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Flávio Bolsonaro escala aliados para barrar votação do fim da escala 6×1 antes da eleição

Oposição tenta adiar análise no Senado para impedir vitória de Lula após reaproximação com Alcolumbre.

247 – A possibilidade de votação da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6×1 entrou no centro da disputa eleitoral e mobilizou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que tenta impedir que a medida avance no Senado antes das eleições.

Segundo o jornal O Globo, a movimentação foi deflagrada após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizar que poderia pautar a PEC depois de uma reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta é uma das bandeiras eleitorais do petista e estava travada desde maio.

A articulação da campanha de Flávio para tentar mudar o rumo da discussão está concentrada no senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura do PL. Marinho apresentou uma PEC alternativa e buscou negociar com Alcolumbre para que a proposta sobre a escala de trabalho não fosse votada durante o período eleitoral.

A estratégia sofreu um revés durante a primeira semana de esforço concentrado do Congresso, no início de agosto. No mesmo período em que Marinho tentava evitar a votação, Alcolumbre se reuniu com Lula e se comprometeu a destravar a proposta. Depois do encontro, o presidente do Senado enviou a PEC à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e autorizou a escolha de um relator aliado do Planalto, o senador Omar Aziz (PSD-AM).

O calendário apertado do Congresso passou a ser um dos principais trunfos da oposição. Com as atividades legislativas reduzidas durante as eleições, os parlamentares terão apenas uma segunda semana de esforço concentrado antes do pleito, prevista para começar em 31 de agosto. Aliados de Flávio apostam nesse prazo curto para tentar impedir que a PEC seja analisada pela CCJ e pelo plenário.

Entre as iniciativas previstas estão pedidos de vista, apresentação de emendas e manobras regimentais para prolongar a tramitação. A meta é ganhar tempo e evitar que Lula obtenha uma vitória política em uma pauta de forte apelo junto aos trabalhadores.

Mesmo entre aliados do governo, o cenário ainda é tratado como indefinido. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), e o relator da PEC, Omar Aziz, afirmam que não há garantia de acordo para aprovar a proposta antes das eleições. Aziz disse que pretende apresentar o relatório durante a semana de esforço concentrado, mas que a data da votação dependerá dos líderes partidários.

Publicamente, a campanha de Flávio evita se posicionar contra o mérito da proposta, por reconhecer o peso do tema para os trabalhadores. O discurso adotado é o de que a medida exige debate mais amplo e não deveria ser votada em meio à campanha eleitoral.

Vice na chapa de Flávio, o deputado Alfredo Gaspar criticou a iniciativa do governo Lula, embora tenha votado a favor da PEC quando ela foi aprovada pela Câmara.

“Lula está desesperado, o seu governo foi um desastre. Teve quatro anos para viabilizar pautas positivas e não fez. Agora, quer, às vésperas da eleição, alardear o seu interesse nessas pautas”, disse Gaspar.

A PEC alternativa apresentada por Rogério Marinho propõe que os trabalhadores possam escolher entre o regime tradicional da CLT e um modelo baseado nas horas efetivamente trabalhadas. Pelo texto, a compensação de horários e a redução da jornada poderiam ocorrer por acordo individual, convenção coletiva ou negociação direta entre empregado e empregador.

A proposta de Marinho também está na CCJ, mas Otto Alencar afirmou que não pretende designar relator para o texto. Ainda assim, o presidente da comissão admitiu que, em caso de acordo, trechos da iniciativa poderiam ser incorporados à PEC defendida pelo governo.

Em reuniões com empresários, integrantes da campanha de Flávio também têm atuado contra a votação da medida durante o período eleitoral. Daniella Marques, integrante da equipe econômica do candidato, classificou o debate como populista durante evento promovido pelo grupo empresarial Lide.

“É um debate populista, inócuo na realidade atual das famílias brasileiras. O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser. É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa (com a redução da jornada) enquanto quem produz não vai ter condição (de arcar com o aumento do custo de mão de obra). Vai ter um custo enorme em relação a isso”, afirmou.

FOTO: Lula Marques/Agência Brasil

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/flavio-bolsonaro-escala-aliados-para-barrar-votacao-do-fim-da-escala-6×1-antes-da-eleicao/