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Diploma: uma proposta de formação jornalística

É fato que ao longo da criação do ensino de Jornalismo a formação profissional vem caindo a níveis culturais e críticos abaixo da crítica.

Volta à pauta o assunto do fim da exigência do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Há 17 anos, 2009, o pleno do Supremo Tribunal Federal acompanhou o relator Gilmar Mendes contrário à obrigatoriedade com argumento de cercear a liberdade de expressão. Foram 8 votos a favor, contra 1 único dado pelo então ministro Marco Aurélio Mello.

Por certo faltou entendimento ou compreensão da sutil diferença entre Comunicação e Jornalismo. Comunicadores somos todas e todos nós desde que o mundo é mundo. Aliás, “quem não se comunica, se trumbica”, máxima-síntese cunhada pelo comunicador Abelardo Barbosa, o Chacrinha, que durante 25 anos comandou o programa de auditório Discoteca do Chacrinha em emissoras de televisão.

Esta semana, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação, Intercom, lançou nota oficial em defesa da volta do diploma, corroborando o pronunciamento dos ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do STF, favoráveis ao restabelecimento do certificado profissional

O Jornalismo está entre as diferentes formas de comunicação com especificidade  própria, e são as especificidades que produzem as diferenças de sentido. Nos anos de 1960, um pensador francês fez uma pergunta: qual a diferença entre um cientista e um cientista intelectual? E ofereceu a resposta: _ O cientista faz a bomba atômica, o cientista intelectual pergunta para que e por que.

Na comunicação geral a liberdade de expressão se desobriga de ética para se manifestar. Fala qualquer coisa de acordo com a vontade, não importando se o que diz é fato ou fake e causa danos ou não. Já a prática comunicacional do Jornalismo precisa. Mais ainda, precisa de ética e saberes para além da regressão de conhecimento.

É fato que ao longo da criação do ensino de Jornalismo a formação profissional vem caindo a níveis culturais e críticos abaixo da crítica. A sempre necessária atualização de currículo desdenhou disciplinas básicas que impulsionam a liberdade de pensar e expressar ideias e sentimentos a partir de ampla e consistente fundamentação.

Talvez esteja numa proposta singela a possibilidade de separar a comunicação constitutiva do ser humano da formação jornalística específica que habilita ao diploma, sem ferir o direito constitucional. Qualquer cidadã ou cidadão graduado em quaisquer áreas de conhecimento, de médico a funileiro, que sinta inclinação para o trabalho diário de estar antenado no mundo 247 horas e dias da semana, sempre lendo, apurando, cotejando informação, e percebendo que jornalista não conversa, troca pauta, cursaria especialização de dois anos que compreenderia disciplinas fundamentais para o exercício do responsável e exaustivo, porém “melhor ofício do mundo”. Quem sabe?

FOTO: Freepik

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/diploma-uma-proposta-de-formacao-jornalistica/