Expectativas de inflação recuam pela quarta semana seguida.
O relatório Focus divulgado nesta manhã trouxe uma melhora importante das expectativas de inflação para este ano. A mediana recuou para 5,03%, em queda consistente ao longo das últimas quatro semanas — saímos de 5,30% para 5,12% e agora 5,03%. O movimento acompanha as surpresas positivas do IPCA-15, que veio bem abaixo do esperado nas medições mais recentes.
Essa melhora se transferiu diretamente para as expectativas da Selic. O mercado já trabalha com mais um corte na reunião do Copom desta quarta-feira, o que levaria a taxa básica para 14%. E o Focus trouxe uma novidade: Selic a 13,75% no fim deste ano. Ou seja, apareceu no horizonte uma taxa abaixo de 14% — algo que considero possível se mantivermos essa sequência de boas notícias no campo da inflação.
A projeção de crescimento segue parada em 2%, em linha com os próprios modelos do Banco Central. Já o câmbio se estabilizou em torno de R$ 5,20 e deu uma aliviada nos últimos dias. Depois de uma escalada de tensão no fim de semana, com o temor de novos ataques, houve alívio nesta manhã, com o petróleo Brent recuando para baixo de US$ 85. Os mercados ficaram um pouco mais otimistas nesse front — o que ajuda bastante na trajetória da inflação.
Há, claro, riscos no horizonte, sendo o geopolítico o principal deles. Mas, apesar de todos esses problemas, o que temos visto de inflação e de expectativas tem melhorado.
O lado fiscal segue preocupando, especialmente por conta da despesa de juros. Na semana passada, vimos resultados primário e nominal muito ruins, com o gasto de juros beirando 10% do PIB — o pior momento desde a pandemia. Isso vai obrigar o governo a fazer algum ajuste. Reduzir a Selic ajuda, é verdade, mas o problema é que o resultado primário pressiona a demanda, pressiona a economia e pressiona a inflação. Por isso, no ano que vem, seja lá quem for o governo, deveremos ter um ajuste um pouco mais contracionista na expansão do gasto primário — até porque a pressão da conta de juros está muito grande.
Por fim, vale destacar que esta é uma semana cheia. Além da reunião do Copom, temos na sexta-feira o dado do payroll nos Estados Unidos. Na semana passada, o Fed manteve os juros, mas com três votos a favor da alta — uma dissidência relevante, sobretudo diante das discussões sobre o futuro comando da instituição. Com isso, o mercado vem empurrando para mais adiante uma alta de juros nos Estados Unidos, onde a taxa básica está em 3,75%.
Portanto, a semana tem dois pontos altos: a reunião do Copom na quarta-feira, aqui no Brasil, e a divulgação do payroll nos Estados Unidos.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/focus-coloca-selic-abaixo-de-14-no-horizonte/