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Em 132 países, a última palavra é da Suprema Corte

Em apenas oito nações as Supremas Cortes não têm poder de anular leis. Na Constituição brasileira, o artigo 102 dá esse poder ao STF.

Em 132 países, a última palavra é da Suprema Corte. Em apenas oito nações as Supremas Cortes não podem anular leis do Parlamento. No Brasil, o artigo 102 da Constituição dá esse poder ao STF. A Constituição é a lei maior em todas as nações democráticas.

Em 132 países do mundo — incluindo Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Uruguai, Costa Rica e quase toda a América Latina — a Suprema Corte ou Tribunal Constitucional tem o poder de anular qualquer lei aprovada pelo Congresso se ela violar a Constituição.

E processar e até cassar mandatos de parlamentares, magistrados, presidente, governadores, prefeitos, ministros de Estado e secretários dos governos estaduais e municipais.

Esse mecanismo chama-se controle de constitucionalidade e existe para impedir que maiorias passageiras destruam direitos fundamentais ou a própria democracia.

No Brasil, o artigo 102 da Constituição de 1988 é cristalino:

“Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição”, podendo julgar ações diretas de inconstitucionalidade e declarar leis inconstitucionais com efeito para todo o país.

Esse poder não é “ativismo”; é mandato expresso da Constituição.

A Lei nº 1.079/1950, que regula o impeachment de ministros do STF, foi feita no governo Vargas, 38 anos antes da Constituição de 1988. Nunca foi revista à luz da atual Constituição.

Por isso, em 3 de dezembro de 2025, o ministro Gilmar Mendes suspendeu trechos que permitiam a qualquer cidadão apresentar denúncia sem filtro, exatamente para evitar abusos políticos e proteger a independência do Judiciário — decisão alinhada ao que acontece na esmagadora maioria dos países.

Enquanto isso, a extrema direita brasileira anuncia abertamente que quer eleger maioria no Senado em 2026 para derrubar ministros do STF sem crime de responsabilidade claro — apenas porque discordam das decisões.

O objetivo principal declarado é soltar Jair Bolsonaro (condenado por tentativa de golpe) e capturar o Judiciário. Dar esse poder ilimitado ao Parlamento é o oposto do que fazem 132 países, incluindo as maiores democracias do planeta.

Confira os 132 países onde a Suprema Corte pode anular leis do Parlamento

América do Norte (2)

  • Canadá
  • Estados Unidos

América Central e Caribe (16)

  • Antígua e Barbuda
  • Bahamas
  • Barbados
  • Belize
  • Costa Rica
  • Dominica
  • El Salvador
  • Granada
  • Guatemala
  • Haiti
  • Honduras
  • Jamaica
  • México
  • Panamá
  • República Dominicana
  • São Cristóvão e Névis
  • Santa Lúcia
  • São Vicente e Granadinas
  • Trinidad e Tobago

América do Sul (12)

  • Argentina
  • Bolívia
  • Brasil
  • Chile
  • Colômbia
  • Equador
  • Guiana
  • Paraguai
  • Peru
  • Suriname
  • Uruguai
  • Venezuela

Ásia e Oriente Médio (17)

  • Bangladesh
  • Camboja
  • Coreia do Sul
  • Filipinas
  • Índia
  • Indonésia
  • Israel
  • Japão
  • Malásia
  • Maldivas
  • Mongólia
  • Nepal
  • Paquistão
  • Sri Lanka
  • Tailândia
  • Taiwan
  • Timor-Leste

África (37)

  • África do Sul
  • Angola
  • Benim
  • Botsuana
  • Burkina Faso
  • Cabo Verde
  • Chade
  • Comores
  • Congo (Brazzaville)
  • Costa do Marfim
  • Egito
  • Gabão
  • Gâmbia
  • Gana
  • Guiné-Bissau
  • Quênia
  • Madagascar
  • Malawi
  • Mali
  • Marrocos
  • Maurício
  • Moçambique
  • Namíbia
  • Níger
  • Nigéria
  • República Centro-Africana
  • Ruanda
  • Senegal
  • Seicheles
  • Tanzânia
  • Togo
  • Tunísia
  • Uganda
  • Zâmbia
  • Zimbábue

Oceania (9)

  • Austrália
  • Fiji
  • Ilhas Marshall
  • Micronésia
  • Palau
  • Papua-Nova Guiné
  • Ilhas Salomão
  • Tuvalu
  • Vanuatu

Os 8 países onde a Suprema Corte NÃO pode anular leis do Parlamento

País | Mecanismo que impede

  • Reino Unido | Soberania parlamentar absoluta
  • Países Baixos | Art. 120 da Constituição
  • Suíça | Art. 190 (leis federais imunes)
  • Nova Zelândia | Soberania parlamentar
  • Dinamarca | Revisão judicial muito limitada
  • Suécia | Revisão só por tratados
  • Noruega | Parlamento pode reafirmar lei por 2/3
  • Finlândia | Sem poder explícito de anulação

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/em-132-paises-a-ultima-palavra-e-da-suprema-corte