Documento do Departamento de Guerra prevê ações unilaterais e pressão militar e comercial sobre aliados regionais para proteger interesses estadunidenses.
o247 – Os Estados Unidos formalizaram uma nova diretriz de defesa que amplia de forma significativa seu papel militar e comercial em todo o Hemisfério Ocidental, do Ártico à América do Sul. A Estratégia Nacional de Defesa estabelece que Washington deve garantir acesso irrestrito a áreas consideradas estratégicas e preservar a liberdade de empregar força militar sempre que seus interesses forem avaliados como ameaçados. As informações são do G1.
O documento, divulgado pelo Departamento de Guerra na última sexta-feira (23), detalha a política de defesa do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que condiciona a cooperação com países vizinhos ao alinhamento com as prioridades estadunidenses, incluindo o combate ao narcotráfico e o controle das fronteiras.
Doutrina de defesa amplia poder dos EUA no continente
A nova estratégia afirma que os Estados Unidos buscarão atuar “de boa-fé” com os países do Hemisfério Ocidental, mas deixa explícito que ações militares poderão ser adotadas caso essa cooperação não atenda às expectativas de Washington. O texto menciona a operação realizada em Caracas, que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, como exemplo do tipo de ação que pode ser repetida no futuro.
O documento consolida o discurso adotado por Trump, segundo o qual a região constitui uma área de interesse prioritário para Washington. A estratégia afirma que é essencial garantir “o acesso militar e comercial dos EUA a áreas estratégicas fundamentais”, como o Canal do Panamá, o Golfo da América [como foi rebatizado por Trump o Golfo do México] e a Groenlândia.
Ações militares e pressão sobre aliados regionais
“Garantiremos, de forma ativa e destemida os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental. Atuaremos de boa-fé com nossos vizinhos, do Canadá aos parceiros na América Central e do Sul, mas asseguraremos que respeitem e façam a sua parte na defesa de nossos interesses compartilhados. E, quando isso não ocorrer, estaremos prontos para adotar ações focadas e decisivas que promovam os interesses dos EUA. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as Forças Armadas dos EUA estão prontas para a aplicar com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação Resolução Absoluta”, afirma a estratégia, assinada pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth.
A política de defesa do segundo mandato de Trump é apresentada como uma busca por “paz por meio da força”. Segundo o Departamento de Guerra, essa abordagem começa no reforço das fronteiras dos EUA, passa pelo sistema de defesa aérea conhecido como Domo de Ouro e se estende à contenção de rivais globais.
Contenção da China e foco no Indo-Pacífico
A China é descrita como o principal rival estratégico dos Estados Unidos no cenário internacional. A estratégia afirma que o objetivo é “deter” o país asiático por meio da força e da contenção, sem buscar um confronto direto ou uma guerra aberta. O documento descarta a necessidade de mudança de regime em Pequim e propõe um equilíbrio de poder entre áreas de influência.
“China e suas forças armadas tornaram-se cada vez mais poderosas na região do Indo-Pacífico, a maior e mais dinâmica área de mercado do mundo, com implicações significativas para a segurança, a liberdade e a prosperidade dos próprios americanos. (…) Vamos manter um equilíbrio favorável de poder militar no Indo-Pacífico”, diz o texto.
Segundo a estratégia, o presidente dos Estados Unido busca uma relação com a China baseada em “paz estável, comércio justo e relações respeitosas”, ao mesmo tempo em que reforça a presença militar dos EUA no Pacífico Ocidental, entre o Japão, Taiwan e as Filipinas.
Canal do Panamá, Ártico e áreas estratégicas
O documento também aponta como prioridade garantir o acesso militar e comercial dos EUA ao Ártico, ao Golfo das Américas, ao Canal do Panamá e a outras áreas da América do Sul. O governo menciona iniciativas já em andamento para ampliar sua presença nessas regiões e reduzir a influência de rivais estratégicos.
No campo migratório, a estratégia reafirma a intenção de fechar as fronteiras e ampliar as deportações, contando com a cooperação do Canadá e do México. Em relação ao narcotráfico, o Departamento de Guerra declara que os Estados Unidos se reservam o direito de realizar ações militares unilaterais contra organizações classificadas como narcoterroristas em qualquer ponto das Américas.
A Estratégia Nacional de Defesa também prevê a modernização das forças nucleares dos EUA, a retomada da indústria militar e o aumento da responsabilidade dos aliados no que o governo chama de “fardo da segurança compartilhada”, consolidando uma política externa centrada no poder militar estadunidense e em sua projeção global.
Foto: RS/Fotos Públicas
FONTE: https://www.brasil247.com/americalatina/governo-trump-ameaca-paises-das-americas-com-nova-doutrina-militar-e-comercial