Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Flávio Bolsonaro é criticado por oferecer riquezas do Brasil aos Estados Unidos

Declaração sobre terras-raras nos EUA provoca reação de governistas e levanta debate sobre soberania nacional e interesses estratégicos.

247 – A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos, ao sugerir que o Brasil poderia suprir a demanda americana por terras-raras e reduzir a dependência da China, desencadeou forte reação de políticos de esquerda e integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ampliando o debate sobre soberania nacional e exploração de recursos estratégicos. As críticas se intensificaram após o parlamentar afirmar, durante evento conservador no Texas, que o país poderia assumir papel central nesse cenário geopolítico.

A fala ocorreu durante participação na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), onde Flávio Bolsonaro declarou: “O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos”. Pré-candidato à Presidência da República em 2026, o senador tem ampliado sua presença internacional como parte de sua estratégia política.

A repercussão foi imediata entre governistas, que acusaram o parlamentar de defender interesses estrangeiros em detrimento dos nacionais. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), criticou duramente a posição do senador e afirmou nas redes sociais: “Os vendilhões da pátria não tomam jeito”.

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP) classificou a declaração como um marco negativo no cenário político atual. “Este cidadão está oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira em troca de apoio. Entenderam o que vai estar em jogo em outubro?”, afirmou. Para ele, o episódio representa “o fato mais grave das eleições de 2026 até aqui”.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) elevou o tom das críticas, chamando o senador de “traidor da pátria” e “vendilhão de Trump”, ao acusá-lo de agir em favor de interesses externos ao tratar recursos naturais estratégicos como ativos disponíveis ao exterior.

A controvérsia ocorre em um momento de crescente importância geopolítica dos chamados minerais críticos, especialmente as terras-raras. Esses elementos são fundamentais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Atualmente, a China domina grande parte da cadeia global de produção e processamento desses materiais.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras, atrás apenas da China, concentrando cerca de 23% das reservas globais, segundo dados do Serviço Geológico do Brasil. Além disso, o país se destaca pela qualidade de seus depósitos, especialmente os de argila iônica, considerados estratégicos para a exploração eficiente desses minerais.

Outros recursos relevantes incluem o lítio, essencial para baterias de veículos elétricos, do qual o Brasil detém cerca de 8% das reservas globais, e o nióbio, no qual o país concentra mais de 90% das reservas mundiais, amplamente utilizado na indústria aeroespacial e em ligas metálicas de alta resistência.

Especialistas apontam que os minerais críticos tendem a assumir papel semelhante ao do petróleo no século XX, diante da crescente demanda impulsionada pela transição energética e pelo avanço tecnológico. Esses insumos são fundamentais para setores como energia renovável, semicondutores e defesa, o que os coloca no centro das disputas econômicas e estratégicas globais.

A fala de Flávio Bolsonaro também incluiu críticas ao governo Lula e defesa de monitoramento internacional das eleições brasileiras, reforçando o tom político de sua agenda externa e ampliando a polarização em torno da disputa presidencial de 2026.

Foto: Reprodução/X/@FlavioBolsonaro

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/flavio-bolsonaro-e-criticado-por-oferecer-riquezas-do-brasil-aos-estados-unidos