Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 17 anos lutando pelos jornalistas (1)

Diante de impasse, Senado deve votar PEC da Segurança na semana que vem

Governo quer tratar de maioridade penal em PEC à parte e oposição bolsonarista busca impor desgaste eleitoral.

247 – O Senado Federal deve votar na próxima semana a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública a pedido do presidente Lula (PT), que pretende usar a aprovação para criar o Ministério da Segurança Pública às vésperas do segundo turno, mas ainda discute como será tratado o tema da redução da maioridade penal, informa a Folha de São Paulo.

O governo passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em caso de crimes hediondos, em uma mudança histórica de posição do PT, mas quer adiar a discussão sobre esse tema para uma PEC à parte, para que o assunto seja tratado com mais debate e cautela após as eleições. Já a oposição quer o debate conjunto, para desgastar a esquerda e impulsionar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha.

Lula defendeu nesta quinta-feira (15), em sabatina no Jornal Nacional, na TV Globo, a redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos para crimes hediondos. A inflexão na posição que o PT costuma ter sobre esse assunto ocorreu em meio à cobrança da população por medidas mais duras no combate à criminalidade e críticas à falta de atuação do governo.

“Meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, é que [para] todo e qualquer crime hediondo, eu sou a favor de reduzir a maioridade”, disse o presidente. “Agora qual era o problema? Era que a PEC não estava discutindo isso”, afirmou.

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT), que é responsável pela negociação do governo com o Congresso, afirmou nesta sexta-feira (16) que a intenção é aprovar a PEC na próxima semana, mas sem tratar da maioridade penal, que não tem consenso na bancada do PT.

“Não tem problema em discutir [a redução da maioridade penal]. Tem divergência, só que ela não pode vir embutida numa PEC da Segurança que não tratou do tema. Ela tem que ir numa PEC paralela como a que está tramitando na Câmara”, disse, ao participar da promulgação da Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 de trabalho.

A posição de outros partidos da base governista, como o MDB, também é tratar da maioridade penal numa proposta à parte, para que seja melhor debatida. O entendimento é de que o texto terá consequências sérias para a sociedade e que a alteração precisa ser bastante analisada para que o texto saia sem erros jurídicos.

O objetivo central da PEC é aumentar a integração e a coordenação entre União, estados, Distrito Federal e municípios no combate à criminalidade, dando ao governo federal um papel mais estruturado na formulação da política nacional de segurança. Lula prometeu, assim que a proposta for promulgada, criar um ministério específico para o tema.

O Senado tentou votar a PEC da Segurança na quinta-feira (15), mas o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) adiou o debate por divergências em relação à maioridade penal. Após a sessão, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), se reuniu com ele para negociar a votação na próxima semana.

A oposição segue com a estratégia de desgastar a imagem de Lula e do PT ao propor que a PEC seja aprovada com uma emenda para redução da maioridade penal.

Líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) protocolou emenda para reduzir a maioridade penal de 18 anos para 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo, organização criminosa, associação criminosa e outros estabelecidos na lei. Nos demais casos, a idade seria de 16 anos.

O governo tenta convencer a oposição a deixar a questão da maioridade penal para uma PEC à parte, como ocorreu durante a votação na Câmara, mas os oposicionistas até agora não indicaram a possibilidade de retirar a emenda.

Com a divergência, parte da oposição aposta que isso pode adiar a votação da PEC da Segurança Pública para depois das eleições e tirar um trunfo de Lula. Já um senador da base do governo avalia que é possível, se necessário, aprovar a PEC, rejeitando a emenda bolsonarista com o discurso de que isso será tratado após o segundo turno.

FOTO: Edilson Rodrigues/Agência Senado

FONTE: https://www.brasil247.com/brasilia/diante-de-impasse-senado-deve-votar-pec-da-seguranca-na-semana-que-vem/