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Dono do Metrópoles se vinga de Toffoli 12 anos depois

Em setembro de 2014, o ministro determinou a execução imediata da pena, levando à prisão de Luiz Estevão em 27 de setembro de 2014.

Em 28 de fevereiro de 2020, o ex-senador Luiz Estevão, dono do portal de notícias Metrópoles, deu uma entrevista à revista Veja em que declarou, sem meias palavras: “não há inocentes”.

Estevão sabe bem disso. Ele conviveu de perto com o submundo do crime ao longo de cerca de cinco anos de prisão que cumpriu por culpa (ou mérito) do ministro do STF Dias Toffoli.

Em setembro de 2014, o ministro determinou a execução imediata da pena de 3 anos e 6 meses por uso de documento falso, levando à prisão de Luiz Estevão em 27 de setembro de 2014.

Ele foi inicialmente detido em São Paulo (na Penitenciária II de Tremembé) e, em outubro de 2014, transferido para Brasília, no Complexo da Papuda, onde cumpriu a pena em regime semiaberto (podendo trabalhar durante o dia e retornando à noite).

Essa medida marcou o primeiro período significativo de restrição de liberdade em sua vida, expondo-o ao sistema prisional e gerando repercussão midiática sobre suas condenações acumuladas.

Pode-se dizer que Toffoli foi o grande responsável pela desgraça de Estevão, pois mandá-lo para a prisão gerou um efeito dominó e, a partir dali, vieram as execuções das outras penas.

A saber:

1ª condenação – Fraudes na construção do TRT-SP (1992–1998), peculato, corrupção ativa, estelionato (formação de quadrilha e uso de documento falso prescreveram). Pena de 31 anos.

2ª condenação – Uso de documento falso / falsidade ideológica (relacionado à liberação de bens indisponíveis), uso de documento falso. Pena de 3 anos e 6 meses de prisão.

3ª condenação – Regalias e corrupção no Complexo da Papuda (durante cumprimento de pena), corrupção ativa (corrupção de agentes penitenciários). Pena de 9 anos, 9 meses e 9 dias.

Enquanto amargava o cumprimento de penas que somavam mais de 40 anos de prisão, Luiz Estevão achou um jeito de criar um portal de notícias que, hoje, funciona como artilharia contra quem o mandou para a cadeia.

Tudo começou em abril de 2015, quando a redação da revista Veja Brasília (edição local da Veja) encerrou suas atividades na capital federal.

Esse fechamento deixou um grupo de jornalistas experientes sem emprego na cidade, criando uma oportunidade no mercado de notícias em Brasília — que já era dominado por veículos tradicionais como Correio Braziliense e Jornal de Brasília.

Luiz Estevão, que na época cumpria pena em regime aberto (após condenações por peculato, corrupção ativa e estelionato no caso do TRT-SP), viu ali uma chance de entrar no setor de mídia digital.

O ex-senador encanado convidou então Lilian Tahan, que era repórter especial da Veja Brasília, para assumir como diretora de redação de um novo site de notícias ainda sem nome definido.

A ideia era criar um portal com foco inicial forte no Distrito Federal, mas com ambição nacional, enfatizando prestação de serviços, cobertura política local e nacional/internacional (cerca de 70% local e 30% nacional/internacional, segundo planos iniciais).

A primeira equipe foi montada basicamente com profissionais vindos da extinta Veja Brasília, do Correio Braziliense e do Jornal de Brasília — o que trouxe experiência e contatos consolidados na capital. O portal Metrópoles foi oficialmente lançado em 8 de setembro de 2015.

Mas o calvário de Luiz Estevão não duraria muito mais, sobretudo após a criação do Metrópoles.

No apagar das luzes do ano eleitoral de 2022, o então presidente Jair Messias Bolsonaro inverteu o que fazia nos anos anteriores ao conceder o indulto de Natal, que era restringir o máximo possível o benefício.

Estevão cumpria pena desde 2016 no Complexo da Papuda (DF), mas o decreto de indulto de Natal editado por Bolsonaro no final de 2022 incluiu critérios que beneficiaram condenados maiores de 70 anos que já tivessem cumprido pelo menos um terço da pena.

Estevão tinha 73 anos à época. Ele pediu o benefício logo após a publicação do decreto de Bolsonaro e obteve o indulto em março de 2023.

Esse decreto foi criticado por ter regras “atípicas” para crimes como corrupção. Artigos específicos foram incluídos após reuniões internas com o então ministro da Justiça, Anderson Torres.

Nos últimos dias, matérias do Metrópoles têm acusado Toffoli de frequentar um resort no Paraná que foi erguido por parentes do ministro. Funcionários do empreendimento dizem em off que o resort é do ministro.

Não se sabe se o portal daquele que Toffoli fez amargar anos de cadeia entrevistou mesmo funcionários, pois não há nomes nem imagens na reportagem. Mas os métodos de Luiz Estevão são conhecidos.

Toffoli prendeu Estevão, mas Bolsonaro soltou…

FOTO: Folhapress

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/dono-do-metropoles-se-vinga-de-toffoli-12-anos-depois