Comércio bilateral alcança US$ 96,9 bilhões, impulsionado por soja, petróleo, minério de ferro e carne bovina, enquanto importações de veículos eletrificados chineses avançam em ritmo acelerado.
247 – As exportações brasileiras para a China atingiram um novo recorde histórico no primeiro semestre de 2026, reforçando o papel do país asiático como principal parceiro comercial do Brasil. Levantamento divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), elaborado pelo diretor de Conteúdo e Pesquisa da entidade, Tulio Cariello, mostra que as vendas brasileiras ao mercado chinês somaram US$ 58,3 bilhões, alta de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior valor já registrado para um primeiro semestre. O estudo também revela que as importações brasileiras provenientes da China chegaram ao recorde de US$ 38,5 bilhões, elevando a corrente de comércio bilateral para US$ 96,9 bilhões, também uma máxima histórica.
Os números confirmam o fortalecimento de uma relação econômica que se tornou decisiva para a balança comercial brasileira. Apenas o superávit obtido pelo Brasil nas transações com a China alcançou US$ 19,8 bilhões, respondendo por 47% de todo o saldo comercial brasileiro com o mundo, que foi de US$ 42,4 bilhões no período. Desde 2009, o Brasil registra superávits ininterruptos no comércio com o país asiático.
A participação chinesa nas exportações brasileiras também impressiona. Nada menos que 31,6% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior teve como destino a China, quase três vezes mais do que as exportações destinadas aos Estados Unidos, segundo maior mercado das vendas brasileiras. No sentido inverso, a China respondeu por 27% das importações brasileiras, praticamente o dobro da participação norte-americana.
China amplia distância como principal parceiro do Brasil
O desempenho da corrente comercial mostra que a economia chinesa permanece como principal motor do comércio exterior brasileiro. Enquanto o intercâmbio entre Brasil e China alcançou US$ 96,9 bilhões, o comércio brasileiro com os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do país, totalizou apenas US$ 36,4 bilhões, valor 38% inferior ao registrado com os chineses.
Segundo o levantamento do CEBC, o crescimento das exportações brasileiras ao mercado chinês também foi um dos principais fatores responsáveis pela expansão das vendas externas do país como um todo, que cresceram 11,5% no semestre. Entre os dez principais destinos das exportações brasileiras, apenas Índia e Singapura apresentaram crescimento superior ao registrado nas vendas para a China.
Soja continua líder, mas petróleo ganha protagonismo
A soja permaneceu como principal produto exportado pelo Brasil para a China. As vendas do grão alcançaram US$ 20,2 bilhões, valor superior ao total exportado pelo Brasil para os Estados Unidos considerando todos os produtos. A commodity respondeu por 34,7% da pauta exportadora brasileira destinada ao mercado chinês, mantendo o país asiático como comprador de quase 70% da soja exportada pelo Brasil.
Entretanto, foi o petróleo que apresentou o avanço mais expressivo entre os grandes produtos da pauta brasileira.
As exportações de petróleo bruto cresceram 62%, atingindo US$ 15,1 bilhões, impulsionadas tanto pelo aumento do volume embarcado quanto pela valorização internacional do produto. O estudo aponta que as tensões geopolíticas no Oriente Médio favoreceram a estratégia chinesa de diversificar fornecedores, fortalecendo o papel do Brasil como fornecedor confiável.
Março, abril e junho de 2026 registraram os maiores faturamentos mensais da história das exportações brasileiras de petróleo para a China desde o início da série histórica, em 1997. Atualmente, a China absorve 54% de todo o petróleo exportado pelo Brasil.
Minério de ferro mantém posição estratégica
Outro destaque foi o minério de ferro.
O volume exportado para a China alcançou 135 milhões de toneladas, o maior já registrado para um primeiro semestre. Em receita, as vendas somaram US$ 9,2 bilhões, crescimento de 9,4% sobre igual período de 2025.
O valor arrecadado apenas com minério vendido à China foi mais de três vezes superior às exportações brasileiras totais destinadas ao Japão, considerando todos os produtos comercializados com aquele país. A China permaneceu responsável por 68,6% das compras externas do minério brasileiro.
Carne bovina registra máxima histórica
A carne bovina também viveu um semestre histórico.
As exportações brasileiras para a China chegaram a US$ 4,8 bilhões, crescimento de 50% e novo recorde para o período.
Segundo o estudo, o avanço decorreu principalmente da corrida dos exportadores brasileiros para aproveitar a cota de importação chinesa antes do esgotamento do limite sujeito a tarifas reduzidas. A expectativa do CEBC é que os embarques desacelerem no segundo semestre, já que as exportações acima da cota passarão a pagar tarifa adicional de 55%. Ainda assim, a China permaneceu como destino de 53% da carne bovina exportada pelo Brasil.
Também houve recuperação significativa nas exportações brasileiras de carne de frango, que cresceram 43%, além de forte expansão nas vendas de algodão, minério de cobre, ferroligas e diversos outros produtos minerais.
Rio lidera exportações graças ao petróleo
Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro consolidou-se como maior exportador para a China.
As vendas fluminenses alcançaram US$ 13,6 bilhões, equivalentes a 23,3% das exportações brasileiras destinadas ao país asiático. O petróleo respondeu por impressionantes 94% da pauta exportadora do estado.
Na sequência aparecem Mato Grosso, impulsionado pela soja, e Minas Gerais, sustentado principalmente pelas exportações de minério de ferro.
Veículos eletrificados impulsionam importações chinesas
Se as exportações brasileiras foram dominadas por commodities, as importações provenientes da China revelam uma transformação importante do mercado interno brasileiro.
As compras de veículos eletrificados — incluindo elétricos, híbridos e híbridos plug-in — somaram US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre, mais que o dobro das importações brasileiras provenientes da França considerando todos os produtos.
O avanço foi impulsionado pela antecipação das compras antes da entrada em vigor da tarifa de importação de 35%, implementada em julho.
Os veículos híbridos plug-in responderam por US$ 2,79 bilhões, enquanto os carros totalmente elétricos atingiram US$ 2 bilhões. A China respondeu por 88% de todos os veículos eletrificados importados pelo Brasil, consolidando ampla liderança nesse segmento.
Espírito Santo torna-se principal porta de entrada dos carros chineses
Embora São Paulo tenha permanecido como maior estado importador de produtos chineses, com 24,3% das compras nacionais, o destaque ficou para o Espírito Santo.
O estado concentrou 57% do desembarque de veículos eletrificados chineses, tornando-se a principal porta de entrada desses automóveis no Brasil. Cerca de 65% das importações capixabas provenientes da China correspondem justamente a veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in.
Relação Brasil-China alcança novo patamar
O levantamento do CEBC evidencia que a relação econômica entre Brasil e China continua se aprofundando em ritmo acelerado. De um lado, a economia chinesa amplia sua importância como destino das exportações brasileiras de produtos estratégicos como soja, petróleo, minério de ferro e proteínas animais. De outro, a indústria chinesa reforça sua presença no mercado brasileiro por meio da expansão das exportações de manufaturados, especialmente veículos eletrificados, equipamentos tecnológicos e componentes industriais.
Os números do primeiro semestre de 2026 mostram que a parceria comercial entre os dois países atingiu um novo patamar, consolidando a China não apenas como maior parceiro comercial do Brasil, mas também como elemento central para o desempenho da balança comercial brasileira e para a dinâmica das cadeias globais de produção nas quais o país está inserido.

FOTO: Ricardo Stuckert
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/exportacoes-brasileiras-para-a-china-batem-recorde-historico-e-consolidam-parceria-estrategica-no-primeiro-semestre-de-2026/