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Indústria naval retoma fôlego com contratos bilionários e geração de empregos

José Antunes Sobrinho destaca papel do governo Lula, do conteúdo nacional e da previsibilidade para o setor.

247 – A indústria naval brasileira vive um novo ciclo de expansão com a assinatura de contratos para a construção de embarcações estratégicas no Estaleiro Ecovix, em Rio Grande (RS). O ato, que contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, marca um investimento total de R$ 2,8 bilhões e projeta a criação de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos, consolidando a retomada de um setor considerado fundamental para o desenvolvimento industrial e logístico do país.

Durante a cerimônia, o empresário José Antunes Sobrinho, do Estaleiro Ecovix, fez um discurso enfático sobre o papel do Estado na reconstrução da indústria naval, defendendo a política de conteúdo nacional, a previsibilidade dos investimentos e o impacto social da geração de empregos. As declarações foram registradas em vídeo divulgado originalmente no YouTube do Governo, que serviu de base para a repercussão do pronunciamento.

Em sua fala, Antunes Sobrinho ressaltou que a indústria naval precisa ser tratada como política de Estado, e não como refém de ciclos políticos. “Um setor como o naval não pode viver como no passado, de altos e baixos, nem ficar refém de modelos políticos antagônicos. Precisa ser tratado como política nacional, com previsibilidade, planejamento e constância”, afirmou.

O empresário atribuiu ao governo Lula a retomada de uma estratégia estruturada para o setor, destacando a articulação com a Petrobras e a Transpetro. “Hoje é um dia de afirmação de que o Brasil tem uma política de Estado competente, responsável e com visão de futuro para a indústria naval. O presidente Lula sempre compreendeu a dimensão econômica e social de valorizar essa atividade estratégica”, declarou.

Segundo ele, a construção naval é parte essencial da cadeia do petróleo, setor no qual o Brasil ocupa posição de destaque global. “A Petrobras está entre as dez maiores produtoras de petróleo do mundo e lidera a exploração offshore em águas profundas. A construção naval é estratégica porque transforma esse bem comum em emprego e renda”, disse.

Os contratos assinados fazem parte do Programa Mar Aberto, iniciativa do Governo do Brasil em parceria com a Petrobras para a retomada sustentável da indústria naval e offshore. O programa estimula investimentos, qualificação profissional e o fortalecimento do parque industrial nacional, em alinhamento com os objetivos da transição energética justa.

No Rio Grande do Sul, o Estaleiro Rio Grande será responsável pela construção de cinco navios gaseiros, sendo três com capacidade de 7 mil metros cúbicos e dois de 14 mil metros cúbicos. O investimento nessas embarcações soma R$ 2,2 bilhões, com potencial de geração de até 3.200 empregos diretos e indiretos. Os novos navios serão até 20% mais eficientes em consumo, reduzirão em 30% as emissões de gases de efeito estufa e estarão aptos a operar em portos eletrificados.

Além dos gaseiros, o pacote inclui a construção de 18 barcaças, no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em Manaus (AM), e 18 empurradores, no Estaleiro Indústria Naval Catarinense, em Navegantes (SC). O investimento nessa etapa é de R$ 628,8 milhões, com estimativa de cerca de 6.100 postos de trabalho, entre diretos e indiretos, durante a fase de obras.

Antunes Sobrinho destacou ainda que o Estaleiro Ecovix venceu a concorrência internacional para os gaseiros disputando com estaleiros asiáticos. “Fomos o único estaleiro brasileiro a vencer uma concorrência internacional. Isso mostra que o país tem capacidade técnica, industrial e comercial para competir quando as condições são equalizadas”, afirmou, defendendo a política de conteúdo local. “A valorização do conteúdo nacional não é privilégio da indústria naval, é uma prática adotada por todos os países para defender seus empregos e sua produção.”

O empresário também projetou forte expansão do emprego no estaleiro. Atualmente com cerca de 400 trabalhadores, a unidade poderá chegar a aproximadamente 4 mil colaboradores até o segundo semestre de 2027, com impacto direto sobre o comércio, os serviços e a economia regional. “Quatro mil empregos diretos representam cerca de 16 mil pessoas beneficiadas ao longo de toda a cadeia produtiva”, disse.

Durante a cerimônia, também foi acompanhado o andamento do projeto dos navios Handymax, que envolve investimento estimado em R$ 1,4 bilhão e potencial de geração de 3,6 mil postos de trabalho diretos e indiretos. As quatro embarcações, com 15 mil toneladas de porte bruto, estão sendo construídas em consórcio pelos Estaleiros Rio Grande, no Rio Grande do Sul, e Mac Laren, em Niterói (RJ), ambos habilitados no Fundo da Marinha Mercante.

Ao final de sua fala, José Antunes Sobrinho afirmou que os contratos simbolizam uma escolha estratégica do país. “Aqui é o Brasil que escolhe trabalhar, produzir e gerar emprego. É a economia real sendo fortalecida em um mundo cada vez mais competitivo”, concluiu.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

FONTE: https://www.brasil247.com/entrevistas/industria-naval-retoma-folego-com-contratos-bilionarios-e-geracao-de-empregos