PIB da China supera 140 trilhões de yuans em 2025 e cresce 5%; jornal afirma que país “avança sob pressão” em meio a tensões comerciais e incerteza global.
247 – A economia chinesa fechou 2025 com o PIB acima de 140 trilhões de yuans e crescimento de 5,0% em relação ao ano anterior, a preços constantes, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). O resultado, de acordo com o jornal Global Times, confirma a capacidade de sustentação do país em um cenário internacional descrito como complexo, com choques na economia mundial e instabilidade geopolítica.
Em editorial, o Global Times sustenta que o cumprimento da meta de crescimento reflete “alto nível de formulação de políticas” e “forte capacidade de execução”, além de marcar o encerramento do “14º Plano Quinquenal” com “quatro saltos consecutivos” na escala econômica: de 110 para 120 trilhões, depois 130 trilhões e, por fim, acima de 140 trilhões de yuans. Para o jornal, a sequência de sinais de estabilidade emitida pela segunda maior economia do mundo funciona como contribuição e estímulo ao restante do planeta.
Pressões externas e desafios internos
O texto afirma que o avanço ocorreu “sob pressão” e em direção a “novos e melhores” caminhos. No plano externo, o editorial menciona fricções comerciais intensificadas, conflitos geopolíticos em curso e políticas divergentes entre grandes economias, com destaque para a retomada de ameaças tarifárias por “certos países”, o que teria provocado impactos severos sobre cadeias industriais e de suprimentos.
No ambiente doméstico, o Global Times cita dores de transição do modelo de crescimento e uma recuperação desigual do consumo, que teriam colocado à prova a precisão da regulação macroeconômica. Ainda assim, o jornal argumenta que a China teria obtido simultaneamente um “salto quantitativo” e uma “melhoria qualitativa”, demonstrando capacidade de adaptação e resiliência.
Reação da mídia ocidental e desempenho das exportações
O editorial afirma que o crescimento de 5% foi “duramente conquistado” e diz que até veículos ocidentais destacaram a resiliência chinesa. O texto menciona que o The Wall Street Journal descreveu o desempenho como “robusto” e apontou que as exportações da China cresceram em 2025, contrariando expectativas de queda em meio a disputas comerciais.
O Global Times também cita reportagem da BBC que descreveu a economia como uma “economia em duas velocidades”, com força na manufatura e nas exportações. Para o jornal, o ano revelou tanto a diversificação do comércio externo chinês quanto a capacidade do país de “avançar sob pressão”.
Setores produtivos e alta tecnologia como motores
Ao atribuir as bases da resiliência, o editorial destaca uma fundação industrial considerada sólida e uma condução “bem calibrada” das políticas macroeconômicas. O texto aponta que o desenvolvimento coordenado dos três setores teria se consolidado, oferecendo impulso diversificado ao crescimento.
Na agropecuária, o Global Times registra expansão de 3,9% e ressalta a manutenção de alta produção de grãos por anos consecutivos, associando isso à estabilidade de preços e à estabilidade social. Na indústria, o editorial aponta crescimento de 4,5% e afirma que houve “profundas atualizações estruturais”, com aumento da participação do valor agregado da manufatura de equipamentos acima de determinada escala e da manufatura de alta tecnologia para 36,8% e 17,1%, respectivamente.
O texto também menciona que a produção de drones civis e robôs industriais cresceu 37,3% e 28% em termos anuais, argumentando que “novas forças produtivas de qualidade” estariam acelerando a reconfiguração do parque industrial chinês.
Serviços ganham peso e impulsionam emprego e consumo
O setor de serviços aparece como o principal motor, segundo o editorial: crescimento de 5,4%, participação de 57,7% do PIB e contribuição de 61,4% para o crescimento total. Na leitura do Global Times, a modernização e os ganhos de eficiência no terciário ajudam a sustentar a expansão do emprego e a elevação do consumo.
Inovação, abertura econômica e papel global
Em um cenário mundial “cheio de incertezas”, o jornal defende que a vitalidade inovadora da China se tornou uma das “certezas” mais valorizadas pela comunidade internacional. O editorial lista avanços e marcos tecnológicos — como a sonda Tianwen-2, o voo inaugural do UAV “Jiutian”, o trem de alta velocidade CR450 e a entrada em operação do primeiro porta-aviões chinês equipado com catapultas eletromagnéticas — como evidências de progresso rumo a maior autossuficiência tecnológica.
O texto também diz que essa “certeza” se expressa na abertura econômica “respaldada por ação”. O editorial afirma que a China avançou em abertura institucional e concedeu tarifa zero a 100% das linhas tarifárias para países menos desenvolvidos com os quais mantém relações diplomáticas. Em paralelo, sustenta que o país mantém uma taxa média de contribuição em torno de 30% para o crescimento econômico global, como demonstração de compromisso com a globalização econômica e o sistema multilateral de comércio.
Renda, consumo e bem-estar como indicadores
Entre os dados destacados, o Global Times chama atenção para a posse de automóveis pelas famílias: em 2025, a China teria alcançado 52,9 veículos por 100 domicílios. O editorial também afirma que a renda disponível real per capita cresceu 5,0%, em linha com o PIB, e que gastos com itens cotidianos e serviços, transporte e comunicações e educação, cultura e entretenimento avançaram com rapidez.
Na interpretação do jornal, a economia chinesa combina inovação que se supera continuamente com compromisso concreto com o bem-estar, e a confiança da população em viver melhor seria o fator que permite ao país “entregar confiança ao mundo”.
Sinal para o novo ciclo de planejamento
O editorial conclui que, ao olhar a partir do primeiro ano do “15º Plano Quinquenal”, o desempenho expressa uma “confiabilidade” que o mundo espera e uma lógica de desenvolvimento sustentável. Para o Global Times, a base de um PIB acima de 140 trilhões de yuans e o avanço de novas forças produtivas enviam um recado central: usar a própria “certeza” para compensar a incerteza global e oferecer um rumo mais estável à economia mundial em meio à volatilidade internacional.
Foto: Global Times
FONTE: https://www.brasil247.com/globaltimes/global-times-destaca-em-editorial-resiliencia-da-economia-chinesa