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Guerra com o Irã expõe vulnerabilidades dos EUA e força retirada de bombardeiros

Retirada de 12 aeronaves do Reino Unido e danos a bases no Oriente Médio ampliam dificuldades logísticas das operações militares americanas.

247 – Os Estados Unidos enfrentam dificuldades para sustentar suas operações militares contra o Irã após ataques a bases no Oriente Médio e a retirada emergencial de 12 bombardeiros B-1 de uma instalação no Reino Unido. Segundo análise publicada pelo jornal O Globo, esses episódios expõem vulnerabilidades da presença militar americana e tornam mais complexa e onerosa a mobilização de forças para o conflito.

A avaliação apresentada pelo jornal é que a guerra iniciada pelo presidente Donald Trump em 28 de fevereiro produziu efeitos contrários à demonstração de força pretendida por Washington. Mais de sete meses depois, danos à infraestrutura militar e ameaças contra tropas obrigaram o Pentágono a rever posições utilizadas para apoiar operações e dissuadir adversários.

A retirada dos bombardeiros da base britânica ocorreu depois que comandantes receberam informações consideradas específicas e confiáveis sobre um possível ataque. De acordo com autoridades americanas e britânicas citadas na reportagem, agentes apoiados por Teerã planejavam lançar drones contra aeronaves e militares dos EUA a partir de uma área próxima à cerca da instalação.

Trump apresentou a transferência como uma medida de precaução e minimizou sua importância. O secretário de Estado, Marco Rubio, também procurou tratar a movimentação como parte da rotina militar, afirmando que o Pentágono está “constantemente realocando recursos para onde eles são necessários”.

A mudança, entretanto, afeta o planejamento das operações. Com restrições ao uso de instalações próximas ao teatro de guerra, bombardeiros precisam partir dos Estados Unidos, o que aumenta o tempo de deslocamento e a necessidade de reabastecimento durante os voos.

Os grupos de porta-aviões americanos continuam capazes de patrulhar o Mar da Arábia, fora do Golfo Pérsico, mas passam a depender de abastecimento a partir de Diego Garcia, ilha no Oceano Índico situada a cerca de 3.500 quilômetros. Segundo a análise, essa reorganização acrescenta semanas à logística e eleva os custos das missões.

Dana Stroul, que foi a principal autoridade do Pentágono para a política no Oriente Médio durante o governo de Joe Biden, considera que a transferência abrupta dos bombardeiros tem consequências para as tropas e para a estratégia americana.

“Uma decisão tão precipitada é extremamente perturbadora para o planejamento operacional e o moral das tropas”, afirmou Stroul, atualmente no Washington Institute for Near East Policy.

Para ela, o efeito mais relevante pode estar na interpretação que Teerã fará do episódio. “A questão mais preocupante está no nível estratégico. É provável que os iranianos internalizem uma lição perigosa: ao demonstrar a capacidade de chegar perto de bases militares americanas muito além do Oriente Médio, Trump pode ser pressionado a recuar.”

As dificuldades também atingem a rede de instalações americanas nos países do Golfo. A reportagem relata que ataques iranianos tornaram muitas das 13 principais bases utilizadas pelos EUA na região inadequadas para ocupação. Parte dos militares foi transferida para hotéis e escritórios, mas alguns desses locais também acabaram identificados e atacados pelo Irã.

No Kuwait, seis militares americanos morreram em um ataque a Port Shuaiba que destruiu um centro de operações táticas do Exército. A Base Aérea de Ali Al Salem sofreu danos em estruturas destinadas a aeronaves, além de registrar militares feridos. No Campo Buehring, foram atingidas instalações de manutenção e de abastecimento de combustível.

Outros ataques comprometeram equipamentos essenciais às operações. Na Base Aérea de Al Udeid, no Catar, sede regional do Comando Central dos EUA, um sistema de radar de alerta antecipado foi danificado. No Bahrein, um drone iraniano atingiu equipamentos de comunicação na sede da 5ª Frota americana.

Na Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, mísseis e drones danificaram equipamentos de comunicação e vários aviões-tanque usados no reabastecimento de aeronaves. Uma estação da CIA em território saudita também foi atingida. A reportagem ressalta que não está esclarecido se a estrutura de inteligência era o alvo ou se foi alcançada durante um ataque a um complexo diplomático.

O custo de recuperação dessa infraestrutura permanece sem estimativa oficial apresentada ao Congresso. Segundo parlamentares citados pelo jornal, a reconstrução pode exigir dezenas de bilhões de dólares. O Pentágono se recusou a fornecer os valores, enquanto o Comando Central passou a estudar o reposicionamento e a reformulação de suas instalações no Oriente Médio.

“Os custos financeiros continuam aumentando em bilhões de dólares a cada mês, enquanto o governo se recusa a reconhecer a crise de munições que enfrentamos ou admitir os custos para reconstruir bases fortemente danificadas pelo Irã”, afirmou no mês passado o senador Jack Reed, de Rhode Island, principal democrata no Comitê de Serviços Armados.

A perspectiva de prolongamento dos ataques foi abordada por Mohammad Ayatollahi Tabaar, professor associado de assuntos internacionais da Universidade Texas A&M, em artigo publicado neste mês na revista Foreign Affairs. Segundo ele, o Irã “está adotando uma estratégia em relação aos EUA definida pela escalada e pela ofensiva contínua”.

“Isso significa que não seguirá o mesmo caminho nem fará concessões a Washington”, escreveu o professor. “Em vez disso, começará a fazer ainda mais para prejudicar as economias dos parceiros regionais dos EUA e devastar os mercados globais de energia, além de ampliar seus ataques à infraestrutura militar americana.”

Tabaar também levantou a possibilidade de Teerã tentar ocupar bases americanas amplamente abandonadas em países árabes do Golfo. Trata-se de uma previsão do analista: até o momento descrito pela reportagem, o Irã havia evitado operações terrestres desse tipo.

Trump sustenta uma avaliação diferente. Durante a campanha para as eleições de meio de mandato, o presidente afirma que a República Islâmica está próxima do colapso e que o bloqueio naval às embarcações que entram e saem do país forçará um acordo. Ele classifica como “notícias falsas” os relatos sobre avanços iranianos, falta de munições e reveses americanos.

No início da guerra, o presidente previa uma vitória em poucos dias e, depois, em cinco ou seis semanas. Exigiu uma “rendição incondicional” e declarou a derrota total do Irã três semanas após o começo dos ataques. Na declaração mais recente mencionada pelo jornal, Trump afirmou que Teerã cederia “logo depois da eleição”.

Foto: Molly Riley/Casa Branca

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/guerra-com-o-ira-expoe-vulnerabilidades-dos-eua-e-forca-retirada-de-bombardeiros/