Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 17 anos lutando pelos jornalistas (1)

Empreendedorismo para garantir reeleição em 2026 pede juro baixo

“A prioridade da ala progressista governamental é dar força ao empreendedorismo, mas, contrariamente, as forças conservadoras pró-mercado pregam austeridade”.

O ministro Paulo Pimenta, ao dizer que o presidente Lula é vitorioso nas eleições municipais, por ser expressão do centro político nacional, na sua condição essencial de um político conciliador, ressaltou que o PT tem que defender, a partir de agora, o empreendedorismo, alternativa às classes sociais sucateadas pelo neoliberalismo.

Como se sabe, a onda empreendedora, que tomou conta dos trabalhadores socialmente precarizados, depois da reforma trabalhista neoliberal imposta pelo bolsonarismo fascista, dificilmente emplaca diante da atual política monetária ortodoxa, cuja marca registrada é o juro alto, extorsivo, anti-desenvolvimento.

Os que optaram pelo empreendedorismo, depois do golpe na CLT getulista, estão fazendo reavaliações críticas, por estarem pagando juros muito altos sobre os bens e serviços que adquiriram para se tornarem novos empreendedores.

A taxa de lucro muito baixa dos novos empreendedores, na fase pós reforma, produz incertezas e precariedades que, caso continue a política monetária fiscal e ortodoxa, aumenta a incerteza, que pode aumentar se o governo aprofundar o corte nos gastos sociais, como defende a Faria Lima.

Os custos para ser empreendedor, conforme a legislação, transforma o micro e pequeno empresário escravo do negócio que empreende, levando-o, no ritmo das incertezas capitalistas crescentes, ao constante perigo de falência.

Desse modo, somente com política monetária pró-desenvolvimento, em que a oferta de dinheiro barato seja capaz de jogar o juro para baixo e, assim, tornar-se atrativo ao candidato ao empreendedorismo, à transformação do trabalhador, antes assalariado, à condição de empresário, micro ou médio, ele ousará dar o passo nesse sentido, ainda assim cheio de temor e insegurança.

INCERTEZAS ESPANTAM EMPREENDEDORES

Como as expectativas não são as de que os juros cairão nos próximos tempos, diante das pressões do mercado, dizendo que a taxa de inflação ascendente reclama juro mais alto, para evitar estouro da meta inflacionária prevista pela política monetária ortodoxa, a decisão de virar empreendedor constitui sempre passo no escuro.

A pressão das forças liberais, dentro do governo, nos ministérios do Planejamento e da Fazenda, por exemplo, é a de que é necessário aprofundar cortes nos setores sociais – saúde, educação, programas e benefícios aos mais pobres e desvinculação do reajuste do salário-mínimo para os aposentados – em nome do ajuste fiscal.

A prioridade da ala progressista governamental é dar força ao empreendedorismo, mas, contrariamente, as forças conservadoras pró-mercado pregam austeridade, cujos efeitos são redução da renda disponível para o consumo, configurada nas despesas sociais que são sinônimos de investimentos.

O discurso favorável ao empreendedorismo, como defende o ministro Paulo Pimenta, portanto, entra em choque com a austeridade fiscal e monetária pregada pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sintonizados com a tendência pró-mercado.

Ademais, antes do final do ano, na última reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), do Banco Central, a expectativa é de mais uma puxada na taxa básica selic, porque a Faria Lima diz ser necessária para conter a inflação que saiu da meta prevista de 4,5% para 2024 etc.

A taxa Selic alcançaria, como prevê o mercado especulativo, a casa dos 12%, entrando, em 2025, com sinalizações contrárias às expectativas desenvolvimentistas que teoricamente favorecem o discurso pro-empreendedorismo.

As divisões dentro do governo, por isso, são evidentes: de um lado, as forças pró-austeridade, puxadas pelos neoliberais, e, de outro, as defensoras do desenvolvimentismo lulista, capaz de dar força à industrialização, somente possível, se os juros sinalizam queda na nova fase do BC sob comando de Gabriel Galípolo, depois da saída do neoliberal bolsonarista Roberto Campos Neto.

Portanto, o empreendedorismo, do qual se espera motivação ao neo-desenvolvimentismo, alternativo ao neoliberalismo que deu golpe na política trabalhista nacionalista, ficará em compasso de espera sobre o rumo que o presidente Lula irá tomar, depois do crash eleitoral municipal, com vista a sua reeleição em 2026.

Foto: LOG PRODUÇÕES/TV 247

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/empreendedorismo-para-garantir-reeleicao-2026-pede-juro-baixo