Na prática, a oposição não tem identidade própria, senão se denominar de antipetista.
A força histórica do petismo – cabeça de ponte da união social democracia brasileira – é tão grande que a dualidade política nacional ocorre em torno do próprio petismo: de um lado, o petismo, do outro, o antipetismo, de modo que as apostas se realizam entre o crescimento do petismo na reta de chegada x o bolsonarismo impulsionado pelo anti-petismo.
Na prática, a oposição não tem identidade própria, senão se denominar de antipetista.
Desse modo, se parte do anti-petismo – abalada pela heresia anti-Nossa Senhora, avultada pelo fascismo bolsonarista anti-petista – acabar apoiando o petismo, em previsível segundo turno, adeus bolsonarismo.
Flávio, PL, antipetista, candidato de Washington, já prometeu que, se eleito, montará governo de transição com assessores do presidente Donald Trump.
Rendição total da soberania nacional.
Antipetismo se mostra essencialmente entreguista.
Petismo x antipetismo: eis a base do atual materialismo histórico cultural político dialético da realidade brasileira sob o domínio imperialista trumpista, cuja aposta é a guerra, ganhando, no Brasil, feições religiosas.
Petismo, portanto, em sua multiplicidade, representa o dualismo do real concreto em movimento – polo positivo x polo negativo –, que se interage, dialeticamente, sob processo ininterrupto de negação em busca de um eterno vir a ser hegeliano, simultaneamente, idealista-materialista.
NOVO NACIONALISMO: PETISMO+TRABALHISMO?
Desde a Revolução de 1930, o Brasil vive a dualidade do trabalhismo-petismo x burguesia nacional.
Nesse período histórico, dois líderes se destacam: Getúlio e Lula, como polo do trabalho – presidentes dos trabalhadores no cenário capitalista brasileiro e latino-americano.
Lula, durante esta campanha rumo ao quarto mandato falou em Getúlio em diversas ocasiões.
Iniciou sua aproximação mais efetiva com o trabalhismo na campanha eleitoral de 2022, depois de sair da prisão onde os neoliberais lhe meteram, para não disputar em 2018 contra Bolsonaro.
O então candidato, que sairia vitorioso, para governar entre 2022 a 2026, enrolou no pescoço o lenço getulista em São Borja, e de lá para cá, ele mesmo destaca que com Getúlio forma a dupla do trabalhismo irmão do petismo.
A estratégia lulista, nos últimos meses, com mais intensidade na reta final de campanha, é revigorar, a partir do Rio Grande do Sul, relação petismo-trabalhismo varguista, janguista e brizolista.
Todo apoio do lulismo-petismo ao brizolismo, na figura da neta de Brizola, Juliana(PDT), candidata ao governo do RGS, seria a composição política moderna brasileira para eventual quarto governo lulista?
Mais: o presidente abriu os cofres públicos para salvar o Rio Grande do Sul das tempestades climáticas, nos últimos dois anos, gesto oposto ao de Jair Bolsonaro, que deixou morrer mais de 700 mil brasileiros/ras durante a covid-19, em 2020, graças ao negacionismo medieval fanático-religioso.
Lula virou bandeira do trabalhismo brizolista para conquistar o Palácio Piratini.
Trata-se de nova dinâmica política da relação do petismo lulista com o trabalhismo brizolista para levar uma brizolista ao poder aonde começou a revolução de 1930 com Getúlio Vargas e os tenentistas.
É o fio da história do nacionalismo brasileiro em reconstrução.
PETISMO X TRUMPISMO: CONFRONTOS À VISTA
Os rumos políticos de Lula, em eventual quarto mandato, exigirão, como se desenrolam os fatos nesta campanha eleitoral, alianças ideológicas à esquerda para combater o trumpismo e sua vertente bolsonarista direitista entreguista, anti-Brasil.
Na verdade, Lula já está nesse novo embalo.
Em Nova York, na ONU, produziu claros lampejos para posição ideológica mais enérgica e energética, a fim de poder suportar o que vem por aí: um Trump mais agressivo para ampliar os interesses norte-americanos no Brasil, na base da força.
Esse é o perfil essencial da Doutrina Monroe e sua diplomacia das canhoneiras.
Marco Rúbio, do Departamento de Estado, está ativo nos bastidores comandando planos de desestabilização.
Como neonazista cubano-americano, executor dos planos de Trump para a América Latina, pretende ou não fazer por aqui o que fez na Venezuela?
