, minério de ferro, água, biodiversidade e matriz energética”, diz ele.

247 – O Brasil encontra-se diante de uma encruzilhada histórica em que a soberania e a integridade de seus recursos estratégicos deixaram de ser abstrações diplomáticas para se tornarem um imperativo existencial. Em análise contundente durante a edição deste sábado (15) do programa Forças do Brasil, transmitido pela TV 247 e conduzido pelo jornalista Mário Vitor Santos, o economista e ex-diretor executivo no FMI e vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Paulo Nogueira Batista Jr., traçou um diagnóstico alarmante sobre a vulnerabilidade militar e geopolítica brasileira frente às movimentações recentes dos Estados Unidos na América Latina.

Segundo Nogueira Batista, o endurecimento das posturas de Washington reflete um momento singular da história contemporânea: o inconformismo de uma superpotência com seu próprio declínio relativo. Incapazes de sustentar a hegemonia global pela via da pura competição econômica e comercial — terreno no qual a China avança com vigor em todo o Sul Global —, os Estados Unidos passam a recorrer a instrumentos coercitivos, diplomacia de força e pressões explícitas sobre o Hemisfério Ocidental.

A Lição Regional e a Cobiça Estratégica

Ao examinar o cenário sul-americano, o economista enfatizou que a perda de respeito pela soberania dos países da região atingiu níveis alarmantes. Para ele, o recente cerco à Venezuela e o controle sobre seus fluxos de petróleo representam um precedente perigoso de tutela e desestabilização direta que não pode ser ignorado por Brasília.

“O Brasil é um manancial de recursos estratégicos naturais: minerais críticos, terras raras, urânio, petróleo, minério de ferro, água, biodiversidade e matriz energética. Em um mundo onde esses recursos se tornam crescentemente escassos, a cobiça sobre o território brasileiro será inevitável. Quem não se prepara para a defesa não vive em paz.”

O problema, alertou o economista, não se restringe a conjunturas imediatas ou personalismos em Washington, mas reflete uma dinâmica estrutural para as próximas décadas. Sem capacidade de impor custos a eventuais agressores, o país fica exposto a chantagens que visam subordinar suas decisões de desenvolvimento, comércio e infraestrutura às diretrizes de potências externas.

O Imperativo da Dissuasão e a Guerra Moderna

Para Paulo Nogueira Batista Jr., o Brasil precisa superar a falsa sensação de segurança herdada de um longo período sem conflitos interestaduais em suas fronteiras. A arquitetura de segurança moderna exige a construção urgente de um poder de dissuasão realista e autônomo.

  • Foco em tecnologia assimétrica: Aprender com conflitos recentes, nos quais potências médias e forças defensivas conseguem neutralizar ativos militares de altíssimo custo por meio de drones, mísseis e sistemas autônomos de baixo custo relativo.
  • Produção em solo nacional: Superar a dependência externa na cadeia de suprimentos bélicos, viabilizando capacidade fabril nacional de vetores de defesa e propulsão.
  • Reformulação doutrinária: Romper com a mimetização de conceitos e estratégias formuladas pelas potências do Norte, formando quadros orientados estritamente à defesa dos interesses e das fronteiras nacionais.
  • Parcerias diversificadas e pragmáticas: Estabelecer cooperação tecnológica com múltiplos atores globais — incluindo nações do Sul Global e potências alternativas —, sem aceitar vetos externos sobre com quem o Brasil deve cooperar.

A Soberania no Centro da Disputa Política

Nogueira Batista ressaltou que a agenda da defesa nacional está intrinsecamente ligada ao projeto de desenvolvimento e às opções eleitorais do país. Uma postura diplomática e de defesa subserviente, disposta a alinhar automaticamente o Brasil aos interesses estratégicos norte-americanos, equivale a abrir mão da soberania sobre as riquezas naturais e a autonomia industrial.

O economista concluiu que preservar a capacidade soberana de decidir sobre investimentos, infraestrutura e parcerias comerciais — negociando em pé de igualdade com China, Estados Unidos, Europa e o Sul Global — depende, em última instância, de o Brasil se reconhecer como nação de grande porte e assumir a responsabilidade de sua própria segurança militar e territorial.

FOTO:  Brasil247 – Dall-E

FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/defesa-nacional-em-risco-o-alerta-de-paulo-nogueira-batista-junior/