Medida pode reduzir importações e segurar preços dos combustíveis após alta global.
247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia aumentar a proporção de etanol na gasolina de 30% para 32% já em maio, em uma tentativa de amenizar os efeitos da disparada internacional dos combustíveis causada pela guerra no Irã. A proposta busca reduzir a dependência externa e conter pressões sobre os preços ao consumidor em meio à escalada do petróleo no mercado global. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, deve convocar nos próximos dias uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão responsável por deliberar sobre o tema. A expectativa é incluir o aumento da mistura na pauta do encontro, que exige aprovação conjunta dos ministérios integrantes.
A iniciativa tem apoio de setores do agronegócio e surge em um contexto de forte instabilidade internacional. Desde março, quando Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã, o preço do barril de petróleo ultrapassou a marca de US$ 100, impulsionado também pelo fechamento do estreito de Hormuz — rota estratégica por onde circula grande parte da produção mundial.
Atualmente, o Brasil ainda depende de importações para cerca de 15% do consumo de gasolina. Estimativas do setor indicam que a elevação da mistura para 32%, conhecida como B32, poderia reduzir esse volume em aproximadamente 5%, aliviando a pressão sobre o mercado interno.
Apesar da Petrobras ter forte presença no fornecimento de gasolina, o país é mais vulnerável no diesel, cuja importação corresponde a cerca de 25% do consumo. Esse combustível tem sido o mais impactado pela crise internacional, o que levou o governo a adotar medidas emergenciais, como a isenção de PIS/Cofins e a concessão de subsídios tanto para o produto nacional quanto para o importado.
Essas ações, porém, são alvo de críticas do agronegócio, que defende maior estímulo à produção doméstica de combustíveis renováveis. O setor argumenta que ampliar a mistura de biodiesel no diesel — atualmente em 15% — seria mais eficaz e sustentável. De acordo com cálculos apresentados por representantes da indústria, cerca de 40% das usinas de biodiesel operam com capacidade ociosa, o que permitiria elevar rapidamente a produção anual em até 5 bilhões de litros.
A ampliação da participação do biodiesel, no entanto, ainda depende de estudos técnicos para comprovar sua viabilidade e também precisará passar pelo CNPE antes de eventual implementação.
Paralelamente, o governo discute alternativas legislativas para ampliar os incentivos ao setor de combustíveis. Na última quinta-feira (23), líderes governistas na Câmara apresentaram um projeto de lei que prevê a extensão de benefícios tributários para gasolina, etanol e biodiesel, desde que compensados por receitas extras obtidas com a exportação de petróleo. A proposta deve ser analisada pelos parlamentares nos próximos dias.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/economia/governo-planeja-elevar-etanol-na-gasolina-para-conter-impacto-da-guerra-no-oriente-medio-nos-precos