Economista destaca histórico de superávits primários dos primeiros governos Lula e afirma que presidente tem condições de recuperar a confiança na política fiscal.
247 – O economista Felipe Salto avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne as condições políticas e econômicas necessárias para estabilizar a dívida pública, recuperar a credibilidade fiscal e criar um ambiente favorável à redução dos juros no Brasil. Em análise publicada no UOL, Salto destaca os resultados obtidos nos dois primeiros mandatos de Lula, quando o país registrou superávits primários expressivos, reduziu o endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e fortaleceu sua posição financeira internacional.
Segundo o economista, a experiência dos governos Lula entre 2003 e 2010 demonstra que responsabilidade fiscal e políticas de desenvolvimento podem caminhar juntas. Naquele período, o Brasil conseguiu melhorar os indicadores das contas públicas ao mesmo tempo que ampliou investimentos e programas sociais.
De acordo com os dados do Banco Central citados por Salto, o superávit primário médio foi de 2,4% do PIB entre 2003 e 2006 e de 1,9% entre 2007 e 2010. O resultado contribuiu para a redução da relação entre dívida pública e PIB, além de melhorar a composição do endividamento brasileiro.
O país também reduziu significativamente sua dívida externa e acumulou reservas internacionais, fortalecendo sua capacidade de enfrentar turbulências econômicas.
Lula já demonstrou capacidade de produzir resultados fiscais robustos
Salto reconhece que Lula tem razão ao destacar que seus governos alcançaram alguns dos maiores superávits primários da história brasileira.
Para o economista, essa experiência constitui um ativo importante no início do quarto mandato presidencial, especialmente diante das dúvidas manifestadas por agentes do mercado financeiro após a reeleição.
“Agora, precisamente, entendo que é o momento de retomar essa política e acredito que ele, mais do que qualquer um de nós, técnicos, sabe da importância de entregar esse resultado”, afirma.
A análise também valoriza o trabalho desenvolvido pelo Tesouro Nacional na administração da dívida pública, destacando a importância de uma estrutura técnica qualificada e de uma gestão responsável para preservar a estabilidade econômica.
Reação do mercado foi intensa após a eleição
O economista também examina a turbulência financeira registrada após a vitória de Lula no segundo turno.
Segundo os números apresentados em sua análise, o dólar chegou a subir quase 9%, enquanto os juros de mercado para o prazo de dez anos avançaram mais de 2,3 pontos percentuais.
Parte desses movimentos foi revertida no pregão seguinte, mas Salto considera que a volatilidade poderá persistir enquanto não houver maior clareza sobre a orientação da política econômica.
Para ele, a reação refletiu tanto a frustração de investidores que apostavam em outro resultado eleitoral quanto as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas no próximo mandato.
O economista considera equivocada a expectativa de que o quarto governo Lula necessariamente adotará uma política de irresponsabilidade fiscal. Ressalta, porém, que a reversão dessa percepção dependerá de medidas concretas e de sinais consistentes por parte da equipe econômica.
Estabilização da dívida pode abrir espaço para juros menores
Na avaliação de Salto, a retomada de resultados primários positivos e a estabilização da dívida pública são condições importantes para reduzir os prêmios de risco exigidos pelos investidores.
Uma trajetória fiscal mais previsível pode contribuir para aliviar a pressão sobre as taxas de juros de longo prazo e criar condições mais favoráveis ao investimento produtivo e ao crescimento econômico.
O economista reconhece que esse processo poderá exigir medidas de ajuste e sacrifícios no curto prazo, mas sustenta que o objetivo deve ser preservar a capacidade do Estado de financiar políticas públicas de maneira sustentável.
A mensagem central de sua análise é que Lula não precisa buscar referências externas para demonstrar capacidade de conduzir uma política fiscal responsável. Os resultados de seus próprios governos oferecem uma experiência concreta que pode orientar as decisões do novo mandato.
Ao recuperar essa trajetória, o presidente poderá contribuir para estabilizar a dívida, reduzir a incerteza econômica e criar condições para uma queda sustentável dos juros no país.
FOTO: Pedro França/Agência Senado
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/felipe-salto-lula-tem-a-faca-e-o-queijo-na-mao-para-estabilizar-a-divida-e-derrubar-os-juros/