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Irã diz que dará resposta ampla a eventual ataque dos EUA

Autoridades iranianas alertam que reação militar não será limitada, enquanto União Europeia e EUA ampliam sanções e tensões diplomáticas se intensificam.

247 – O clima de tensão entre Washington e Teerã voltou a se agravar nesta semana, com autoridades iranianas deixando claro que qualquer ação militar dos Estados Unidos poderá provocar uma resposta imediata e de grandes proporções. A advertência ocorre em um contexto de movimentação militar norte-americana no Golfo Pérsico, sanções europeias e esforços diplomáticos regionais para evitar um conflito aberto.

Segundo informações divulgadas pela rede Al Jazeera, o Irã afirmou que não aceitará a ideia de um confronto rápido ou contido. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o general de brigada Mohammad Akraminia declarou que a reação iraniana “não será limitada”, caso os Estados Unidos optem por uma ofensiva militar.

Akraminia afirmou que ativos militares norte-americanos na região são vulneráveis. “Se tal erro de cálculo for cometido pelos americanos, certamente não acontecerá da forma como Trump imagina – realizar uma operação rápida e, duas horas depois, tuitar que a operação acabou”, disse o general, acrescentando que porta-aviões dos EUA apresentam “sérias vulnerabilidades” e que múltiplos alvos no Golfo estão “ao alcance de nossos mísseis de médio alcance”.

A tensão aumentou após a União Europeia classificar o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) como “organização terrorista”. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, reagiu duramente à decisão, acusando o bloco europeu de apoiar o terrorismo. “O IRGC é uma das forças antiterrorismo mais fortes e eficazes do mundo”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Apenas aqueles que se aliaram aos próprios terroristas podem negar o histórico do IRGC no combate ao terrorismo do ISIS”. Para ele, “apoiar o terrorismo só trará arrependimento aos países europeus”.

A decisão da União Europeia foi tomada após os tumultos deste início de ano no Irã e veio acompanhada de uma nova rodada de sanções contra autoridades iranianas, incluindo o ministro do Interior. Washington saudou a medida. Em uma publicação na rede X, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que o IRGC é a “principal ferramenta do governo iraniano para o terror dentro e fora do Irã”, lembrando que os EUA já haviam feito a mesma designação em 2019.

No campo diplomático, vozes internacionais alertaram para os riscos de uma escalada militar. O ex-diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, comparou as ameaças atuais contra o Irã ao período que antecedeu a guerra do Iraque. “A continuidade de ameaças unilaterais de ataque militar contra o Irã, na ausência de um perigo claro e presente e em violação ao direito internacional, lembra a mesma cena sombria antes da guerra ilegal e imoral do Iraque”, escreveu. Ele acrescentou: “A vida humana e a destruição regional parecem não importar. Nunca aprendemos”.

Enquanto isso, o ministro da Defesa da Arábia Saudita, príncipe Khalid bin Salman, informou ter se reunido em Washington com autoridades de alto escalão dos Estados Unidos, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth. Segundo ele, o encontro teve como objetivo “revisar as relações estratégicas entre nossos países e explorar perspectivas para aprimorar nossa cooperação”, além de discutir esforços para promover a paz e a estabilidade regionais e globais. A Arábia Saudita afirmou, contudo, que não permitirá o uso de seu espaço aéreo ou território para ações militares contra o Irã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou sobre o impasse. Apesar de reiterar que “o tempo está se esgotando” para que Teerã retorne às negociações sobre seu programa nuclear, Trump disse esperar evitar um confronto armado. “Eu tive contato e estou planejando isso”, afirmou ao ser questionado sobre conversas com o Irã. Em seguida, acrescentou: “Temos um grupo se dirigindo a um lugar chamado Irã, e esperamos não ter que usá-lo”.

No mesmo contexto, o chanceler da Turquia, Hakan Fidan, alertou que um ataque ao Irã seria um erro e defendeu uma abordagem diplomática gradual. Segundo ele, Teerã estaria pronta para retomar as negociações, e a escalada militar poderia agravar ainda mais a instabilidade regional.

Autoridades iranianas afirmam que o país está preparado para se defender e anunciaram, recentemente, a incorporação de mil novos drones considerados “estratégicos” ao arsenal militar. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deve realizar reuniões de alto nível na Turquia, em mais uma tentativa de conter a crise diplomática em curso.

Em meio a sanções, advertências militares e movimentações diplomáticas intensas, a tensão entre Estados Unidos e Irã permanece elevada, com impactos diretos sobre a segurança e a estabilidade de todo o Oriente Médio.

FOTO: IRNA

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/ira-diz-que-dara-resposta-ampla-a-eventual-ataque-dos-eua