Associação Brasileira dos Jornalistas

Seja um associado da ABJ. Há 16 anos lutando pelos jornalistas

Global Times destaca, em editorial, resiliência da economia chinesa

PIB da China supera 140 trilhões de yuans em 2025 e cresce 5%; jornal afirma que país “avança sob pressão” em meio a tensões comerciais e incerteza global.

247 – A economia chinesa fechou 2025 com o PIB acima de 140 trilhões de yuans e crescimento de 5,0% em relação ao ano anterior, a preços constantes, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). O resultado, de acordo com o jornal Global Times, confirma a capacidade de sustentação do país em um cenário internacional descrito como complexo, com choques na economia mundial e instabilidade geopolítica.

Em editorial, o Global Times sustenta que o cumprimento da meta de crescimento reflete “alto nível de formulação de políticas” e “forte capacidade de execução”, além de marcar o encerramento do “14º Plano Quinquenal” com “quatro saltos consecutivos” na escala econômica: de 110 para 120 trilhões, depois 130 trilhões e, por fim, acima de 140 trilhões de yuans. Para o jornal, a sequência de sinais de estabilidade emitida pela segunda maior economia do mundo funciona como contribuição e estímulo ao restante do planeta.

Pressões externas e desafios internos

O texto afirma que o avanço ocorreu “sob pressão” e em direção a “novos e melhores” caminhos. No plano externo, o editorial menciona fricções comerciais intensificadas, conflitos geopolíticos em curso e políticas divergentes entre grandes economias, com destaque para a retomada de ameaças tarifárias por “certos países”, o que teria provocado impactos severos sobre cadeias industriais e de suprimentos.

No ambiente doméstico, o Global Times cita dores de transição do modelo de crescimento e uma recuperação desigual do consumo, que teriam colocado à prova a precisão da regulação macroeconômica. Ainda assim, o jornal argumenta que a China teria obtido simultaneamente um “salto quantitativo” e uma “melhoria qualitativa”, demonstrando capacidade de adaptação e resiliência.

Reação da mídia ocidental e desempenho das exportações

O editorial afirma que o crescimento de 5% foi “duramente conquistado” e diz que até veículos ocidentais destacaram a resiliência chinesa. O texto menciona que o The Wall Street Journal descreveu o desempenho como “robusto” e apontou que as exportações da China cresceram em 2025, contrariando expectativas de queda em meio a disputas comerciais.

O Global Times também cita reportagem da BBC que descreveu a economia como uma “economia em duas velocidades”, com força na manufatura e nas exportações. Para o jornal, o ano revelou tanto a diversificação do comércio externo chinês quanto a capacidade do país de “avançar sob pressão”.

Setores produtivos e alta tecnologia como motores

Ao atribuir as bases da resiliência, o editorial destaca uma fundação industrial considerada sólida e uma condução “bem calibrada” das políticas macroeconômicas. O texto aponta que o desenvolvimento coordenado dos três setores teria se consolidado, oferecendo impulso diversificado ao crescimento.

Na agropecuária, o Global Times registra expansão de 3,9% e ressalta a manutenção de alta produção de grãos por anos consecutivos, associando isso à estabilidade de preços e à estabilidade social. Na indústria, o editorial aponta crescimento de 4,5% e afirma que houve “profundas atualizações estruturais”, com aumento da participação do valor agregado da manufatura de equipamentos acima de determinada escala e da manufatura de alta tecnologia para 36,8% e 17,1%, respectivamente.

O texto também menciona que a produção de drones civis e robôs industriais cresceu 37,3% e 28% em termos anuais, argumentando que “novas forças produtivas de qualidade” estariam acelerando a reconfiguração do parque industrial chinês.

Serviços ganham peso e impulsionam emprego e consumo

O setor de serviços aparece como o principal motor, segundo o editorial: crescimento de 5,4%, participação de 57,7% do PIB e contribuição de 61,4% para o crescimento total. Na leitura do Global Times, a modernização e os ganhos de eficiência no terciário ajudam a sustentar a expansão do emprego e a elevação do consumo.

Inovação, abertura econômica e papel global

Em um cenário mundial “cheio de incertezas”, o jornal defende que a vitalidade inovadora da China se tornou uma das “certezas” mais valorizadas pela comunidade internacional. O editorial lista avanços e marcos tecnológicos — como a sonda Tianwen-2, o voo inaugural do UAV “Jiutian”, o trem de alta velocidade CR450 e a entrada em operação do primeiro porta-aviões chinês equipado com catapultas eletromagnéticas — como evidências de progresso rumo a maior autossuficiência tecnológica.

O texto também diz que essa “certeza” se expressa na abertura econômica “respaldada por ação”. O editorial afirma que a China avançou em abertura institucional e concedeu tarifa zero a 100% das linhas tarifárias para países menos desenvolvidos com os quais mantém relações diplomáticas. Em paralelo, sustenta que o país mantém uma taxa média de contribuição em torno de 30% para o crescimento econômico global, como demonstração de compromisso com a globalização econômica e o sistema multilateral de comércio.

Renda, consumo e bem-estar como indicadores

Entre os dados destacados, o Global Times chama atenção para a posse de automóveis pelas famílias: em 2025, a China teria alcançado 52,9 veículos por 100 domicílios. O editorial também afirma que a renda disponível real per capita cresceu 5,0%, em linha com o PIB, e que gastos com itens cotidianos e serviços, transporte e comunicações e educação, cultura e entretenimento avançaram com rapidez.

Na interpretação do jornal, a economia chinesa combina inovação que se supera continuamente com compromisso concreto com o bem-estar, e a confiança da população em viver melhor seria o fator que permite ao país “entregar confiança ao mundo”.

Sinal para o novo ciclo de planejamento

O editorial conclui que, ao olhar a partir do primeiro ano do “15º Plano Quinquenal”, o desempenho expressa uma “confiabilidade” que o mundo espera e uma lógica de desenvolvimento sustentável. Para o Global Times, a base de um PIB acima de 140 trilhões de yuans e o avanço de novas forças produtivas enviam um recado central: usar a própria “certeza” para compensar a incerteza global e oferecer um rumo mais estável à economia mundial em meio à volatilidade internacional.

Foto: Global Times

FONTE: https://www.brasil247.com/globaltimes/global-times-destaca-em-editorial-resiliencia-da-economia-chinesa