Globo toma decisão após perder audiência na Copa de 2026 para a CazéTV.
247 – A Globo prepara uma ampla mudança em sua cúpula, com a saída de três altos executivos ligados às áreas de finanças, direitos esportivos e comunicação institucional. As demissões devem ser anunciadas nesta sexta-feira (4) pelo presidente da companhia, Paulo Marinho, em uma das maiores reformulações recentes na direção do grupo.
Segundo o Notícias da TV, que antecipou as mudanças, deixarão a empresa Manuel Belmar, responsável por Finanças, Jurídico, Infraestrutura e Produtos Digitais; Pedro Garcia, diretor de Direitos Esportivos; e Manuel Falcão, diretor de Marca e Comunicação Institucional. A reformulação ocorre em meio a avaliações internas sobre o desempenho da Globo na Copa do Mundo de 2026, resultados abaixo das expectativas e dificuldades relacionadas ao Globoplay.
Belmar já havia sido apontado como um dos principais responsáveis pela estratégia adotada na negociação dos direitos da Copa. A Globo abriu mão de adquirir a totalidade dos jogos do Mundial, decisão que permitiu a expansão de concorrentes, principalmente a CazéTV e o SBT.
A Fifa teria oferecido à Globo, no segundo semestre de 2025, os direitos dos 104 jogos da competição. Belmar e Pedro Garcia teriam rejeitado a compra integral sob a avaliação de que a quantidade de partidas poderia provocar uma “overdose” de futebol. A estratégia acabou sendo revista internamente após o forte desempenho das transmissões concorrentes.
Na Copa de 2022, a Globo alcançou 98% do público que assistiu ao Mundial pela televisão aberta e 22% na TV fechada, por meio do SporTV, segundo dados do Ibope citados pelo UOL. Em 2026, esses índices caíram para 82% e 15%, respectivamente. No mesmo período, a CazéTV saltou de participação praticamente inexistente para alcance de 44% do público.
A plataforma comandada por Casimiro Miguel deteve os direitos de transmissão dos 104 jogos da Copa de 2026. A Globo e o SBT ficaram com pacotes menores, enquanto a Livemode, empresa responsável pela CazéTV, também sublicenciou direitos para outros canais.
A mudança representa um revés especialmente significativo para Belmar, que acumulava grande influência dentro do grupo. Ele ingressou na Globo em 2003, inicialmente na Infoglobo, e posteriormente passou pela Globosat antes de assumir posições de maior responsabilidade na organização.
Em 2019, Belmar tornou-se diretor de Finanças, Jurídico e Infraestrutura. Anos depois, ampliou suas atribuições ao assumir também Produtos Digitais e Canais Pagos, área que inclui o Globoplay. Na época, foi escolhido para substituir Erick Brêtas no comando da operação digital da empresa.
A chegada de Belmar ao Globoplay ocorreu em um momento em que a plataforma buscava reduzir perdas financeiras e atingir equilíbrio operacional. Quando assumiu a área, o planejamento interno previa que o serviço deixaria de operar no vermelho em 2026.
A saída de Pedro Garcia também está diretamente relacionada, segundo as informações publicadas, às decisões tomadas sobre a Copa do Mundo. Como diretor de Direitos Esportivos, ele participou das negociações que levaram a Globo a não adquirir o pacote completo do torneio.
O crescimento da CazéTV tornou essa decisão ainda mais sensível dentro da emissora. O canal digital conquistou audiência expressiva em jogos exclusivos e ampliou sua posição no mercado de transmissões esportivas, colocando pressão sobre um segmento historicamente dominado pela Globo.
A empresa também deverá desligar Manuel Falcão, responsável pelas áreas de Marca e Comunicação Institucional. Diferentemente de Belmar e Garcia, sua saída estaria relacionada principalmente à avaliação interna sobre a imagem da Globo.
Segundo informações publicadas sobre a reformulação, pesquisas internas teriam indicado deterioração na percepção da marca pelo público nos últimos anos. A área de comunicação também enfrentava questionamentos sobre gastos e a estratégia de relacionamento com influenciadores digitais e veículos de imprensa.
Falcão estava à frente da área de Marca e Comunicação desde 2020 e tinha mais de duas décadas de carreira dentro do grupo. Sua saída, ao lado das de Belmar e Garcia, amplia o alcance da reorganização promovida pela presidência.
Paulo Marinho deverá comunicar oficialmente as alterações aos principais executivos e apresentar a nova configuração das áreas afetadas. A movimentação atinge simultaneamente setores estratégicos para o futuro da companhia: gestão financeira, streaming, aquisição de direitos esportivos e posicionamento institucional.
As mudanças ocorrem em um momento de transformação acelerada no mercado audiovisual, marcado pelo crescimento das plataformas digitais e pela fragmentação da audiência. No esporte, em especial, a entrada de novos concorrentes modificou o modelo de aquisição e distribuição de direitos que durante décadas favoreceu grandes emissoras de televisão.
A Globo agora terá de reorganizar justamente as áreas mais diretamente envolvidas nessa disputa, enquanto redefine sua estratégia para o Globoplay e para futuros grandes eventos esportivos.
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FONTE: https://www.brasil247.com/esporte/humilhada-pela-cazetv-na-copa-globo-prepara-medida-drastica/