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Este já é um novo século de guerra

A transição do equilíbrio interimperialista do século XX para a nova Guerra Fria, a emergência dos BRICS e o isolamento das potências tradicionais.

O século XX foi marcado pelas chamadas duas guerras mundiais, que praticamente ocuparam o século inteiro. Praticamente foi uma única guerra, com um breve intervalo de tempo.

Foram, como Lenin havia previsto, guerras interimperialistas. O mundo já havia sido dividido entre os grandes blocos imperialistas. Só restaria a um e a outro bloco conquistar espaço pela guerra contra o outro bloco, que Lenin caracterizou, com precisão, como guerras interimperialistas.

Os Estados Unidos, saindo vitoriosos das duas guerras, acreditaram que seriam a única superpotência, revivendo a situação durante 70 anos da Inglaterra no século XIX. Mas o acesso da União Soviética ao armamento atômico repôs a bipolaridade mundial.

O fim da União Soviética fez renascer a ilusão de que os Estados Unidos se tornariam a única superpotência mundial. Ilusão que se desvaneceu rapidamente com o surgimento dos BRICS, o fenômeno mais importante desta primeira metade do século XXI, que reúne a Rússia, a China, o Brasil e uma enorme quantidade de países, mesmo vários antes aliados históricos dos Estados Unidos e outra grande lista de países que querem ingressar nos BRICS.

Este parecia ou poderia parecer um século sem aquelas guerras. Afinal, os conflitos interimperialistas estariam resolvidos pela derrota do bloco liderado pela Alemanha e pela Itália.

Mas foi uma paz transitória. Por isso terminou sendo um século de guerras. Terminada a segunda, veio um período chamado de Guerra Fria, porque as duas superpotências possuíam armamento para destruir-se mutuamente. Impôs-se assim um equilíbrio militar entre os dois blocos. Uma guerra fria e não desatada, como nas duas guerras mundiais, por esse equilíbrio.

Este é um século também marcado pela Guerra Fria, pelo equilíbrio militar herdado do século passado, ao qual se agregam as dimensões econômica e tecnológica, em que os dois blocos se equilibram. Portanto, é um outro tipo de equilíbrio, não apenas militar, o que marca o declínio ou mesmo a decadência da hegemonia mundial norte-americana. Porque à força militar da Rússia se soma a força econômica e tecnológica da China, um elemento novo nas relações internacionais. Além da projeção internacional do Brasil e da consolidação similar do México, definindo uma situação de isolamento dos Estados Unidos, como nunca antes havia acontecido.

Mas este, já na sua terceira década, é um século com mais conflitos bélicos que nunca. Que tipo de conflito? Qual sua diferença em relação às guerras do século XX?

Continua a existir, como já disse, o clima de Guerra Fria, de enfrentamento e, ao mesmo tempo, equilíbrio entre os dois blocos. Mas o declínio ou mesmo a decadência da hegemonia norte-americana acentua seu belicismo. O que caracteriza o governo de Donald Trump que, apesar de ter sido eleito anunciando que terminaria as guerras no mundo, só as acentua.

E, ao mesmo tempo, gera respostas, como a do Irã, que, embora uma potência muito mais frágil que a norte-americana, conseguiu vencê-lo no enfrentamento bélico direto. Mas o governo Trump responde com mais agressividade, embora isso tenha efeitos graves no preço do petróleo, com as consequências no enfraquecimento maior ainda do apoio interno ao governo norte-americano e seu isolamento em relação a seus aliados históricos, entre eles a Europa Ocidental e o próprio Canadá. E aumenta a possibilidade de que Trump seja derrotado nas eleições de meio mandato, em outubro, fazendo com que ele se torne um pato manco.

Mesmo que Donald Trump perca as próximas eleições, dificilmente os Estados Unidos poderão se livrar da situação gerada pelo governo atual. Trata-se do mesmo imperialismo histórico, com os mesmos interesses. No século atual, pressionado pela situação energética no mundo e nos próprios Estados Unidos. O que explica uma boa parte dos conflitos bélicos que se prolongam no século XXI.

FOTO: Xinhua

FONTE: https://www.brasil247.com/blog/este-ja-e-um-novo-seculo-de-guerra/