Especialista russo aponta que disputa entre Estados Unidos, OPEP+ e China inaugura uma nova fase da geopolítica da energia.
247 – A guerra contra o Irã e as tensões em torno do Estreito de Ormuz recolocaram a geopolítica no centro do mercado internacional de petróleo. A volatilidade dos preços e os riscos para o abastecimento global demonstraram que conflitos militares voltaram a exercer influência direta sobre o setor energético, afetando produtores, consumidores e rotas comerciais em todo o mundo.
Essa é a avaliação de Konstantin Simonov, diretor-geral do Fundo Nacional de Segurança Energética da Rússia, em artigo publicado na Coluna Valdai desta quinzena no Brasil de Fato. Segundo o especialista, os acontecimentos recentes revelam uma disputa cada vez mais intensa entre Estados Unidos, OPEP+ e China, os três principais polos de poder que moldam o mercado mundial de petróleo.
Estados Unidos ampliam influência energética
Na análise de Simonov, os Estados Unidos consolidaram sua posição como um dos maiores exportadores globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), resultado do crescimento da produção de petróleo de xisto e da expansão das operações offshore.
O especialista sustenta que Washington combina sua força energética com instrumentos militares, diplomáticos e financeiros para ampliar sua presença no mercado internacional. Conflitos regionais, sanções econômicas e o controle das principais rotas marítimas acabam fortalecendo a posição norte-americana diante de seus concorrentes.
Nesse contexto, o Estreito de Ormuz assume papel decisivo. Qualquer interrupção no fluxo de navios pela passagem provoca alta imediata nos preços internacionais e amplia a influência geopolítica sobre o comércio global de energia.
OPEP+ enfrenta novo cenário
Para Simonov, o fortalecimento das exportações norte-americanas reduziu a capacidade da OPEP+ de determinar sozinha os rumos do mercado.
A coalizão de países produtores precisa administrar cortes de produção sem perder espaço para concorrentes que aumentam continuamente sua participação nas exportações globais. Essa realidade torna mais difícil o equilíbrio entre oferta, demanda e estabilidade dos preços.
China aposta em segurança energética
A China aparece como o terceiro grande protagonista dessa disputa. Maior importador mundial de petróleo, o país vem reforçando seus estoques estratégicos e diversificando fornecedores para reduzir vulnerabilidades diante das crises internacionais.
Segundo Simonov, Pequim também busca diminuir sua exposição às pressões políticas dos Estados Unidos. Há mais de um ano, a China deixou de importar petróleo e gás natural liquefeito norte-americanos e intensificou esforços para ampliar o uso do yuan nas transações internacionais de energia.
Essa estratégia, afirma o analista, fortalece a posição chinesa nas negociações comerciais e reduz sua dependência de mercados considerados hostis.
Geopolítica redefine o mercado de energia
Na avaliação do diretor do Fundo Nacional de Segurança Energética da Rússia, os acontecimentos envolvendo o Irã demonstram que fatores geopolíticos passaram a influenciar diretamente os preços, os fluxos comerciais e as estratégias dos principais produtores e consumidores de petróleo.
Para Simonov, o mercado global caminha para uma nova configuração, na qual Estados Unidos, OPEP+ e China disputarão não apenas participação nas exportações e importações, mas também a capacidade de estabelecer as regras que orientarão o comércio internacional de energia nas próximas décadas.
FOTO: Brasil 247 / Dall-E
FONTE: https://www.brasil247.com/ideias/entenda-como-a-guerra-contra-o-ira-esta-redesenhando-o-mercado-global-de-petroleo/