Lula, para Trump, pode ter razão, mas vai preso assim, mesmo, como diz o ditado popular, na terra do neo-escravagismo neoliberal trumpista.
LULA NÃO CABE NUM BUKELE
O contrapolo capaz de abrir novos caminhos parece não ser Lula negociar com o neoliberalismo nos termos do domínio fascista trumpista à moda latino-americana.
Lula não cabe num Bukele.
Por esse caminho, Lula eventualmente vitorioso, em busca insólita de composição com o imperador, nos termos de continuidade de programa neoliberal, iniciaria seu quarto mandato com oposição na rua.
Não cumpriria promessas, perderia popularidade, rapidamente, e se desmoralizaria, diante da campanha eleitoral prá frente que está fazendo de que o Brasil Quer Mais, e não menos etc;
Nesse novo contexto, ocorreria ou não confrontação político-ideológica entre ultradireita fascista bolsonarista trumpista x petismo-lulismo aliado do trabalhismo varguista-brizolista nacionalista?
Crescerá, no ritmo da defesa da soberania, luta pelas riquezas nacionais que Trump ensaia, abertamente, tomar, no ritmo imperialista agressivo, inescrupuloso, violento, na linha do vale-tudo.
CULTO DO INDIVIDUALISMO ABSOLUTO
Trump, no imaginário cultural imperialista, assimila-se aos personagens de Sylvester Stallone, herói de Roliúde, pela capacidade imaginária de enfrentar o inimigo e vencê-lo para salvar os americanos em perigo em qualquer ponto da terra.
Culto do individualismo capitalista absoluto.
A guerra do petróleo derrubou os heróis míticos imaginários fictícios roliudianos, somente possíveis nas telas da alienação imperialista cinematográfica popular.
A propaganda como alma do negócio desmorona-se sob reinado trumpista.
A derrota dos Estados Unidos para o Irã é o fato mais importante do século 21 que Roliúde cuida de vulgarizar.
A resistência iraniana que está fragilizando o império é, do ponto de vista do império, vitória dos bandidos.
O mocinho perdeu a guerra.
Novo Vietnã alarma a Casa Branca.
NOVA REVOLUÇÃO MUNDIAL
Quarto mandado lulista viveria os desdobramentos da revolução que o Irã desatou ao colocar de joelhos o império, nesse momento, espalhando profundas influências geopolíticas sobre o petismo e o trabalhismo em aliança global no cenário do cone sul puxado pelo PIB dos BRICS, maios que o do G7.
Os povos do Oriente Médio, ricos em petróleo, se libertam do império no embalo da revolução iraniana anti-imperialista, que tende a unir os antigos inimigos entre si, sunitas e xiitas, para lutar contra o inimigo comum, o imperialismo trumpista-sionista.
O que acontecerá na cabeça da esquerda mundial, sob neoliberalismo escravocrata em crise, diante dessa nova realidade: poder muçulmano iraniano em ascensão dialética revolucionária?
O poder ocidental depende do poder petrolífero iraniano, que domina a circulação do petróleo pelo controle do estreito de Ormuz.
A resistência revolucionária iraniana ao império trumpista ,a frear o imperialismo no Oriente Médio, é o novo poder psicológico revolucionário das massas muçulmanas iranianas, disseminando espírito mudancista em escala irresistível.
Elas imprimem nova dialética à condução político-partidária nos países capitalistas periféricos do Sul Global, dominado pelo poder imperial trumpista.
O Brasil está nesse espaço geopolítico nacionalista no Sul Global em que Irã-China-Rússia é o novo tripé mundial antineoliberal em oposição aberta ao imperador americano.
A força revolucionária iraniana é o imã psicológico que atrai as massas esgotadas pela exploração imperialista americana no Oriente Médio.
LULA X TACÃO IMPERIAL TRUMPISTA
Sob o tacão imperial de Donald Trump, Lula, em quarto mandato, seria não atraído para alianças mais amplas no cenário do Sul Global impulsionado pelo espírito revolucionário que se amplia no Oriente Médio com a guerra do petróleo?
Vitória de Lula aumenta o cacife geopolítico do Sul Global a partir de novo rumo político ideológico ampliado pelas vitórias do nacionalismo iraniano frente ao imperialismo na guerra do petróleo.
É vitória do Sul Global contra a Doutrina Monroe imperialista.
FOTO: Ricardo Stuckert
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/forca-de-chegada-petista/