Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 17 anos lutando pelos jornalistas (1)

Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2%, enquanto comércio com resto do mundo avança 10,5%

Sobretaxas norte-americanas afetam embarques brasileiros e déficit comercial com os EUA salta 122% nos primeiros sete meses do ano.

247 – As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram um recuo de 12,2% entre janeiro e julho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, somando US$ 21 bilhões, de acordo com dados do Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em informações do Comexstat. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas e levou os embarques brasileiros para o mercado norte-americano ao menor nível para o período em três anos, informa o G1.

A retratação foi ainda mais acentuada entre os produtos submetidos às maiores sobretaxas aplicadas pelos EUA, que atualmente variam entre 25% e 37,5%. As exportações dessas mercadorias desabaram 31,5% no acumulado do ano, caindo de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões.

“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, avaliou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

Julho interrompe trajetória de recuperação

Analisando apenas o mês de julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, o que representa um decréscimo de 5% em relação ao mesmo mês de 2025.

O resultado interrompeu a tendência de recuperação observada em junho, quando as vendas para o mercado americano haviam registrado crescimento pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a vigorar.

No recorte mensal dos itens sujeitos às maiores sobretaxas, a retração em julho atingiu 25,7%. Em contrapartida, os produtos enquadrados na Seção 232 tiveram expansão de 21,5%, movimento impulsionado sobretudo pelos embarques de aço e alumínio.

Entre as mercadorias que registraram as maiores quedas no acumulado do ano estão sebo bovino, madeira compensada, portas, fumo, madeira de coníferas, granito, torneiras e sucos de frutas. Os produtos semimanufaturados de ferro e aço também apresentaram retração.

Contraste com o comércio global do Brasil

O desempenho das exportações destinadas ao mercado americano ficou expressivamente abaixo do ritmo registrado pelo Brasil no restante do mundo. Enquanto as vendas para os Estados Unidos caíram 12,2% entre janeiro e julho, as exportações totais brasileiras cresceram 10,5% no mesmo intervalo.

Apesar da queda acumulada, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações do Brasil, figurando atrás apenas da China.

O levantamento revela ainda que, entre os dez principais produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, quatro registraram queda nas exportações para o mercado americano ao mesmo tempo em que apresentaram crescimento nas vendas para o restante do mundo.

É o caso do petróleo bruto, cujas exportações para os EUA caíram 25,5%, dos semimanufaturados de ferro ou aço, com redução de 11,1%, do ferro-gusa, que recuou 7,9%, e da celulose, com baixa de 5,3%.

Além disso, entre os dez principais produtos sujeitos às sobretaxas tarifárias, metade registrou queda nas vendas para os Estados Unidos no acumulado do ano. No restante do planeta, todos esses mesmos produtos registraram expansão.

Déficit comercial brasileiro e estrutura de tarifas

Do lado das importações, as compras brasileiras de produtos americanos somaram US$ 23,2 bilhões entre janeiro e julho, o que representa uma queda de 10,4% na comparação com o mesmo período de 2025.

Com a retração mais acentuada nas vendas do que nas compras, o Brasil acumulou um déficit comercial de US$ 2,3 bilhões no comércio bilateral com os Estados Unidos nos primeiros sete meses do ano. O saldo negativo representa uma alta de 122,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apenas no mês de julho, as aquisições brasileiras de produtos americanos cresceram 0,6%, alcançando US$ 4,3 bilhões e interrompendo uma sequência de sete meses consecutivos de retração. Com isso, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 639 milhões com os Estados Unidos no mês.

O estudo da Amcham Brasil considera a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor entre 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232. Atualmente, os produtos sujeitos às maiores tarifas adicionais enfrentam taxas entre 25% e 37,5%, patamar inferior ao período anterior às mudanças, quando algumas categorias chegaram a ter sobretaxas de até 50%.

FOTO: Brasil 247

FONTE: https://www.brasil247.com/economia/exportacoes-do-brasil-para-os-eua-caem-122-enquanto-comercio-com-resto-do-mundo-avanca-105/