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Exportações de chips da China quase dobram em 2026 e reforçam avanço tecnológico do país

Embarques de circuitos integrados chegam a US$ 216 bilhões nos primeiros sete meses do ano, enquanto comércio exterior chinês avança com força em inteligência artificial, veículos elétricos, baterias e robótica.

247 – As exportações chinesas de circuitos integrados quase dobraram nos primeiros sete meses de 2026, em um movimento que evidencia o avanço tecnológico do país e a crescente competitividade de sua indústria de semicondutores. Entre janeiro e julho, os embarques de chips somaram US$ 216,02 bilhões, alta de 99,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo o Global Times, fonte original das informações, a forte expansão está associada à combinação entre o aumento da demanda internacional, especialmente aquela relacionada à inteligência artificial, os avanços tecnológicos alcançados pela indústria chinesa e o fortalecimento de uma cadeia produtiva capaz de operar em grande escala.

O desempenho dos semicondutores ocorre em meio a uma aceleração mais ampla do comércio exterior da China. Em julho, o volume total das trocas comerciais chegou a 4,66 trilhões de yuans, equivalentes a aproximadamente US$ 686,26 bilhões, crescimento de 19,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado manteve uma trajetória de expansão registrada por cinco meses consecutivos.

Chips ganham peso estratégico nas exportações chinesas

O salto das exportações de circuitos integrados chama atenção não apenas pela velocidade do crescimento, mas pelo caráter estratégico dos semicondutores na disputa tecnológica internacional.

A expansão ocorre em um momento de forte aumento da demanda mundial por capacidade computacional associada à inteligência artificial, data centers, veículos elétricos, automação industrial e dispositivos conectados.

Ao mesmo tempo, a China vem ampliando sua capacidade produtiva em segmentos de semicondutores considerados essenciais para diferentes setores da economia. Analistas citados pelo Global Times apontam que o aumento da capacidade de produção em nós maduros, a maior resiliência das cadeias de suprimentos e a fabricação em escala contribuíram para elevar a competitividade internacional dos chips produzidos no país.

Embora a atenção internacional frequentemente esteja concentrada nos semicondutores de última geração empregados em sistemas avançados de inteligência artificial, chips fabricados em processos maduros continuam fundamentais para uma parcela expressiva da economia industrial.

Eles são utilizados, entre outras aplicações, na eletrônica automotiva, em sistemas de controle industrial, equipamentos de infraestrutura e eletrodomésticos. A capacidade de produzir esses componentes em grande quantidade tornou-se, portanto, um ativo estratégico para a indústria chinesa.

Produtos eletromecânicos lideram avanço industrial

O desempenho dos chips integra uma transformação mais ampla da pauta exportadora chinesa, cada vez mais marcada por produtos industriais e tecnológicos de maior valor agregado.

Entre janeiro e julho de 2026, as exportações chinesas de produtos eletromecânicos alcançaram 11,12 trilhões de yuans, crescimento de 21,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse grupo respondeu por 63,8% de todas as exportações chinesas no período, mostrando a crescente importância da indústria tecnológica e de equipamentos para a presença comercial internacional do país.

Entre os segmentos que vêm apresentando avanços estão veículos elétricos, baterias de lítio, impressoras 3D, robôs industriais e navios.

O movimento evidencia uma mudança estrutural na inserção internacional da China. Além de sua tradicional força na produção manufatureira em grande escala, o país amplia sua presença em setores associados à transição energética, automação, digitalização e inteligência artificial.

A combinação entre capacidade industrial, infraestrutura logística, mercado doméstico de grande escala e investimentos tecnológicos vem permitindo às empresas chinesas aumentar sua competitividade internacional em diferentes segmentos.

Huawei avança em novas abordagens para semicondutores

A inovação tecnológica também permanece no centro da estratégia chinesa para ampliar sua autonomia e competitividade na indústria de chips.

Entre os avanços recentes está uma nova abordagem de design de semicondutores adotada pela Huawei, baseada na chamada Lei de Escalonamento Tau.

O desenvolvimento ocorre enquanto a China busca fortalecer diferentes etapas de sua cadeia de semicondutores, desde projetos e equipamentos até fabricação, encapsulamento e aplicações industriais.

Paralelamente aos investimentos tecnológicos, o país também está ampliando os mecanismos jurídicos de proteção da propriedade intelectual relacionada ao setor.

Novas regulamentações voltadas à proteção dos layouts de circuitos integrados deverão entrar em vigor em outubro. O objetivo é fortalecer a gestão da indústria e ampliar a proteção jurídica das inovações desenvolvidas pelas empresas chinesas.

