Investigação sobre financiamento de filme de Bolsonaro aguarda resposta norte-americana em meio a suspeitas de desvio de verbas.
247 – As autoridades dos Estados Unidos mantêm sem resposta o pedido formal encaminhado pelo governo brasileiro para obter assistência jurídica sobre a origem dos recursos do filme “Dark Horse”, obra sobre Jair Bolsonaro (PL), informa Jussara Soares, da CNN Brasil.
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A solicitação tramita desde 9 de outubro no âmbito do Tratado de Assistência Jurídica Mútua (MLAT), firmado entre Brasil e EUA em 2001. A Polícia Federal acionou o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça, no início do mês, e o órgão repassou os documentos a Washington na semana seguinte.
A cobrança por retornos ganha maior relevância em virtude dos movimentos de um dos investigados: na terça-feira (27), o senador e ex-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) cruzou a fronteira terrestre com a Argentina às 22h50 e, apenas 40 minutos depois, embarcou em um voo privado em direção a Guayaquil, no Equador.
O foco da Polícia Federal é reconstruir o caminho das verbas que saíram do Banco Master rumo ao Havengate Development Fund, fundo de investimento sediado nos Estados Unidos, apurando se tais cifras de fato bancaram a produção audiovisual.
A PF conduz duas apurações paralelas sobre o financiamento do projeto. No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça autorizou, em 22 de julho, o inquérito em que Flávio Bolsonaro responde por suspeitas de evasão de divisas, corrupção e lavagem de dinheiro. O estopim dessa frente ocorreu em maio, quando o site Intercept Brasil divulgou áudio em que o senador negociava diretamente um repasse de US$ 24 milhões com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Os registros apontam que pelo menos US$ 10,6 milhões foram efetivados via seis transferências bancárias entre fevereiro e maio de 2025.
Em delação premiada, o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro” — apontado como operador financeiro de Vorcaro —, detalhou ter realizado sete transferências para o Havengate Development Fund. A estrutura possui ligações com um advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Os investigadores apuram se fatia dos valores destinados ao filme serviu para custear despesas de Eduardo em solo americano, acusação que o ex-parlamentar nega, afirmando jamais ter recebido repasses de Vorcaro ou do fundo.
Em outra frente sob relatoria do ministro Flávio Dino no STF, os investigadores apuram se a produtora Go Up recebeu verbas de emendas parlamentares desviadas para viabilizar a realização da obra.
FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/eua-ignoram-pedido-do-brasil-por-cooperacao-no-caso-dark-horse/