Ministro da Fazenda afirma que pretende retirar parcial ou totalmente a subvenção na próxima semana, mas cita volatilidade causada pelo conflito no Oriente Médio.
247 – O governo federal adiou para a próxima semana a decisão sobre a retirada do subsídio da gasolina, diante da recente alta dos preços do petróleo no mercado internacional e da instabilidade provocada pela retomada do conflito entre Irã e Israel. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista à Rádio Gaúcha nesta quinta-feira (9).
Segundo Durigan, a equipe econômica continua defendendo o fim gradual da subvenção, mas decidiu reavaliar o cronograma diante da mudança no cenário internacional. O ministro afirmou que sua intenção continua sendo avançar com a retirada do benefício já na próxima semana.
“Ontem (quarta-feira) o valor do petróleo subiu para US$ 80. Então nós temos que adotar com cautela a retirada dos subsídios. A gente tirou do diesel, e essa semana iria anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo. Semana que vem, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, parcial, ou totalmente, como próximo passo“, declarou.
A equipe econômica havia sinalizado que a retirada da subvenção sobre a gasolina ocorreria ainda nesta semana, após o encerramento do benefício concedido ao diesel. No entanto, o aumento da cotação internacional do petróleo alterou a avaliação do governo.
De acordo com O Globo, a escalada dos preços da commodity ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o cessar-fogo envolvendo o Irã havia chegado ao fim. O novo cenário elevou a volatilidade do mercado de energia e levou o governo brasileiro a adiar a decisão sobre os combustíveis.
Na semana passada, o governo anunciou o encerramento do subsídio de R$ 0,35 por litro sobre o diesel. Na ocasião, também indicou que pretendia avançar na eliminação de outras subvenções, incluindo o benefício de R$ 0,44 por litro concedido à gasolina e outra ajuda de R$ 1,12 relacionada aos combustíveis, à medida que os preços internacionais apresentassem maior estabilidade.
Pressão no Congresso
O adiamento também ocorre em meio a negociações com o Congresso Nacional. Segundo a reportagem, o governo pretende utilizar o argumento da volatilidade internacional para justificar a postergação da medida.
A discussão ganhou um componente político após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informar aos líderes partidários que poderá pautar um projeto de lei complementar destinado a compensar perdas de arrecadação decorrentes da redução de tributos sobre combustíveis, caso o governo não conclua a retirada do subsídio da gasolina.
A proposta foi encaminhada originalmente pelo Executivo, mas recebeu diversas emendas durante sua tramitação. Entre elas, há dispositivos voltados ao setor agropecuário e, principalmente, ao mercado de etanol.
Uma das alterações busca assegurar o diferencial competitivo entre gasolina e etanol previsto na Constituição. No entanto, segundo a reportagem, a modelagem apresentada teria um custo superior ao que o governo considera viável.
Representantes do setor sucroenergético também têm intensificado a pressão pela votação do projeto. A avaliação do segmento é que o subsídio à gasolina reduziu a competitividade do etanol nas bombas, prejudicando a comercialização do biocombustível.
Enquanto acompanha a evolução dos preços internacionais do petróleo, o governo mantém em análise a possibilidade de retirar o subsídio da gasolina de forma parcial ou integral, decisão que, segundo Durigan, deverá ser reavaliada na próxima semana.
FOTO: Washington Costa/MF
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/governo-adia-decisao-sobre-fim-do-subsidio-da-gasolina-apos-alta-do-petroleo-diz-durigan/