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EUA retiram acusação de que Maduro chefiava o ‘Cartel de los Soles’ e admitem que grupo é irreal

Sequestro de Maduro : O Departamento de Justiça dos Estados Unidos admitiu como irreal a acusação de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sequestrado por forças estadunidenses em 3 de janeiro, liderava um suposto cartel de drogas chamado “Cartel de los Soles”.

A informação foi revelada pelo jornal The New York Times, que apontou que especialistas em crime e narcotráfico na América Latina consideram o termo uma construção midiática surgida nos anos 1990 para designar casos genéricos de corrupção, e não uma organização criminosa estruturada. O recuo fragiliza uma das principais narrativas usadas pelo governo Donald Trump para justificar ameaças, ataques e a própria invasão da Venezuela.

Mesmo com a mudança de versão, os promotores dos EUA mantiveram acusações contra Maduro, agora descrevendo o “Cartel de los Soles” não como um cartel real, mas como um sistema difuso de clientelismo e patronagem associado ao narcotráfico.

A nova denúncia reduz drasticamente as menções ao termo e abandona a tese de que Maduro seria seu líder direto, afirmando apenas que ele e Hugo Chávez teriam “participado ou protegido” esse sistema. Para especialistas, a reformulação expõe a inconsistência da acusação, que vai sendo ajustada conforme suas fragilidades se tornam evidentes.

Para o professor Luiz Felipe Osório (UFRRJ), a estratégia do governo Trump se baseia menos em provas e mais na construção de uma narrativa de medo, associando Maduro ao narcotráfico e ao “narcoterrorismo” sem base material sólida.

Segundo ele, trata-se de um expediente recorrente da direita e da extrema direita para legitimar ações ilegais, ampliar a repressão interna e viabilizar intervenções externas. “A acusação é volátil, muda de forma para ver se algum argumento se sustenta. O que importa é criar um enredo que legitime o sequestro e a criminalização política”, afirma.

O caso também representa uma grave violação do direito internacional. A ONU declarou que a operação dos EUA feriu um princípio fundamental da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a soberania e a independência política de Estados.

Foto: RS/Fotos Públicas

FONTE: https://www.facebook.com/photo/?fbid=1309573424542713&set=a.636855641814498