A combinação entre investimentos industriais, pesquisa tecnológica, produção em escala e proteção da propriedade intelectual integra uma estratégia destinada a consolidar a posição da China em um dos setores mais importantes da economia mundial.

Comércio exterior mantém trajetória de expansão

O avanço tecnológico ocorre em um ambiente de crescimento mais amplo das trocas comerciais chinesas.

Os números de julho indicam que o comércio exterior do país manteve forte expansão, apesar das pressões externas e das incertezas existentes na economia internacional.

O crescimento de 19,2% registrado no comércio total durante o mês reforçou uma tendência de expansão observada durante cinco meses consecutivos.

Ao mesmo tempo, a China acelerou suas importações nos primeiros sete meses de 2026. O crescimento das compras externas ficou 8 pontos percentuais acima do ritmo registrado pelas exportações no período, movimento que contribui para um maior equilíbrio das trocas comerciais.

A ampliação das importações também reforça a importância do mercado consumidor e industrial chinês para a economia mundial. A China permanece como o segundo maior mercado importador do planeta pelo 17º ano consecutivo.

Essa abertura permite que empresas e países exportadores tenham acesso a um mercado de enorme escala, ao mesmo tempo em que a indústria chinesa continua ampliando sua presença internacional.

ASEAN, Europa, América Latina e África ampliam comércio com a China

A diversificação geográfica também aparece como um dos elementos relevantes da expansão comercial chinesa em 2026.

As trocas da China com ASEAN, União Europeia, América Latina e África cresceram em ritmos que variaram entre 15,4% e 20%, segundo os dados apresentados pelo Global Times.

O desempenho mostra uma expansão das relações comerciais chinesas com diferentes regiões do mundo e reforça o peso crescente dos mercados emergentes e do Sul Global nas cadeias internacionais de comércio.

Em contraste, o comércio entre China e Estados Unidos registrou queda de 1,6%. A retração, entretanto, tornou-se menor na segunda metade do ano, indicando uma redução do ritmo de deterioração das trocas entre as duas maiores economias do mundo.

A diversificação dos mercados internacionais é particularmente relevante em um ambiente marcado por tensões comerciais, medidas protecionistas e disputas tecnológicas.

Nesse cenário, a ampla estrutura industrial chinesa permite que o país ofereça uma variedade crescente de produtos, desde bens tradicionais até equipamentos avançados ligados à digitalização, à transição energética e à inteligência artificial.

Inteligência artificial impulsiona nova etapa industrial

A demanda global relacionada à inteligência artificial surge como um dos principais vetores para a indústria tecnológica chinesa.

O crescimento dos investimentos mundiais em infraestrutura digital aumenta a procura por semicondutores, servidores, equipamentos elétricos, sistemas de armazenamento de energia e outros componentes necessários à expansão dos data centers e das aplicações de IA.

A China busca aproveitar essa transformação combinando capacidade produtiva, investimentos em inovação e uma cadeia industrial diversificada.

No setor de semicondutores, a ampliação da fabricação em processos maduros oferece uma base importante para atender mercados como automóveis, equipamentos industriais e produtos eletrônicos. Paralelamente, empresas chinesas procuram desenvolver soluções tecnológicas capazes de reduzir gargalos existentes nos segmentos mais avançados da indústria.

Essa estratégia ganha importância diante das restrições externas impostas ao acesso chinês a determinadas tecnologias de ponta. O fortalecimento da produção doméstica e das cadeias de suprimentos tornou-se, nesse contexto, um elemento central da política industrial do país.

Exportações devem continuar crescendo

As perspectivas apresentadas para a segunda metade de 2026 permanecem positivas, apesar de um cenário internacional marcado por tensões comerciais e incertezas econômicas.

Especialistas citados pelo Global Times avaliam que o setor exportador chinês poderá manter crescimento de dois dígitos durante a segunda metade do ano.

Entre os fatores que sustentam essa avaliação estão o lançamento de produtos inovadores, os investimentos relacionados à inteligência artificial, o fortalecimento das cadeias industriais e as políticas destinadas a reduzir riscos externos.

A evolução das exportações de semicondutores é um dos sinais mais expressivos dessa transformação. O salto de 99,5% nos embarques de circuitos integrados nos primeiros sete meses de 2026 mostra como produtos tecnológicos ganham espaço na pauta comercial chinesa.

Ao mesmo tempo, o avanço das exportações de veículos elétricos, baterias de lítio, robôs industriais, impressoras 3D e outros equipamentos revela uma estrutura exportadora cada vez mais ligada aos setores que devem desempenhar papel central na economia mundial nas próximas décadas.

FOTO: VCG

FONTE: https://www.brasil247.com/global-times/exportacoes-de-chips-da-china-quase-dobram-em-2026-e-reforcam-avanco-tecnologico-do-pais/