A queda foi puxada principalmente por commodities minerais e agropecuárias, com as matérias-primas brutas caindo 3%.
O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela FGV, registrou deflação de 0,79% em junho, revertendo a alta de 0,87% observada em maio. No acumulado dos últimos doze meses, o indicador corre a 3,59%.
O destaque do mês ficou por conta do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que recuou 1,36%, revertendo a alta de 0,95% do mês anterior. A queda foi puxada principalmente por commodities minerais e agropecuárias, com as matérias-primas brutas caindo 3%. Como o IPA responde por 60% da composição do IGP, sua entrada em terreno negativo arrasta todo o índice geral para baixo.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 0,36%, desacelerando frente aos 0,60% de maio. O vestuário registrou deflação, enquanto alimentação subiu 0,47% e saúde e cuidados pessoais avançaram 0,50%. A difusão de preços também melhorou, recuando para 57%, uma queda de sete pontos percentuais em relação ao mês anterior.
Na construção civil, o cenário permanece mais desafiador. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,70%, ligeiramente abaixo dos 0,88% de maio, mas ainda em patamar elevado, pressionado por materiais, equipamentos e, principalmente, mão de obra, que acelerou para 1,15% de alta.
Entre os itens específicos, o querosene de aviação foi o que mais pesou negativamente, além de óleos e lubrificantes, ainda refletindo os preços do petróleo — embora o óleo diesel tenha cedido um pouco. As commodities minerais, sobretudo o minério de ferro, e alguns produtos agrícolas também recuaram no período.
No campo das expectativas, o Boletim Focus de ontem trouxe alívio: a previsão de IPCA para este ano melhorou para 5,30%. O petróleo Brent, negociado na casa dos 70 dólares, abaixo dos 80, contribui para esse cenário mais benigno. Vale lembrar que julho e agosto tendem a ser meses de sazonalidade favorável para os indicadores de inflação no Brasil, com IPCA historicamente próximo de zero ou até negativo — um alívio necessário para que o país feche o ano próximo da meta de 5%.
O Focus também convergiu para uma Selic de 14% ao final do ano, sinalizando mais um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom. Do lado externo, a conta corrente e a balança comercial seguem sendo beneficiadas pela alta do petróleo. Já a previsão de crescimento do PIB para este ano subiu para 2%, patamar que agora coincide com a projeção do Banco Central — uma economia que cresce em ritmo mais modesto, mas ainda avança, enquanto lida com uma inflação rodando perto dos 5%.
Na agenda da semana, os dados de vendas no varejo do Brasil saem amanhã, e o IPCA de junho será divulgado na sexta-feira — o indicador mais aguardado. Ainda amanhã, sai a ata do Fed, já sob a nova gestão à frente do banco central americano.
FOTO: Agência Brasil
FONTE: https://www.brasil247.com/blog/igp-di-de-junho-traz-alivio-na-inflacao-mas-custos-da-construcao-civil-seguem-pressionados/