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Governo Lula vê tarifaço dos EUA como ideológico e acusa gestão Trump de má-fé

Segundo interlocutores do Planalto, Itamaraty realizou mais de 30 contatos com autoridades americanas e avalia que tarifaço já estava definido previamente.

247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que a decisão dos Estados Unidos, presididos por Donald Trump, de impor novas tarifas contra produtos brasileiros teve motivação política e ideológica. Segundo informações publicadas pelo blog do jornalista Valdo Cruz, no G1, integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a administração norte-americana agiu de má-fé ao sustentar que o Brasil não buscou negociar um acordo para evitar as sanções comerciais.

A avaliação da equipe presidencial ocorre após o anúncio feito pelos Estados Unidos na quarta-feira (15), último dia do prazo estabelecido por Washington para uma tentativa de entendimento entre os dois países. Em resposta, o governo brasileiro classificou a medida como “lastimável” e anunciou que dará início imediato aos procedimentos para acionar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade.

Nos bastidores do governo, a percepção é de que a justificativa apresentada pela Casa Branca para impor as tarifas foi construída para respaldar um discurso político alinhado ao do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Segundo integrantes do Executivo, a gestão norte-americana estaria difundindo uma narrativa falsa ao afirmar que o Brasil se recusou a negociar.

Após a divulgação das tarifas, Flávio Bolsonaro declarou que o governo Lula teria optado por não negociar e atuado contra os interesses do país. O Palácio do Planalto, entretanto, rejeita essa versão e afirma que houve sucessivas iniciativas diplomáticas para tentar construir uma solução negociada.

Governo afirma que decisão dos EUA já estava tomada

De acordo com integrantes do governo ouvidos pelo blog, a percepção é de que a decisão dos Estados Unidos já vinha sendo construída desde o ano passado, quando Donald Trump enviou uma carta ao presidente Lula. A avaliação é que, independentemente das negociações realizadas nos últimos meses, Washington já havia definido o caminho que adotaria.

Na análise da diplomacia brasileira, a Casa Branca também precisou encontrar um fundamento jurídico para sustentar a imposição das tarifas depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos estabeleceu limites ao uso de anúncios presidenciais para esse tipo de medida.

Segundo esse entendimento, a administração Trump recorreu à Seção 301 da legislação comercial norte-americana como instrumento legal para justificar as sanções, embora o Brasil considere que os argumentos utilizados não possuem base técnica nem econômica.

Itamaraty diz que realizou dezenas de contatos com autoridades americanas

O governo brasileiro também rebate a alegação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de que o Brasil não teria buscado negociar.

Conforme levantamento do Itamaraty, foram realizados mais de 30 contatos — entre reuniões presenciais, videoconferências e conversas telefônicas — desde o anúncio da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos. As tratativas envolveram autoridades em níveis presidencial, ministerial e técnico.

Ainda segundo a diplomacia brasileira, somente com o representante comercial Jamieson Greer e o secretário de Estado Marco Rubio ocorreram 11 contatos durante o processo de negociação, sempre por iniciativa do governo brasileiro.

Cenário mudou após aproximação entre Flávio Bolsonaro e Trump, avalia governo

Interlocutores do governo afirmam que o ambiente das negociações era considerado positivo após os encontros entre Lula e Donald Trump realizados na Malásia e posteriormente em Washington. A expectativa era de avanço nas conversas para evitar a adoção das tarifas.

Essa percepção, contudo, teria mudado nas últimas semanas, após o encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Segundo integrantes do Executivo, apesar da continuidade das reuniões de alto nível e técnicas, os negociadores norte-americanos deixaram de responder às propostas apresentadas pelo Brasil.

Além disso, passaram a defender pontos considerados “inegociáveis” pelo governo brasileiro, como alterações relacionadas ao Pix e uma moratória envolvendo plataformas digitais. Segundo a avaliação do Itamaraty, também foram desconsiderados os argumentos apresentados pelo Brasil sobre as políticas de combate ao desmatamento.

FOTO: Daniel Torok/White House // Ricardo Stuckert/PR

FONTE: https://www.brasil247.com/brasil/governo-lula-ve-tarifaco-dos-eua-como-ideologico-e-acusa-gestao-trump-de-ma-fe/