Acordo entre Irã e EUA busca reabrir o Estreito de Ormuz e reduzir tensão após ataques mútuos.
247 – Irã e EUA suspenderam novos ataques no Golfo e concordaram em retomar as negociações sobre o Estreito de Ormuz, em uma tentativa de preservar o acordo provisório de paz firmado em 17 de junho. Segundo a Reuters, a decisão foi informada neste domingo (28) por um funcionário norte-americano, após dias de escalada militar entre os dois países e acusações mútuas de violação do cessar-fogo.
De acordo com a Reuters, o acerto prevê a continuidade das conversas técnicas em torno dos 14 pontos do memorando de entendimento, que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte global de energia. “As negociações técnicas sobre todos os pontos do memorando de entendimento estão programadas para continuar. Ambos os lados suspenderão as negociações por enquanto e as embarcações poderão navegar livremente”, afirmou o funcionário americano.
O retorno à via diplomática ocorre após uma sequência de ataques e contra-ataques iniciada depois que um projétil iraniano atingiu um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, na quinta-feira. Desde então, Washington e Teerã passaram a se acusar de descumprir o cessar-fogo provisório assinado em 17 de junho.
Na madrugada de domingo, o Irã lançou mísseis e drones contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein. A ofensiva ocorreu pouco depois de o presidente Donald Trump ameaçar ampliar a ação militar contra a República Islâmica caso Teerã não cumprisse o acordo para pôr fim ao conflito.
Antes da divulgação do avanço diplomático, Trump escreveu em uma rede social: “Pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a concluir militarmente o trabalho que começamos com muito sucesso”. Em seguida, acrescentou: “Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!”.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que suas forças navais e aéreas haviam realizado operações com mísseis e drones contra posições militares americanas no Kuwait e no Bahrein. Segundo a emissora estatal Press TV, a corporação acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo e declarou que os ataques americanos “resultarão na paralisação completa de todos os processos diplomáticos”. O comando naval da Guarda Revolucionária também afirmou que bases americanas na região “viverão o inferno nos próximos dias”.
Um funcionário dos Estados Unidos confirmou à Reuters que instalações americanas haviam sido alvo de ataques iranianos, mas disse que não havia registro de mortes entre militares americanos nem danos significativos a bases dos EUA no Oriente Médio. A situação, segundo ele, ainda estava em desenvolvimento.
No Kuwait, o Exército informou ter interceptado dois mísseis balísticos, sem registro de vítimas ou danos. No Bahrein, sirenes foram acionadas, e autoridades locais afirmaram que um ataque iraniano danificou um prédio residencial na província de Muharraq, também sem vítimas. O governo bareinita pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para responsabilizar o Irã.
A escalada no Golfo também teve reflexos em outras frentes regionais. Israel afirmou no domingo ter realizado novos ataques contra o Hezbollah no sul do Líbano. Segundo as autoridades israelenses, a operação destruiu infraestrutura subterrânea usada pelo grupo em uma vila libanesa. O ataque ocorreu um dia após outra ação militar israelense e pouco depois de um novo cessar-fogo com o Líbano, firmado na sexta-feira.
Teerã sustenta que a interrupção dos combates no Líbano é condição necessária para a manutenção do acordo mais amplo. A ampliação do conflito regional, com o envolvimento de bases americanas, ataques israelenses e ameaças iranianas, elevou a pressão sobre as negociações mediadas nos últimos dias.
O acordo provisório de 14 pontos foi concebido para interromper os combates iniciados em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, além de garantir a reabertura do Estreito de Ormuz enquanto avançassem conversas sobre temas sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano.
Uma rodada de negociações mediadas já havia ocorrido na Suíça uma semana antes, com participação do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf. Washington chegou a suspender sanções contra Teerã, mas os confrontos foram retomados e se intensificaram nos dias seguintes.
Separadamente, o Catar informou que um cidadão do país morreu após ser atingido por estilhaços a bordo de uma embarcação que havia desaparecido no sábado. Uma segunda pessoa ficou ferida no incidente, atribuído pelo Ministério do Interior catari a “operações militares na área”, sem indicação do local exato nem atribuição de responsabilidade.
Apesar da gravidade dos ataques recentes, a retomada das negociações abre uma janela para conter a crise no Golfo e evitar uma ampliação do conflito. A expectativa, segundo relato publicado inicialmente pelo Axios e citado pela Reuters, é que as conversas sejam retomadas na terça-feira, no Catar, com foco na implementação do memorando de entendimento e na garantia de navegação pelo Estreito de Ormuz.
Foto: Prensa Latina
FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/ira-e-eua-suspendem-ataques-e-retomam-negociacoes-no-golfo